CAPÍTULO 47

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Fim de expediente. Marcinho não desceu comigo, não sei se dou risada ou choro. Sei que ele estará lá fora, mas não sei se estou pronta pra conversarmos. Melhor sair do que correr o risco de que ele entre, seria constrangedor se ele fizesse uma cena dessas aqui.
Ele está lá, no mesmo lugar de sempre. Aproximo-me e o cumprimento:
-Oi!
-Oi! - ele diz, olhando para minha mão.
-Vamos comer algo enquanto conversamos? - ele pergunta.
-Ainda preciso estudar e não estou com fome, comi um lanche do Mc.
-Um sorvete, então?
-Tudo bem.
Sentamos na sorveteria, ele vai até o balcão e volta com uma taça de sorvete. Chocolate com morangos, minha combinação predileta.
Ele se senta ao meu lado, ao invés de sentar-se à minha frente, como sempre. - Desculpe-me! - ele diz Olho para baixo.
-Não sei o que deu em mim, não queria gritar com você, não acho que você seja Maria gasolina. Só fiquei com ciúmes.
-Eu entendo o seu ciúme. O que não entendo é que você não me conheça, mesmo depois de tanto tempo! - digo.
-Já pedi desculpas e sei que você não é assim, mas é que na hora da raiva a gente fica cego.
-Esse é o seu problema, você sempre fica cego. Sempre imagina que estou te traindo, te ferindo. Eu jamais faria isso. Se me conhecesse bem, saberia disso... - digo, quase chorando.
-Eu sei. Tenho certeza de que você não faria. Mas não tenho certeza do que ele faria. Um homem apaixonado é capaz de qualquer coisa, Deusa.
-Quando um não quer, dois não brigam, lembra?
-Prometo que vou tentar contar a até dez da próxima vez.
-Não terá próxima vez.
-Deusa, não vou deixar você terminar comigo, não por causa disso; não por causa dele. Você terá de fazer mais que isso pra me manter longe.
-Não vou terminar com você, não dessa vez. Essa será sua última chance. --Estou deixando bem claro, não haverá outra. Então, se houver uma próxima, nós não teremos outra conversa como esta. Acho que você tem que decidir se confia em mim ou não.
-Não vou decepcionar você.
Então ele me abraça, pega uma colher de sorvete e coloca na minha boca e depois me beija apaixonadamente, como se esse beijo fosse sua redenção.
-Deusa?
-O que?
-Onde está a sua aliança?
-Deixei na outra bolsa em casa. Ia mandar para você.
-Hum! Quer usar a minha?
-Acho que não vai servir, vou perdê-la. Não se preocupe, quando chegar em casa, a recoloco.
-Preferia que você não a tivesse tirado. - ele diz.
-Estava com muita raiva.
-Eu sei. Vamos estudar, não quero você com mais matérias de DP. Meus sábados com você são preciosos e não quero que você tenha motivos para ficar ainda mais perto dele.
-De quem? Do Gabriel? Não se preocupe ele não costuma ficar de DP, ele é muito CDF para isso.
-Então, como ele ficou de DP?
-Digamos que sua aliança o perturbou. Ele entregou a prova em branco.
-Viu só? O que foi que eu disse? Ele quer você! Mas ele não vai conseguir tirar você de mim.
-O que ele quer não importa. "Quem não presta assistência, abre mão à concorrência." Ele teve a chance dele e duas vezes. Não costumo dar uma terceira chance.
-Preferia que você usasse a minha aliança, pelo menos até estar com a sua.
-Não precisa. E, se eu perder a sua, quem garante que as meninas vão saber que você também tem dona?
-Uma cena de ciúmes, minha Deusa? Gostei disso.
-Não abuse! - digo rindo - Vamos estudar ou você terá que se inscrever na faculdade para ficar comigo no sábado. - sorrio.
-Vamos estudar. - ele sorri - Tenho coisas muito melhores para fazer com você aos sábados.
Ficamos ali, abraçados. Ele me dá uma colherada de sorvete e depois me beija, até que termine.
-Por que não pegou um pra você? - digo.
-Porque sorvete com gosto de Deusa é o meu sabor preferido.
-Isso foi quente! - digo.
-Gostei desse olhar! - ele diz - Agora estou com vontade de comer e não é sorvete! - ele sorri.
-Será que você vai gostar? - digo com uma cara ainda mais tentadora.
-Tenho certeza! - ele morde a minha orelha.
Meus pelos ficam arrepiados. Ele me olha, rindo.
-Está com frio, minha Deusa? - ele me olha com um olhar que me aquece.
-Frio? Não, nada de frio.
-Hummmm!!!! Cócegas? - ele diz, rindo.
-Já passei dessa fase! - digo, com um sorrisinho.
-Estou gostando dessa conversa - ele diz - acho que sua virtude está correndo um grande risco.
-Você acha? - eu digo.
-Você não?
-Vou pensar nisso. - eu digo.
-Hum! Gosto de pensar nisso também... - ele diz - Aliás, sonho muito com isso!
-Sabe do que lembrei-me agora? - pergunto a ele.
-Do quê?
-Quando você me pediu em namoro pela primeira vez.
-Por quê? - ele diz.
-Você não lembra?
-Lembro, mas exatamente ao que você se refere?
-Você disse que sonhava muito comigo e que não queria mais sonhar. Fiquei super magoada, achando que você não gostava de sonhar comigo. Mas aí você disse...
-Eu sei o que eu disse. Disse que queria a realidade!
-Isso!
-Minha Deusa?
-O que?
-Quero parar de sonhar... - ele diz, com um sorriso.
-Eu também!
-Ele dá um sorriso, como se tivesse descoberto um tesouro escondido.
-Acho que posso resolver isso! - ele diz.
-Vou pensar com carinho.
-Vou aguardar ansioso. - ele sorri e me beija.
-Ele me deixa na porta da faculdade e vai embora.
Prova, aí vou eu!

A Deusa do Mago - Uma história de AmorHistórias para pegar e não largar. Descubra agora