Narrador;
5 de março, quinta-feira.
Com o passar de mais de um mês no calendário anual, Régis Alone conseguia respirar fundo enquanto analisava sobre a sua mesa, tudo o que possuía sobre as irmãs Davis Rivera. Havia demorado mais do que o próprio estava esperando, mas enfim poderia fazer acontecer aquilo que tanto martelava em sua mente. No entanto, ele era um homem esperto, sabia que a situação não era mais a mesma, que a facilidade observada semanas antes não estaria mais tão presente. Não apenas isso, pois para conseguir tudo o que era planejado, teria de ser cuidadoso ao extremo e menos ambicioso com os resultados.
Com a pequena fotografia que apresentava um dos poucos momentos amigáveis dividido por Alícia e Nicole desde a revelação do namoro em mãos, Régis assentia para o nada ao sorrir para a imagem. Se mantinha um pouco confuso com a distância estabelecida desde o início de sua observação feita pelas sombras, pois até onde lhe informado, aquela família era vista como um pilar naquela cidade, uma exemplo de união para os mais novos. E não seria nenhum exagero dizer que em certas ocasiões o ex-presidiário chegou a cogitar uma mudança de alvo, algo que ocorreu em momentos de altos conflitos entre mãe e filhas.
O homem observava tudo, não perdia nada. Se dando conta de que talvez não existisse mais uma importância tão grande dedicada às filhas, ele pensou mais de uma vez em como seria todo o desvendar do mistério se a dra Mellissa Davis sofresse um pequeno misterioso acidente. Mas chegar até ela não seria muito fácil, e depois de seguir um pouco mais a fundo, repousou sobre a programação principal e se viu satisfeito com tudo o que poderia ser alcançado. Afinal, se existia algo no mundo que a delegada amava mais do que a profissão que exercia, sem dúvida era a sua família, sua esposa e filhas. Independente da situação, o modo em que Alícia observava e cuidava de cada passo dado pelas mais novas jamais mudaria.
Régis Alone estava com tudo pronto para voltar e reorganizar cada pequeno traço do que seria feito, sua insatisfação com os passos dados na direção oposta ao seu querer haviam o deixado extremamente frustrado. Porém, antes que tomasse o veredito final, aquele que cumpria suas ordens expôs todo o ocorrido durante o inesperado encontro com a tão bem vista delegada Rivera. O jogo então voltava para o seu devido lugar.
A ameaça feita contra a jovem Rivera na data que se passou não estava em seus planos, mas saber que Alícia saiu em sua defesa deixava tudo cada vez mais evidente para o assassino calculista. E com a marcação do local na frente do seu olhar, Régis suspirou exibindo um meio sorriso em seguida.
— O patamar do jogo acaba de aumentar dra Rivera – as palavras haviam sido ditas para a única imagem solo que possuía da delegada, e sua determinação era uma coisa de causar espanto. Faltava pouco para que sua ação se concretizasse, apenas uma data específica.
7 de março, sábado.
Burlando os horários de uma refeição saudável, assim como acontecia a cada dois ou três fins de semana, ali estavam Ayla e Nicole dentro do veículo da mais nova prontas para mais um dia de compras no supermercado. O estoque de sua cozinha estava vazio, e não era nada fora do seu normal, já estavam acostumadas com aquele pequeno fato. Sabiam dos dizeres que ouviriam da dra Davis, mas não davam muita importância a tal possibilidade.
Ao estacionar o carro na vaga encontrada frente ao estabelecimento, o deixaram exibindo claros e divertidos sorrisos enquanto buscavam por um carrinho que fosse capaz de conter tudo o que acabava se tornando parte de suas compras, fosse algo essenciais ou não. No fim, mesmo que tivessem comparecido ao local para pagar apenas pelo básico, sempre terminavam levando para casa mais coisas do que acabariam consumindo. Ayla era como uma criança pedinte, e Nicole não era diferente de uma mãe que fazia exatamente tudo para a agradar o filho.
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