Oito anos atrás
A casa estava imersa em um silêncio sombrio e carregado. As paredes pareciam testemunhas mudas da dor dilacerante que envolvia cada centímetro daquele lar antes repleto de amor e risos. Eleonor, no auge dos seus onze anos, encontrava-se agora em um estado frágil, não apenas fisicamente, mas emocionalmente destroçada. As lembranças daquele fatídico dia ecoavam em sua mente, fragmentos terríveis de um passado recente que a assombrariam para sempre.
Foi como se um pesadelo abrupto tivesse tomado o lugar da realidade. Eleonor estava consciente de que algo terrível havia acontecido, mas a amnésia parcial deixou seu entendimento fragmentado. Quando acordou do coma de dois meses, tudo permanecia turvo, obscuro, exceto pela sensação aguda de vazio em seu coração.
O choque ao ser informada da morte do pai foi um golpe tão violento que o mundo ao seu redor se transformou em um borrão de dor. A notícia desencadeou uma avalanche de emoções confusas, uma tormenta de tristeza, raiva e desamparo. Seu pai era seu porto seguro, seu confidente, a âncora que a mantinha ancorada à felicidade. Perdê-lo significava estar à deriva em um oceano de incertezas.
Na escuridão de sua mente atordoada, Eleonor revivia constantemente os momentos felizes com o pai, momentos de risos, de aconchego, de segurança. As lágrimas escorriam livremente pelo seu rosto à medida que se agarrava desesperadamente às memórias fugazes.
Sua coluna lesionada e a parada cardíaca que sofrera no acidente complicaram ainda mais seu estado emocional e físico. O trauma do acidente, a perda do pai e os ferimentos graves deixaram cicatrizes profundas, físicas e emocionais, que doíam incessantemente.
A mãe, Christiane, tentava ser um suporte, mas seu próprio luto era avassalador. Ela observava impotente sua filha, sua pequena Eleonor, afundar em um mar de sofrimento e melancolia. Cada olhar para a filha era uma flecha no coração, vendo-a silenciosamente afundar na escuridão que a cercava.
Rika, a irmã mais velha, também estava profundamente abalada, sentindo-se impotente diante do sofrimento da irmã. Ela queria ajudar, mas o próprio desespero e confusão tornavam suas ações limitadas.
Os dias se transformaram em um borrão nebuloso de dor, onde cada respiração era uma batalha. A casa, antes repleta de risos e alegria, agora era um cenário de desolação, onde o silêncio era ensurdecedor e a dor, palpável.
As noites eram as piores para Eleonor. Nos sonhos, via-se presa em um eterno pesadelo, onde seu pai estava lá, mas sempre se distanciava, uma imagem fugaz que ela não conseguia alcançar. Seus gritos noturnos e sonambulismo pela casa eram ecoados pela tristeza de sua mãe, impotente diante da dor da filha.
A dor era palpável, como se o ar estivesse impregnado com o peso de sua perda. A família Fane estava dilacerada, cada um em seu próprio abismo de dor e luto, tentando encontrar uma forma de seguir adiante sem o pilar central que os mantinha unidos.
Era uma dor que não podia ser descrita em palavras, um vazio que não podia ser preenchido. Uma dor que se tornou parte de cada batida do coração, uma cicatriz que nunca se fecharia completamente.
Os meses seguintes à tragédia se desdobraram em um caos crescente na vida da família Fane. O luto tornou-se um constante companheiro, uma sombra opressiva que pairava sobre a casa e envolvia cada membro da família em sua escuridão.
No início, os episódios de sonambulismo de Eleonor eram mais controlados, confinados aos limites do quarto e da casa. Ela vagava silenciosamente pelos corredores, em um transe sombrio que parecia uma extensão de seu próprio pesar. No entanto, com o tempo, as peregrinações noturnas de Eleonor assumiram um caráter mais preocupante.
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Corrupt: It was never me
Fanfiction⚠️ Aviso ⚠️ * É um dark romance * Contém linguagem imprópria. * Gatilhos como, drogas, agressão, estupro, etc. * É para maior de dezoito anos. (o Preto) * É apológico a religião. * A cidade é fictícia, tudo é fictício. * Devil's night.(Mas não tem n...
