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Sento no sofá de Ana agradecendo por ter saído do frio congelante. Meu corpo implorava para que eu deitasse ali. Ouço Mário chamar por ela no quarto e logo sai, ele me encara e vai direto para a cozinha. Encaro o relógio de parede que marcavam seis e três da manhã.

não demora muito para que Ana saísse de seu quarto com o rosto completamente detonado pelo sono. Me senti mal por estar incomodando uma hora dessas.

- Mariana? O que houve com a minha mãe? - Seu tom era carregado de preocupação.

- Não houve nada com ela, assim espero. - Suspiro antes de prosseguir - Seu irmão me acordou de madrugada, apontou uma arma para mim e me expulsou de lá.

Digo tudo rapidamente. Ela toma alguns segundos para processar o que eu havia dito. Ana bufa e passa a mão pelo rosto, se senta ao meu lado no sofá e fita meu rosto. Seu semblante não era um dos melhores.

- Não acredito que ele fez isso. - Sussurra para si mesma - Me desculpe por não ter lhe contado isto.

- Me contado o que? - Fico perdida.

- Meu irmão é viciado, Mariana. Ele surta, vem cheio de problemas da boca ou de facção, cheira até o nariz sangrar e desconta nas pessoas.

- Ele já fez isso antes? - Pergunto com medo de sua resposta.

- Já. - Diz levantando um pouco o short do pijama que usará. Havia uma cicatriz.

- Espera, ele...

- Ele me deu um tiro achando que eu era membro de outra facção, disse que eu estava o perseguindo. Estava tão drogado nesse dia que errou o tiro. - Diz aliviada.

Fico espantada com aquela revelação. Sinto ânsia só de pensar.

- Meu Deus, Ana. Ele está com sua mãe - Me levanto completamente desesperada.

- Relaxa, a única que conseguia acalmar ele era minha mãe. Ele nunca fez nada com ela e hoje é dia de Luzia ir para lá. - Explica.

Fito o chão por alguns segundos e vejo o quanto tudo aquilo era terrivelmente errado.

- Cheguei no seu portão era madrugada ainda, você não atendeu então fiquei esperando.

- Cara, me perda fazer você passar por isso. - Diz aflita - Pode dormir no meu quarto mas antes toma café comigo e depois tu volta pra lá.

Nego com a cabeça.

- Não Ana, me perdoe mas eu não vou mais trabalhar para seu irmão.

Dito isto a feição da mulher muda completamente, ela estava abalada.

— Vai ser difícil encontrar alguém disposto a esse trabalho. — Reclama ela. — Merda, Felipe sempre faz merda.

— Ana, seu irmão precisa de ajuda. — Digo perplexa.

— Te dou um tempo para pensar. — Você está cansada. Vem, dorme aqui no meu quarto.

Ana ignora completamente o que eu havia dito.

— Não precisa, sério. Estou bem. — Minto.

— Vem logo, você está parecendo um zumbi.

Desta vez não declino, eu precisava descansar.

10h00.

Abro meus olhos e não enchergo nada além da escuridão. O ar condicionado não me impedia de ouvir a voz de Ana vindo de sua sala. Saio do quarto indo diretamente para a sala onde se encontrava a irmã de Felipe e seu marido. Sua feição não era uma das melhores.

Assim que me viu ela veio até a mim. Estava duvidosa.

— Vou te perguntar só uma vez e se tu mentir eu mesma te quebro — Ana diz raivosa.

Sem entender nada eu apenas a observo.

— O que?

— Liguei pro Felipe e ele disse que quando a luzia deu banho na minha mãe, viu marcas de arranhões.

Respiro fundo tentado conter a vontade de entregar Cristiane.

— Olha para mim, acha que eu faria isso? — Pergunto olhando em seus olhos. — Porque se você acha, não precisa da minha resposta, pode me bater agora.

— Eu não acho, por isso te perguntei. Que porra, quem mais deu banho nela?

Mordo meu lábio e fecho meus olhos brevemente.

— Quando sua mãe chegou a Cristiane deu banho. — Digo de uma vez.

— AQUELA CACHORRA! EU VOU... AH, EU VOU MATAR ESSA PUTA.

Sua raiva era palpável. Me permiti não apaziguar seu ânimo.

— Espera, seu irmão está achando que foi eu? — Pergunto amedrontada

— Não esquenta com isso.

— Como não? O cara pode me matar, Ana. Eu preciso buscar minhas coisas lá.

Ela respira fundo, pensando por alguns segundos; Provavelmente no que iria fazer.

— Fica aqui, eu busco suas coisas — Diz frustrada. — Vou aproveitar e dizer algumas verdades a ele sobre a cachorra que ele come e nem tem coragem de assumir.

Minha mente dizia para que eu a impedisse de fazer tal coisa, mas Cristiane merece ouvir poucas e boas. Não fiz nada e estou levando a culpa de uma coisa horrível, algo que eu nunca faria.

Se do assim, apenas aceno com a cabeça concordando com su decisão. Ana fita seu marido.

— Quer que eu vá contigo — Pergunta seu cônjuge.

— Não. Ele te odeia, vai ficar mais nervoso ainda. Pode ficar e dá alguma coisa pra ela comer. Já volto e você — Aponta para mim — Não saia daqui.

Trinta minutos se passaram desde de Ana Cláudia saiu. Meus pensamentos estavam me matando, minha cabeça estava tão cheia que nem consegui tomar café.

O marido de Ana me contava algumas coisas sobre Felipe, vulgo Ret. Coisas que me fizeram ter certeza de que, quem vê cara, não vê coração.

Assassinatos.
Roubos a mão armada.
Extorsão.

A ficha desse homem deve ser maior que eu, sem dúvidas. Me pergunto como ele ainda não está trás das grandes, deve ter o santo muito forte ou pagar um bom cachê aos policiais.

Como vim trabalhar para uma pessoa assim? Em parte a culpa é minha, eu sabia que ele representava o próprio perigo.

Sentada no sofá de Ana Cláudia eu me encontrava fitando um ponto fixo em sua parede. Mário fala ao celular do lado de fora, altos risos com a pessoa.

Tá falando com quem? — Ouço Ana dizer, em seguida o barulho do portão sendo fechado.

Sem dar tempo de seu marido lhe responder, eu corro para o quintal. Ela segurava minha bolsa em uma das mãos, era nítido que faltava coisas ali dentro.

Onde estão minhas roupas?

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MENINAAAS ME PERDOEM PELA DEMORA. ONTEM EU ACHEI QUE TINHA POSTADO ESSE CAPÍTULO E QUANDO FUI VER HOJE, NÃO POSTEI.

CDC - Concluída.Onde histórias criam vida. Descubra agora