"Proteja seu Coração"
Virgínia Caccini nem sempre foi a mulher culta que podia correr em seus scarpins em meio a um tiroteio.
Virgínia - antes - Laurent, não foi criada para ser uma esposa troféu. Durante toda a sua vida, ela treinou para se torna...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
VIRGÍNIA
Desci para encontrar Acsia em seu escritório, deixando Ângelo para trás, podia parecer que eu estava rugindo dele e da vergonha que estava sentindo naquele momento, mas não era isso.
Mas, tudo foi deixado de lado quando Acsia e eu começamos, em meio a planejamentos e conversas paralelas, nem vimos o tempo passar até que Jean chegou perguntando se não iríamos jantar.
— E Ângelo? - perguntei de forma inconsciente quando notei que seu lugar a mesa estava vazio.
— Ele foi em uma missão - Acsia respondeu ocupada fatiando o filé de peixe em seu prato — Ele está muito irritado e fora de controle, achei melhor que ele ficasse fora até sábado, dessa forma, você vai conseguir focar mais no que temos que fazer. Está quase tudo decidido.
Levei um momento para processar tudo o que ela falou e simplesmente assenti, concordando com tudo, mas, não pude deixar de me perguntar se Acsia sabia sobre ele dormir em meu quarto, ou sobre nosso... sobre a nossa interação no ringue antes. Ela parecia ser o tipo de pessoa que sabia de tudo sobre todos o tempo todo e isso me assustava um pouco.
Quando eu contei que ele disse que ia escolher meu vestido, Acsia apenas me encarou por alguns instantes, parecendo ler minha alma.
— Ele não vai se machucar, não se preocupe - ela falou em resposta ao meu silêncio.
— Não estou preocupada - eu respondi rápida e ela gargalhou.
— Ótimo - Acsia disse — Ângelo gosta de um pouco de adrenalina ás vezes, embora o trabalho de um Consigliere não seis focado nessa parte. Às vezes é bom para espairecer.
— Imagino - eu limpei minha garganta — Você vai em missões?
— Meu marido nunca permitiu - ela pareceu ficar amarga ao dizer essas palavras e eu me arrependi de perguntar — Eu fui criada apenas para ser uma boa esposa e mãe, mesmo que tenha acabado no lugar dele quando ele morreu, foi apenas por Ângelo ser jovem demais e não ter ninguém adequado, mas não fui treinada como você foi e nunca matei alguém com as próprias mãos. Eu tive que me provar muitas vezes para continuar mantendo o que é do meu filho por direito.
— Eu imagino o quanto deve ter sido difícil. - eu disse, sem saber o que ela queria ouvir.
— Foi, e continua sendo, mas eu aprendi muito, e vou te ensinar tudo que eu sei, você vai ser a anfitriã dos melhores eventos da alta sociedade, e, a verdadeira voz por trás do seu marido. - ela fez uma pausa e estalou a língua — A não ser que ele acabe morrendo como o imprestável do pai, então, você vai cuidar de tudo.
Soltei uma risada nervosa, sem saber o que responder.... Às vezes, na maioria das vezes, Acsia me confundia, e nas outras vezes, ela me deixava levemente assustada.
— Não se preocupe, estou brincando - ela disse parecendo notar que eu estava... surpresa com sua fala. — Aliás, eu acho que sua ideia de todos estarem de branco menos você, é genial.
— Acha mesmo? - eu sorri envergonhada. Foi uma ideia boba que eu imaginei quando estávamos pensando em um dress code adequado para a festa. — Acha que tudo bem por Ângelo? Eu ser a única pessoa em destaque. É o noivado dele também, no fim das contas... -
Acsia deu de ombros.
— Ângelo vai odiar a festa de qualquer forma, por ele, vocês dois teriam se casado no momento em que chegamos aqui. E sinceramente, eu também preferia que fosse assim. - ela soltou um suspiro exagerado — Então, podemos enviar os convites amanhã cedo!
— Não é falta de educação mandar um convite tão em cima da hora? - perguntei, lembrando que minha mãe odiava quando era convidada para um evento sem meses de antecedência.
— Levando em consideração as circunstâncias, as pessoas vão beijar nossos pés por terem sidos convidadas - ela respondeu e eu assenti, para Acsia parecia ser tudo tão simples de se resolver, ela sempre tinha uma resposta e uma solução pra tudo.
Terminamos de comer em silêncio e mais uma vez, eu me deixei levar por Acsia e bebi com ela quase uma garrafa de vinho inteira antes de subir para meu quarto e apagar sem nem mesmo conseguir tirar a roupa que eu estava, eu tinha apenas a lembrança de Jean me arrastando até a cama e reclamando sobre como eu era mais pesada do que parecia, eu lembro também de ter tido a ele que eram meus músculos.
O dia seguinte foi mais corrido do que eu podia imaginar, mas, segundo Acsia, logo eu pegaria o jeito com toda a coisa de organizar e decorar, que, para a minha sorte, não era tão chato... eu estava gostando, mais do que podia imaginar.
E, em certos momentos, eu me perguntava o que minha mãe pensaria ou diria se soubesse disso... A garota que só usava o mesmo vestido preto em todas as ocasiões possíveis, estava organizando a própria festa de noivado e, pior ainda, estava gostando muito disso.
Durante todo o dia, chegaram confirmações de presença, dos convites que foram enviados de manhã e isso me surpreendeu. Todos os convidados confirmaram antes do dia acabar, o que, só deixou ainda mais claro que Acsia sabia o que estava fazendo.
— Parece que terminamos tudo - ela disse abrindo os braços para os lados, se espreguiçando.
— Só preciso escolher o terno que Ângelo vai usar - eu disse limpando a garganta.
— Você vai mesmo escolher? - Acsia piscou surpresa e eu assenti, desviando o olhar.
— Eu disse que sim... - resmunguei. — Só não sei como faço isso.
— Podemos ir ao centro escolher algo, já que não vai dar tempo pedir um sob medida. - ela deu ombros.
— Todos os ternos dele são sob medida? - perguntei curiosa.
— Desde que ele era um bebê, todas as roupas de Ângelo foram feitas sob medida - ela respondeu dando de ombros novamente — Eu era bastante desocupada na época e achava divertido fazer isso, mas, ele se acostumou e não veste nada que tenha sido feito exclusivamente para ele - explicou.
— Então, acho que não posso escolher nada para ele... - eu disse sem graça, mas, não era culpa minha, certo? Eu jamais ia imaginar que ele fosse assim... Era de se esperar, na verdade, afinal, ele era bastante vaidoso, mas nem se passou pela a minha cabeça.
— Querida, Ângelo vai usar qualquer coisa que você escolher pra ele - Acsia falou, chamando minha atenção — Ele vai usar um saco de batatas se você quiser.
Fiquei calada, embora, eu não quisesse acreditar totalmente nisso, algo em mim gritava que era possível.
— Então - eu fiquei de pé, colocando minha agenda, agora com muitas folhas rabiscadas, sobre a mesa do escritório de Acsia — Vamos? Espero que ainda tenham lojas abertas.
Já era tarde da noite quando voltamos para casa. Eu carregava algumas sacolas com coisas que Acsia e eu compramos, além do terno que eu passei quase três horas escolhendo. Antes de ir para meu quarto, eu fui até o de Ângelo, deixando a sacola sobre sua cama e, sentindo uma sensação estranha ao não vê-lo ali...
Era estranho não vê-lo o dia todo, e ainda mais estranho, que, eu já tivesse me acostumado com sua presença constante, me rodeando.
— Eu devo estar ficando louca - sussurrei fazendo uma careta ignorando tudo isso e indo para o meu quarto.