『O seu olhar me chamou』

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  » Nicole Davis;
  - 28 de dezembro, domingo.

— Mãe, a sra viu a Ayla? – não tendo mais ninguém para questionar sobre o paradeiro daquele pequeno ser, dona Alícia foi quem me restou. Ela estava focada em algo frente a tela do seu computador, mas não pensou duas vezes antes de o abandonar e me dedicar toda a sua atenção.

— Saiu com os amigos, meu amor – disse simples – Deve fazer meia hora que os irmãos Valentin vieram buscá-la.

— Estaria mentindo se dissesse que estou surpresa quanto a isso – lhe tirando um sorriso em negação, percebi que acabei falando mais alto do que deveria, mas tudo bem – Obrigada mãe. Eu também estou de saída, a sra pode avisar a mamãe que volto antes do jantar?

— Posso sim, se cuida – fazendo o pedido de sempre, curvou os lábios em um leve sorriso de canto. Com isso, apenas assenti antes de lhe ceder as costas e tomar direção a saída. Iria espairecer a mente, respirar um ar puro. Ao menos era essa a intenção quando passei por aquela porta, mas não esperava que o tio Marcelo fosse estar a minha espera.

— Após a agradável refeição que tivemos, não pensei que você fosse demorar tanto para deixar essa casa – fazendo parecer que me queria longe, ele disse ao se encostar na lataria do carro em sua presença.

— Eu quem não pensei que fosse o encontrar aqui a essa hora, tio – parando a sua frente, observei cada detalhe do automóvel que ocupava o espaço logo atrás dele – Combina com o senhor, mas não considerei a ideia de que fosse obter mais essa aquisição para a sua coleção.

— Não é meu – tão simples quanto dizer obrigada, ele disse ao se afastar para me permitir uma observação ainda mais detalhada – Como volto para Europa na terça-feira, achei que seria bom se já deixasse o presente da sua irmã com ela – o modo como ele fez o comentário, parecia que estava dando a ela um caramelo, não um carro zero km.

— Tenho certeza de que ela vai adorar tio, mas o senhor já falou com a minha mãe e com a mamãe? – esse era um ponto muito importante, pois apesar de finalmente a pirralha estar saindo em definitivo da fase adolescente, nenhuma das duas mais velhas pareciam ser capazes de enxergar isso. Aos olhos das nossas mães, ela seria sempre a criança da nossa família.

— Minha sobrinha não parecia estar muito de acordo quando apresentei a ideia, mas também não se opôs a minha decisão. Enquanto Alícia insistia em dizer que uma motocicleta seria o ideal – sorrindo feito o tio babão que ele era, disse em diversão – Por um momento, achei que Alícia iria passar as próximas noites no sofá.

— Essas duas são uma piada quando nós somos o assunto, mas o que te impediu de seguir o conselho da minha mãe?

— Duas rodas nunca foi a paixão da sua irmã, e todos sabem disso. Ela é o clone da Alícia, mas possuí quase todos os desejos da Lissa – abrindo espaço para que um rapaz pudesse estacionar frente ao carro, ele comentou o óbvio – Mas para você srta encrenca, as duas rodas são apenas o começo de uma longa aventura – não disse nada, apenas abriguei em meu peito o quanto aquilo significava pra mim. Enquanto ele recebia em suas mãos as chaves daquela máquina – Obrigada pelo serviço impecável, tenha uma boa tarde.

— O que isso significa? – observando o rapaz se retirar após as palavras dele, me vi obrigada a fazer a questão.

— Você me pediu para trazer a sua moto, mas achei mais conveniente se comprasse uma nova por aqui. Assim a outra permanece aguardando o seu retorno em ocasiões de férias ou longas visitas – não podia ser sério, ele precisava estar brincando. Mamãe iria matá-lo – Não vai testar a proporção?

— É um motor de 600cc tio, não tem nada para testar – sendo o óbvio, o vi negar ao me estender a chave junto aos documentos que se encontravam todos em ordem. Ele havia feito tudo mesmo.

𝗠𝗶𝗻𝗵𝗮 𝗜𝗿𝗺𝗮̃ 𝗠𝗮𝗶𝘀 𝗩𝗲𝗹𝗵𝗮 - 𝒻𝒾𝓁𝒽𝒶 𝒹𝒶 𝓂𝒾𝓃𝒽𝒶 𝓂𝒶̃𝑒Histórias para pegar e não largar. Descubra agora