『É tudo culpa sua』

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Nicole Davis;
31 de dezembro, quarta-feira.

Com a chegada da noite, não demoraria muito para também chegar o horário combinado com Leon e os Valentin. Se quisesse estar pronta dentro do que foi marcado, deveria começar a me preparar logo.

Debaixo do chuveiro, me vi pensando em como Ayla reagiu a minha postura diante o assunto da data passada. Na verdade, nem mesmo eu estava esperando tomar partido do lado de Alisson, mas exatamente o que acontece. Isolada de todo o assunto, quando me dei conta do que acontecia, já havia exposto a minha opinião junto de uma responsabilidade extra para a noite que nos aguardava.

Diante a reação obtida logo depois de deixar minhas palavras voarem junto ao vento, parei para pensar um pouco mais no que havia feito, e diante o olhar depositado sobre mim quando nossas mães finalmente cederam ao pedido da Valentin, achei mesmo que havia cometido um grande vacilo. No entanto, analisando tudo com ainda mais cuidado, percebi que não podia ter tomado uma atitude melhor. Se tivesse pensado em como proceder com a situação, não teria conseguido um tiro no alvo como esse.

Dentre tantos fatos positivos, o único negativo se tornou o gelo depositado entre a gente até o momento. Desde que Alisson foi embora, Ayla não falou mais comigo. Ela estava muito chateada.

Algum tempo depois, frente ao espelho, analisava a opção de roupa para aquela noite enquanto exibia um meio sorriso idiota no canto dos lábios. Afinal, estaria ao lado de pessoas importantes durante os últimos momentos do ano, era algo para se comemorar, um bom motivo para sorrir.

Satisfeita com o resultado apresentado pelo meu reflexo, respirei fundo e deixei o meu quarto para me direcionar ao de Ayla.

Frente a porta que não estava distante da minha, esperei ser atendida, mas sem obter muito sucesso.  Estava claro que ela ainda remoía os acontecimentos de algumas longas horas atrás, mas não havia mais nada que pudesse ser feito.

Apesar de tudo, ela ainda podia desistir. Podia simplesmente cruzar os braços, se jogar sobre a cama debaixo do seu cobertor, e dizer que não estava disposta a sair nos próximos minutos. Se fosse a sua opinião mais forte, ela poderia lançar o foda-se e nos mandar para o inferno sem pensar duas vezes. No entanto, talvez ela estivesse ciente de que não iria conseguir me passar para trás. No fim, eu possuía os meus motivos para querer tanto a sua presença em um lugar mais público, longe dos olhos e ouvidos das nossas mães.

Desistindo de tentar conseguir a sua atenção para que a mesma viesse me atender, neguei sua falta de ação e fui entrando sem nada a temer.

Jogada sobre sua cama, ela se encontra de olhos fechados e os fones de ouvidos em um som estridente, com seu volume aumentado no máximo pelo que parecia. O que explicava ela não ter me ouvido quando bati a porta, tão pouco notado a minha presença quando já observava a sua falta de compromisso.

— Sai logo dessa cama, agora – sem me importar com o olhar que era depositado sobre mim, disse firme ao retirar de suas mãos o celular junto ao transmissor auditivo. Ela parecia desejar o meu fim naquele exato momento, o verde dos seus olhos me diziam exatamente isso, não me davam indícios de nada diferente.

— Perdeu o amor que possuía pela vida, por acaso? – seu tom era agressivo, forte de formas que não lhe cabiam como definição. Sua ira ainda seguia intacta, a sensação de traição ainda permanecia emaranhada ali. Se possível para ela, fogo seria posto em mim em um piscar de olhos.

— Você ainda não está pronta, e o trio de idiotas deve chegar a qualquer momento. Então para de cena e termina de se arrumar antes que eu decida pedir a ajuda da mamãe – sabendo para quem apelar, notei seu ódio aumentar ainda mais. Tive que me segurar para não rir alto.

𝗠𝗶𝗻𝗵𝗮 𝗜𝗿𝗺𝗮̃ 𝗠𝗮𝗶𝘀 𝗩𝗲𝗹𝗵𝗮 - 𝒻𝒾𝓁𝒽𝒶 𝒹𝒶 𝓂𝒾𝓃𝒽𝒶 𝓂𝒶̃𝑒Histórias para pegar e não largar. Descubra agora