『Será mesmo verdade?』

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Ayla Rivera;
31 de janeiro, sábado.

- Qual o problema de levarmos um jogo de taças? Pode ser que um dia em alguma reunião familiar elas nos façam falta - aquele era um argumento muito bom, ela não podia negar, mas também não se importava com nada disso. Seu olhar reprovador junto a um suspiro cansado, deixava evidente que sua paciência estava perto de chegar em seu limite.

- Só moramos nós duas Ayla, e quando recebemos visitas, são as mesmas pessoas de sempre. Ninguém toma vinho, o jogo de copos já está de bom tamanho - sendo capaz de levar o meu argumento ao chão, devolveu a caixa para o seu devido lugar e saiu andando com o carrinho de compras - Vem, estou indo embora.

- Mas ainda não escolhi qual cerveja devo levar - me apresentando para alcançar os seus passos, a vida respirando fundo ao fazer o possível para me ignorar - É serio Nic, qual cerveja a gente leva?

- Desde que viemos morar juntas, mal estreamos a cozinha, não sabemos o que ter uma refeição descente em casa. Conto nos dedos as vezes que bebemos pelo menos uma água naquele apartamento, e você quer levar cerveja? - estava vendo a hora em que todos parariam apenas para nos observar naquela longa discussão.

- Ao menos servirá de enfeite para o pequeno balcão expositor em nossa cozinha - passando em sua frente para me apossar da direção do carinho, a vi negar tudo em silêncio. Talvez estivesse disposta a gritar sua decisão final sobre tudo, mas em seus olhos eu conseguia enxergar a sua força de vontade para se segurar até o ultimo minuto - Podemos variar na escolha das bebidas, o que acha?

- Acho que nunca mais irei sair para fazer compras com você - me tirando um divertido sorriso, afirmou diante um leve curvar de lábios - Como elas conseguiam te aturar dentro de um mercado?

- Depois que fiz sete anos, mamãe passou a sempre me deixar no carro com nossa mãe, assim era mais fácil de controlar o meu lado consumidor compulsivo - sorri ao contar - Ao menos é o que ela conta.

- E só me diz isso agora? - fingindo revolta, pegou o seu enérgico favorito junto de uma garrafa de vodka e saiu andando sem se "importar" comigo. Logo corri para alcançar os seus passos, já havia pego tudo o que queria.

- Posso dirigir na volta pra casa? - enquanto o seu olhar não saía da tela do computador em que aparecia a fatura da compra, tentei me aproveitar da sua falta de atenção para conseguir as chaves do carro. No entanto, diferente do que eu pensava, ela estava sim muito atenta a tudo o que se passava ao seu redor - Nic, você me ouviu? - diante a minha insistência, ela apenas sorriu ao erguer as chaves e negar o meu pedido. Não era nada de outro mundo, afinal, era alguém muito responsável e a minha carteira ainda estava longe de vir para as minhas mãos. Mas confesso ter me decepcionado mesmo sabendo da enorme possibilidade de receber um não.

Fazendo o necessário para me manter imparcial ao ocorrido, em silêncio observei todo o restante do passar das compras. Não demorou muito mais, poucos minutos de olhares assassinos toda vez que o número no computador aumentava foi o suficiente para que já estivéssemos nos ajeitando no banco do carro. Agora só nos restava chegar em casa.

- Sabe que não pode dirigir, não entendo como ainda insiste tanto - expondo a sua opinião, ela virou a chave e deu a partida no segundo seguinte.

- A esperança é última que morre, não é mesmo? - conseguindo roubar um meio sorriso seu, me senti satisfeita com minha própria conquista. Era muito fã do brilho que inundava o seu olhar quando o seu sorriso era inteiramente sincero.

- Quando for aprovada no exame de rua e pegar sua permissão, poderá desfilar por cada uma dessas ruas durante todo o dia. Mas até lá, vamos evitar os problemas com a nossa mãe - tocando em um ponto muito sensível para mim, a vi tomar uma postura mais do que séria. Dividíamos a mesma sensação torturante sobre o assunto "Alícia Rivera". Sentíamos muito pelo ocorrido, sentíamos a sua falta acima de tudo.

- Será que ainda irá demorar para que tudo volte para o seu determinado lugar? - mudando completamente de assunto, deixei que meu olhar se focasse no horizonte que era estabelecido bem a minha frente. Estávamos perto de casa.

- É uma opinião difícil de ser comentada, algo complicado para se saber. Mas não tem um dia que não peça para que tudo se resolva de forma rápida - ainda sem exibir sorrisos, ouvi cada palavra sem desviar meu olhar de um ponto que chamou por minha atenção. Então ajeitei minha postura e a busquei para uma rápida observação.

- Notou que parecia ter alguém nos esperando do outro lado da rua? - removendo o cinto no momento em que o carro foi estacionado em sua vaga, questionei antes de deixarmos o veículo.

- Poderiam estar esperando por qualquer pessoa, mas aquele carro que passou direto quando virei para entrar aqui atraiu a minha atenção. Me senti sendo seguida - realmente preocupada com o que saía por entre os seus lábios, ela disse enquanto abria o porta-malas para remover tudo o que foi comprado.

- Coisas estranhas tem acontecido nos últimos dias, talvez devêssemos tomar mais cuidado - me lembrando da sensação que assolava o meu peito momentos antes de saber sobre o encontro do corpo de Deniel, comentei de fato acreditada em minha própria oração. Aquilo não era nada comum para alguém que não fazia mal a uma mosca, não devíamos temer tanto. Mas depois dos últimos acontecimentos, era bom não brincar com a sorte.

- Esse é um bom ponto - voltando a exibir um sorriso divertido, agradeceu ao porteiro pelo carrinho de compras que estava sempre a disposição dos moradores do prédio. Estávamos mesmo precisando dele, e nem era por causa dos alimentos não perecíveis.

Quando tudo estava organizado em seu devido lugar, senti meu corpo pedir por descanso imediatamente, e atendendo o seu pedido, fiz do sofá uma perfeita cama. Não me daria o trabalho de me deslocar da sala até o quarto, não quando o sofá era tão confortável quanto a cama.

A vendo se sentar ao chão bem a minha frente, esperei alguma reclamação vinda da sua parte, mas nada aconteceu. Aceitando o carinho recebido em seus cabelos, cuidou apenas de ligar a tv e buscar por algum filme do seu agrado. Ao menos era essa a intenção, mas o rosto da dra Rivera em um dos muitos canais de notícias a fez desistir da procura do que assistir. Também me interessei pelo que se passava ali.

"- Alguma novidade sobre o assassinato do promotor Deniel Batista? - entendendo que o ocorrido não era mais tão recente quanto esses urubus poderiam desejar, mesmo sendo de enorme importância, me a tentei para o que os fez montar estadia frente a delegacia da minha mãe.

- Nada a declarar sobre o caso - se mantendo inerte a opinião alheia, sua voz saiu grave e autoritária como sempre. Poucas palavras era o que a definia como alguém de respeito em sua área de trabalho. Mas aquela reporter não estava se importando, sua insistência era maior do que o chega pra lá de dona Alícia.

- E o que tem a dizer sobre os rumores de que o assassino tem lhe ameaçado? - aquele ponto era novo pra mim. Minha atenção sobre o assunto havia se redobrado, precisava me inteirar sobre tudo aquilo - Dra Rivera, você confirma esses boatos? - também estava em interessada em saber, mas a Alícia que eu conheço jamais iria dizer qualquer coisa que não estivesse dentro do seu interesse. Ela apenas ignorou cada uma das palavras ditas e seguiu em frente com os seus passos, havia dado por encerrada aquela tentativa de entrevista."

Deixando a tv em "mudo", Nicole respirou e deixou seu corpo cair estirado o chão. Ela estava pensando, assim como eu, havia se incomodado com a pulga imposta atrás de nossas orelhas. Afinal, se a razão me pertencesse da forma como eu achava que sim, as possibilidades encontradas por trás daquela questão vinham acompanhadas do medo apenas. O saber de que nossa mãe era uma agente implacável não era o suficiente, ainda faltava algo mais, era essa verdade.

- Será mesmo verdade? - o baixo tom de sua voz logo me ganhou, estava presa em devaneios que me deixavam inerte a tudo ao nosso redor.

- Deseja muito poder saber, mas independente da resposta, tenho certeza que ela saberá lidar com tudo. Afinal, é a delegada Rivera - não era no que acreditava cem por cento, mas era aquilo que precisávamos ouvir naquele momento. Para sabermos como agir no decorrer de toda situação, nos acalmar era mais do que necessário, era uma obrigação.

- Precisamos conversar com ela, não importa como. Ela querendo nos ouvir ou não, precisamos ao menos tentar.

- Faremos isso.

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𝗠𝗶𝗻𝗵𝗮 𝗜𝗿𝗺𝗮̃ 𝗠𝗮𝗶𝘀 𝗩𝗲𝗹𝗵𝗮 - 𝒻𝒾𝓁𝒽𝒶 𝒹𝒶 𝓂𝒾𝓃𝒽𝒶 𝓂𝒶̃𝑒Histórias para pegar e não largar. Descubra agora