『Eu ajudo』

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  - 25 de dezembro, quinta-feira.

Naquela manhã, ignorei o insistente som do meu celular e me virei na cama para aproveitar um pouco mais o tempo sobre ela. Já devia passar das sete da manhã, e minhas mães deveriam estar tomando o seu café, pois mesmo sendo feriado e minha mãe ter tirado os próximos dez dias de folga enquanto mamãe ficaria fora do hospital por um mês e meio, elas insistiam em começar o dia bem cedo. Algo que não estava em meus planos para hoje.

Com o brilho do sol invadindo todo o espaço do quarto, me perguntei se novamente havia me esquecido de fechar as cortinas antes de dormir. Mas o problema com a luz solar se devia pela invasão de mamãe sem ceder qualquer aviso, o que me fez reclamar baixinho ao cobrir o rosto com o travesseiro.

— Não deveria bater na porta antes de ir entrando assim? – a vendo tomar para si a minha proteção contra os raios ultravioleta, questionei ao me sentar para a observar de frente.

Sendo do seu costume, ela estava tão bem produzida quanto se estivesse pronta para seguir a caminho do seu trabalho. Os trajes informais pouco eram usados, mas também não lhe caíam mal. No entanto, fazia tempos que seu jeito profissional não a abandonava. Estava sempre presa ao jeans sem detalhes chamativos, a blusa de cor neutra e o blazer escuro cobrindo os seus ombros. Lembrava um pouco a dona Alícia quando ela optava por algo menos casual, algo que não acontecia com uma frequência tão grande desde que abandonou os tribunais para se juntar a polícia federal.

Elas realmente se completavam, eram o meu maior exemplo para tudo. E entre aquilo que eu mais queria no mundo, desejava sempre não ser a causa dos seus maiores desgostos. Não saberia como agir diante os olhares de decepção. Na verdade, ainda não sei, pois está claro que não posso manter tudo escondido para todo o sempre. Assim como também não faço ideia de como prosseguir com tudo o que tenho sentido, uma vez que me afastar não tem surtido o efeito que era esperado.

— Como não desceu para o café, quero que me ajude na cozinha – respirando fundo para o seu pedido, não estranhei que fosse do seu interesse demonstrar os seus dotes culinários logo hoje.

Era comum que em datas tão importantes Joana fosse dispensada, um costume que vinha desde o meu avô, segundo seu irmão, o tio Marcelo.

Minhas mães não se cansavam de repetir o quanto apreciavam o esforço dedicado pela mulher para cuidar de Ayla em sua época menos problemática. Em ambas ausências, a mais velha era quem deixava a casa em ordem. De forma genérica, ela acabava sendo como mais um membro da família. Mas era evidente que precisava se juntar ao seus familiares de sangue, que precisava de descanso, de férias por algum tempo.

— Mamãe, já pensou em oferecer a Joana a aposentadoria dela? – enfim me pondo de pé para dar um jeito em meu rosto antes de a acompanhar até o andar de baixo, quis tirar a dúvida – Imagino que os anos de serviços prestados junto a idade já avançada lhe cedam direito ao benefício, não é?

— Não apenas pensei, como também a chamei para ter essa conversa meu amor. Mas ela insistiu que estava bem, que não pretendia se afastar da nossa família tão cedo – sorriu ao expor o resultado da sua tentativa em fazer o bem para aquela que tanto lhe ajudou – Mas não precisamos ser gênios para enxergar que o real motivo para ela não querer se afastar, é a sua irmã. Afinal, ninguém passou tanto tempo cuidando dela como a Joana. Nem mesmo sua mãe e eu.

— Já percebi o quanto elas se dão bem – ouvindo o seu desabafo, deixei as palavras vazarem enquanto me ausentava por alguns minutos para cuidar da minha higiene pessoal.

Analisando cada ponto observado até aqui e os dizeres de mamãe, se torna compreensível os sentimentos e a decisão tomada por aquela que está conosco desde o dia em que completei os meus dois anos, segundo as revelações daquela que me deu a vida.

𝗠𝗶𝗻𝗵𝗮 𝗜𝗿𝗺𝗮̃ 𝗠𝗮𝗶𝘀 𝗩𝗲𝗹𝗵𝗮 - 𝒻𝒾𝓁𝒽𝒶 𝒹𝒶 𝓂𝒾𝓃𝒽𝒶 𝓂𝒶̃𝑒Histórias para pegar e não largar. Descubra agora