capítulo 16

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Allie

    Estava patinando no gelo, os movimentos fluidos e graciosos da coreografia de "Turn of Frozen" ecoavam na pista. Cada passo era uma história, uma expressão de dor, saudade e um toque de esperança. Os reflexos brilhantes no gelo me lembravam o reflexo da vida, sempre mutável e imprevisível.

    De repente, a atmosfera muda. Algo está errado. A inquietação começa a percorrer meu corpo, como uma corrente elétrica, e meu coração acelera. O suor frio escorre pela minha testa enquanto continuo a deslizar pela pista, tentando ignorar o pressentimento sombrio que se insinua.

   Um homem aparece, um dos cães dos Nikov para mim, mas não para Nesta. O olhar dela me diz tudo, e eu entendo sem palavras. Há algo de errado, algo que não está certo.

     Ela me chama, sua expressão séria e tensa. As palavras dela soam abafadas, distantes, mas eu compreendo o suficiente: tenho que partir. Agora.

— O que está acontecendo? — Pergunto em inglês.

— O puto do presidente. — Nestha disse brava. — Quer estourar uma guerra. Os Nikov estão migrando.

   Não, eu não entendi, calma, por que agora? Tipo tinha que ser agora eu poderia só... Não.

   O medo se insinua, a adrenalina corre pelas minhas veias enquanto meu coração bate com mais força. Pânico e confusão se misturam dentro de mim. É como se o chão estivesse desaparecendo sob meus patins, e estou lutando para encontrar equilíbrio.

   Os pensamentos vagueiam caoticamente. O pai, sempre presente em minhas memórias, aquele vazio que nunca se preenche. Ele é a razão pela qual estou aqui, mas também uma fonte de perturbação e desejo pelo meu sucesso. O Stalker, uma ameaça latente que me assombra constantemente, sempre presente, sempre perigoso. Ainda não superei o último episódio.

    Sinto o coração apertar, a necessidade urgente de seguir em frente, mas também a relutância em deixar para trás o que conheço. O que é certo, o que é seguro. O gelo sob meus patins se torna uma metáfora perfeita para minha vida: instável, bela, mas perigosa. Pronta para rachar e me deixar afundar na água gelada.

Parece que vamos voltar para América Eleonor.

   Uma vozinha diz na minha cabeça mas não quero acreditar. Não pode. Eu não quero voltar. Gosto da Rússia, gosto de que gostem de mim.

— Faça as malas. A associação Americana aceitou nossa entrada para treinamento lá. — Nestha diz, mas ainda estou no gelo, ainda estou no meu lugar.

— America? Nestha... não. — Digo e ela agarra meus braços e me encara nos olhos.

— Sim Eleonor. América, vamos migrar. Então vai para casa e faça as malas, vamos no primeiro avião com o Sergey. Então estava pronta. Pegue tudo e faça as malas como se estivesse fugindo. Leve só o importante.

    Depois disso tudo foi um borrão, minha cabeça não funcionou, estava deixando minha vida na Rússia de novo.  Quando notei já estava no avião, com os olhos na Rússia de cima. Com um velho na minha frente com um copo de vodka na mão.

Por que está tão triste Elinor? — ele perguntou em russo

— Não gosto da América Vovô. — Respondo sem olhar para ele. — Tudo lá me machuca.

Corrupt: It was never meOnde histórias criam vida. Descubra agora