Sixty-one

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Juliana
Rio de Janeiro (27/09)

— Promete que não vai surtar antes desse casamento? — a Larissa fala rindo.

— Não prometo! Quatro meses pra realizar um casório, onde que eu e o Gabriel estávamos com a cabeça?

Juro que não imaginava a trabalheira que era casar. Mesmo com uma equipe para ajudar. Que Deus me ajude.

— Quando eu ficar noiva, me lembre de que o tempo normal pra organizar um casamento é um ano.

— Senti uma leve alfinetada.

— Eu trouxe serenata, histórias pra nossas netas e um bom vinho barato — canto a música do Sant. Meu telefone começa a tocar e atendo pelo volante — Oi.

— Oi, pretinha. Tá onde?

— Oi, preto. Acordou agora, né? Tô indo ver se acho o meu vestido hoje.

— Onde? Deixa eu colar.

— Não, né? — olho para a Larissa que nega com a cabeça.

— Pô preta, o casamento nem vai ser desses tradicionais.

— Larga o osso, Gabigol — minha amiga entra na conversa.

— Caraca, não tinha uma irmã postiça melhor pra arrumar não? Muito chata essa daí.

— Vai dormir, Gabriel.

— Não adianta pretinho, só vai me ver de vestido no nosso casamento, tá bom? Beijo, amo você.

— Não vou desistir. Beijo, amo você — desliga a ligação.

Estaciono na porta da casa dos meus pais e buzino vendo minha mãe abrir a porta.

— Bom dia, dona Cora — Falo com ela assim que fecha o portão da garagem.

— Bom dia, tia Cora.

— Bom dia, filha. Bom dia, Larissa — afivela o cinto — Tô me sentindo velha. Minha filhinha vai casar.

— Tá ficando velha mesmo mãe — ela me dá um tapa de leve e eu solto uma risada — Na vida é preciso aprender, se colheu tem que plantar — canto batucando o volante.

— É Deus que aponta a estrela que tem que brilhar — minha mãe completa.

— Erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé, manda essa tristeza embora. Pode acreditar que um novo dia vai raiar, sua hora vai chegar — nós três cantamos.

Estaciono o carro em frente a loja e respiro fundo. Já pode chorar? Ou tem que vestir algum vestido primeiro?

Escolho alguns vestidos. Nada de renda, nada de cetim, sem manga. Não quero vestidos convencionais.

— Esse ficou bonito, filha — minha mãe fala assim que saio do provador.

— Sinceramente, não achei a sua cara, cunha — a Dhiovanna diz. Ela me fez prometer que eu faria chamada de vídeo, então aqui estamos.

— Não é esse amiga — a Larissa afirma — próximo.

— Vamos de vestir o décimo vestido. Vai ser o último… pelo menos por hoje, porque já tô cansada.

Volto ao provador. Ainda tem três vestidos pendurados, observo cada detalhe deles e escolho um.

Enquanto a moça fecha atrás, o meu coração fica parecendo escola de samba. Se duvidar, ela está conseguindo ouvir. Meu corpo arrepia.

— Se for esse, vai ter que fazer alguns ajustes, coisa básica — coloca algo que parece um pregador para apertar o vestido nas costas — Pode se virar e olhar no espelho

Meu sonho - Gabriel BarbosaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora