『Quanto tempo?』

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  Melissa Davis;
  8 de março, domingo.

Sentada ao lado da cama que abrigava o sono de Ayla, tentava entender como tudo aquilo foi acontecer justo com a nossa família. Um pensamento que me custava mais do que conseguia oferecer.

Não tínhamos qualquer ligação com o caso Alone, Alícia se recusou a ajudar em seu julgamento. Por mais que tentasse, não conseguia associar motivo algum a sua decisão de vir atrás da minha esposa e das minhas filhas. Algo não se encaixava, alguma coisa estava faltando no quebra-cabeças e isso se tornava mais do que óbvio. No entanto, não cabia a mim buscar por tal solução.

O domingo já estava perto do seu fim, tudo o que precisava ser feito por elas já havia sido finalizado. Agora, só nos restava esperar.

— O que disseram sobre ela? – respirando fundo ao se sentar ao meu lado, perguntou ainda incomodada com tudo o que aconteceu. Seus olhos indicavam extremo cansaço e, uma alta porcentagem de culpa. A vermelhidão do seu olhar indicava que ainda pensava e relembrava toda a cena vivida na data passada, mas a culpa não era sua.

— Ficará bem, a bala não causou grandes problemas, passou direto e não atingiu nenhum órgão interno. O desmaio só ocorreu devido a perda de sangue e ao susto tomado – com o olhar novamente focado sobre minha criança, não pude evitar um sorriso se formar junto das lágrimas que ameaçavam transbordar – Ela é mais forte do que pensamos.

— Você não faz ideia do quanto – respirando fundo, afirmou com toda a sua certeza – Mas eu esperava que nunca fosse necessário ela nos demonstrar isso. Devia ter me atentado mais.

— Pode parar, você fez tudo ao seu alcance, se afastou para que elas estivessem seguras, disse palavras duras quando não eram necessárias para que elas obedecessem o espaço proposto. Então não ouse dizer que fez pouco, não ouse afirmar que falhou com elas – não aguentava mais ver tanta cobrança, tanta tristeza em sua voz, e o principal. Não suportava mais enxergar culpa em seu olhar – Você é uma ótima mãe querida, se crucificou para que elas não fossem alvo daquele psicopata. Mas não existe ninguém no mundo que duvide do quanto nos importamos com elas, do quanto você se preocupa com gente. Mais de uma vez isso foi mostrado para quem quisesse ver – em um tom mais suave, levei minhas mãos ao seu rosto e impedi o fluxo das lágrimas que se derramavam enquanto Ayla era o seu único foco naquele quarto – Esqueça o que passou, elas estão bem agora, foque apenas nisso.

— Sabemos que não é verdade – exibindo um sorriso quebrado, disse em lamento ao deixar a cabeça pender para trás. Buscava o teto como novo foco de observação – Nicole não está nada bem, e depois daquilo.. – seu maxilar travou, sua voz transmitia um ódio que não podia ser compreendido por mim. Então apenas esperei que a calma retornasse para o seu ser antes de ouvir o final de suas palavras – Depois de ter vivido um pesadelo na vida real, duvido que a veremos realmente bem outra vez.

— Assim como Ayla, ela também ficará bem, e com o apoio necessário irá passar por tudo como se nada tivesse acontecido antes – acreditar em minhas próprias palavras era uma missão complicada, mas para o bem das mulheres da minha vida, precisava conseguir ao menos.

— Quando acha que poderemos estar com ela? – tal questão me fazia pensar em todas as probabilidades que foram jogadas sobre o meu colo, mas para me manter sã e cuidando de todos, precisava e conseguia eliminar todos os pontos negativos focando apenas no que era esperado até o fim. Era a milha filha na sala de UTI, e eu jamais seria capaz de desistir dela.

— Se tudo correr bem, em breve estaremos todas em casa novamente – nesse momento me vi retornando ao conturbado atendimento do dia anterior.

— Quanto tempo? – mal conseguia ouvir a sua voz, tudo o que se passava em minha mente era a situação imposta sobre os meus ombros quando os paramédicos adentraram a sala de emergência com duas macas. Não estava preparada para nada daquilo. A verdade era que jamais estaria.

𝗠𝗶𝗻𝗵𝗮 𝗜𝗿𝗺𝗮̃ 𝗠𝗮𝗶𝘀 𝗩𝗲𝗹𝗵𝗮 - 𝒻𝒾𝓁𝒽𝒶 𝒹𝒶 𝓂𝒾𝓃𝒽𝒶 𝓂𝒶̃𝑒Histórias para pegar e não largar. Descubra agora