Juliana
Rio de Janeiro (27/09)
— Promete que não vai surtar antes desse casamento? — a Larissa fala rindo.
— Não prometo! Quatro meses pra realizar um casório, onde que eu e o Gabriel estávamos com a cabeça?
Juro que não imaginava a trabalheira que era casar. Mesmo com uma equipe para ajudar. Que Deus me ajude.
— Quando eu ficar noiva, me lembre de que o tempo normal pra organizar um casamento é um ano.
— Senti uma leve alfinetada.
— Eu trouxe serenata, histórias pra nossas netas e um bom vinho barato — canto a música do Sant. Meu telefone começa a tocar e atendo pelo volante — Oi.
— Oi, pretinha. Tá onde?
— Oi, preto. Acordou agora, né? Tô indo ver se acho o meu vestido hoje.
— Onde? Deixa eu colar.
— Não, né? — olho para a Larissa que nega com a cabeça.
— Pô preta, o casamento nem vai ser desses tradicionais.
— Larga o osso, Gabigol — minha amiga entra na conversa.
— Caraca, não tinha uma irmã postiça melhor pra arrumar não? Muito chata essa daí.
— Vai dormir, Gabriel.
— Não adianta pretinho, só vai me ver de vestido no nosso casamento, tá bom? Beijo, amo você.
— Não vou desistir. Beijo, amo você — desliga a ligação.
Estaciono na porta da casa dos meus pais e buzino vendo minha mãe abrir a porta.
— Bom dia, dona Cora — Falo com ela assim que fecha o portão da garagem.
— Bom dia, tia Cora.
— Bom dia, filha. Bom dia, Larissa — afivela o cinto — Tô me sentindo velha. Minha filhinha vai casar.
— Tá ficando velha mesmo mãe — ela me dá um tapa de leve e eu solto uma risada — Na vida é preciso aprender, se colheu tem que plantar — canto batucando o volante.
— É Deus que aponta a estrela que tem que brilhar — minha mãe completa.
— Erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé, manda essa tristeza embora. Pode acreditar que um novo dia vai raiar, sua hora vai chegar — nós três cantamos.
Estaciono o carro em frente a loja e respiro fundo. Já pode chorar? Ou tem que vestir algum vestido primeiro?
Escolho alguns vestidos. Nada de renda, nada de cetim, sem manga. Não quero vestidos convencionais.
— Esse ficou bonito, filha — minha mãe fala assim que saio do provador.
— Sinceramente, não achei a sua cara, cunha — a Dhiovanna diz. Ela me fez prometer que eu faria chamada de vídeo, então aqui estamos.
— Não é esse amiga — a Larissa afirma — próximo.
— Vamos de vestir o décimo vestido. Vai ser o último… pelo menos por hoje, porque já tô cansada.
Volto ao provador. Ainda tem três vestidos pendurados, observo cada detalhe deles e escolho um.
Enquanto a moça fecha atrás, o meu coração fica parecendo escola de samba. Se duvidar, ela está conseguindo ouvir. Meu corpo arrepia.
— Se for esse, vai ter que fazer alguns ajustes, coisa básica — coloca algo que parece um pregador para apertar o vestido nas costas — Pode se virar e olhar no espelho
VOCÊ ESTÁ LENDO
Meu sonho - Gabriel Barbosa
RomantikJuliana Vieira é uma quase jornalista já que está no último período. A carioca apaixonada pelo Flamengo, conseguiu um estágio na Rádio Globo Rio, e acaba sendo escalada para cobrir o jogo do seu time de coração o que era seu sonho. O que ninguém ima...
