Ayla Rivera;
17 de janeiro, sábado.
Caminhada pela manhã, ninguém merecia isso, ninguém desejava algo tão torturante durante dias de férias. Eu não queria nada disso, mas era difícil ter algum poder de escolha e decisão quando se estava indo contra as opiniões das dras Davis e Rivera. Antes mesmo de dar início a qualquer discussão, eu já havia perdido todas.
A derrota do momento não se dava por motivos muito convencionais, nem mesmo devia estar tentando refutar algo. Afinal, não entendo nada do que havia vindo descrito dentro dos papéis daquele envelope. Mas mamãe estava ciente de tudo, havia estudado por anos, se esforçado para ser a primeira da turma no decorrer de cada novo semestre para não ter desculpas sobre os próprios erros. Ela sabia o que estava fazendo, entendia cada uma das palavras naquela folha tão branca quanto o seu jaleco. Os resultados do meu exame de rotina não haviam a agradado muito, e depois de tanto aproveitar durante as semanas passadas após a minha formatura, não existia nada para reclamar, assim como também não podia refutar o alto nível de álcool em meu sangue no dia marcado para o exame. Ainda estava de ressaca.
Sabia que tantos sorrisos ao passarem pela entrada aquele dia não devia significar coisas boas, e a resposta veio logo depois de uma pequena dr entre elas, nada que causasse alguma preocupação. Mas as conhecendo tão bem como conheço, não foi nenhuma surpresa aquele ultimato. Afinal, estávamos no início do ano, o primeiro mês dos doze que ainda estavam por correr. Aquela seria a primeira rodada de exames do ano, a mais chata delas, pois minhas dores de cabeça começariam por ali. Nunca me arrependi tanto de encher a cara, mas já era um pouco tarde para chorar o licor derramado na garganta. Podia esperar a chuva de advertências que cairia sobre os meus ombros, e eu não era única.
Quando leu cada um dos resultados disponíveis em cada exame feito, mamãe não pensou duas vezes antes de requisitar a presença da esposa. Estavam em casa, dona Alícia havia acabado de chegar do trabalho e não estava com uma cara muito boa. Mamãe havia feito uma grande de escolha, mas corria o risco de perder uma filha. Foi o que pensei no momento em que me obrigaram a me sentar junto das na mesa do escritório da delegada da cidade. Visualizei o meu fim tantas vezes que nem mesmo fui capaz de contar, porém, diferente de tudo o que se passou pela mente, Alícia Rivera respirou fundo e cedeu um aceno positivo para a dona de suas melhores escolhas. Ela havia cedido o poder da decisão para mamãe, e como consequência consequência, aqui estou.
Como castigo e forma de cuidar um pouco mais da minha saúde, a dra Davis me prescreveu inúmeros exercícios físicos, e entre eles estava a caminhada matinal. Dona Alícia seria a ponte de tudo desde o seu início, algo que dificultava toda a situação. Não havia como burlar a receita médica de mamãe se sua esposa não desgrudava do meu pé.
— Mãe, espera aí, preciso respirar – não conseguindo mais acompanhar os seus passos na "leve" corrida, pedi ao me apoiar em meus próprios joelhos para impedir uma queda iminente. Sentia minhas pernas aderem em cansaço, meus músculos pediam por descanso e esse era apenas o segundo dia de exercício sob a sua supervisão. Ela iria me matar.
— Vamos logo, falta apenas um quilômetro – sua satisfação ao dizer um absurdo desses me fez ir de encontro ao chão, não me aguentei mais. Ela devia estar brincando com a minha cara, não existia outra explicação.
— Aqui já está bom, vamos voltar pra casa, por favor? – não era a minha intenção tentar a convencer de nada, mas diante toda a cena feita, era exatamente isso o que estava parecendo.
— Levanta logo daí, Ayla. Não fui eu quem ativou a ira da sua mãe – ela insistia em me lembrar disso toda vez em que minha desistência gritava mais alto, no entanto, diferente do que era requerido por mim no dia anterior, dessa vez eu havia mesmo me aceitado como um ser exausto.
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𝗠𝗶𝗻𝗵𝗮 𝗜𝗿𝗺𝗮̃ 𝗠𝗮𝗶𝘀 𝗩𝗲𝗹𝗵𝗮 - 𝒻𝒾𝓁𝒽𝒶 𝒹𝒶 𝓂𝒾𝓃𝒽𝒶 𝓂𝒶̃𝑒
De Todo🔞 𝐀𝐲𝐥𝐚 𝐯𝐢𝐯𝐢𝐚 𝐮𝐦𝐚 𝐯𝐢𝐝𝐚 𝐭𝐫𝐚𝐧𝐪𝐮𝐢𝐥𝐚 𝐞 𝐜𝐨𝐦 𝐚 𝐧𝐨𝐫𝐦𝐚𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐝𝐞 𝐬𝐞𝐦𝐩𝐫𝐞. 𝐌𝐚𝐬 𝐭𝐮𝐝𝐨 𝐜𝐨𝐦𝐞𝐜̧𝐚 𝐚 𝐬𝐨𝐟𝐫𝐞𝐫 𝐮𝐦𝐚 𝐢𝐧𝐞𝐬𝐩𝐞𝐫𝐚𝐝𝐚 𝐫𝐞𝐯𝐢𝐫𝐚𝐯𝐨𝐥𝐭𝐚 𝐪𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐚 𝐟𝐢𝐥𝐡𝐚 𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐯�...
