『Quem é você?』

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   Ayla Rivera;
   4 de março, quarta-feira.

Já era o quarto dia do mês e nada novo se fazia presente, tudo se mantinha muito igual ao término de fevereiro, onde as tragédia foram estacionados e arrastadas até aqui.

Semanas haviam se passado, e apesar de tanto serem refutados com a apresentação de fatos incontestáveis, ainda não havia sido feita a justiça que os familiares de Deniel tanto esperava. Faltava alguma coisa, algo ainda estava fora do seu lugar. Então valia o esforço para descobrir do que se tratava, mas não sob olhares curiosos, afinal, precisaria de ajuda.

— Onde pensa que está indo? – não sabia dizer de onde ela havia surgido, mas confesso ter ficado com o coração na mão quando levei a mão até a maçaneta da porta e recebi tal abordagem.

— Desgraçada filha da mãe, quer matar põe um no mundo – com a mão depositada sobre meu peito, acabei dizendo sem pensar em muita coisa. O susto havia sido grande, e não aceitaria ela me perguntar se existia alguma dívida pesando os meus ombros, pois não conseguia entender como aquela sensação de que estava sendo observada não ia embora. Já havia passado tempo o suficiente para que tudo pudesse voltar ao seu normal, aquilo não fazia mais tanto sentido. Ao menos era isso o meu achar de momento, mas possuía ciência de que existia certos assuntos que não eram entregues a mim.

— Sendo eu a pôr, ou não no mundo, me causaria prisão do mesmo jeito. Não vou matar ninguém – exibindo um sorriso divertido, disse me puxando pela cintura para um beijo profundo. Senti meu corpo inteiro se arrepiar, mas não era hora para nada disso, e ela entendia a questão tão bem quanto eu – Ainda não me respondeu?

— Não que seja algo da sua conta, mas estou indo em busca de ar puro, de um lugar onde possa me sentar e respirar o leve oxigênio oferecido pela natureza enquanto tento colocar em ordem todo um antigo trabalho armazenado na memória do notebook – foi a minha vez de sorrir diante o semblante empurrado que se apossou do seu rosto. Ela havia se ofendido com alguma parte do meu dizer, mas não possuía muita certeza sobre qual delas. Ou no mínimo, apenas fingia não saber.

— Não é da minha conta, tudo bem – se afastando e me cedendo passagem para que eu pudesse sair, disse simples e sem muita emoção. Respirei fundo diante a cena iniciada, afinal, não queria, tão pouco esperava por aquele resultado.

— Olha, me desculpa, não era a minha atenção te atacar – voltando alguns passos para trás, deixei meu aparelho de maior valor sobre a mesa e ajeitei minha postura em sua frente – Sinto pelo modo como acabei soando, mas não precisa ficar com essa cara de quem acabou de velar um irmão. Até porque, quando é você quem está de saída, eu não pego no seu pé pra nada.

— Realmente não pega, mas não deve se esquecer de que nunca saí sem me dar ao trabalho de te avisar antes. Pois da mesma forma que me preocupo com o seu bem estar, também não quero que se preocupe comigo – me tirando todo e qualquer tipo de argumento, dedicou as palavras enquanto cuidava de alinhar meus fios fora do meu rosto, atrás da minha orelha – Não importa o que diga ou o que faça Ayla, vou sempre me preocupar em saber como você está. Mesmo que exija o meu afastamento, ainda estarei por perto apenas para ter a certeza de que não está precisando de nada.

— Parece a mamãe falando – sendo uma das poucas vezes em que conseguia encontrar esse lado da dra Mellissa em seu ser, não pensei antes de comentar. Foi tudo muito aleatório, quando vi, já tinha saído.

— Dona Alicia também possui o costume de dizer coisas parecidas, mas não é nada que precise ser relatado com muita frequência, não é mesmo? – novamente deixando aparecer o mostrar de dentes que tanto a associavam a mamãe, lembrou a delegada sem deixar de olhar intensamente em meus olhos – Tem muito dela em você, só precisa parar de se fechar tanto.

𝗠𝗶𝗻𝗵𝗮 𝗜𝗿𝗺𝗮̃ 𝗠𝗮𝗶𝘀 𝗩𝗲𝗹𝗵𝗮 - 𝒻𝒾𝓁𝒽𝒶 𝒹𝒶 𝓂𝒾𝓃𝒽𝒶 𝓂𝒶̃𝑒Histórias para pegar e não largar. Descubra agora