Capítulo 21

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Assim que Lian atendeu a ligação, meu coração se rompeu em pedaços.

Ouvir uma voz conhecida em meio a tantos dias turbulentos, me trouxe sensação de aconchego. Eu estava mais sensível do que pensava. E não estava nem um pouco afim de tentar entender esses sentimentos.

Ele percebeu meu silêncio momentâneo e falou com sua voz mais doce:

— Ah, Florinha, o que está acontecendo? – Respirei fundo, para acabar com a voz de choro e falei:

— Você já deve estar sabendo da análise crítica que a Kristie fez do meu livro.

Meus melhores amigos e minha família tinham uma relação bem próxima. Tudo o que era importante, que afetava a todos, logo era espalhado. Eu sabia que, no momento em que me enviou, Kristie deve ter encaminhado uma cópia à Li e meus pais.

— Estou sim. Ia te ligar mais tarde, porque estou corrido no trabalho hoje, mas podemos conversar agora. Sem problemas. Só espera um minuto que vou me esconder para ninguém ver que estou usando o celular.

Soltei um riso frouxo ao ouvi-lo dizer isso. Lian não media esforços para fazer o bem ao próximo – um dos motivos pelo qual ele se tornou policial – e isso era o que mais me surpreendia nele. Claro que havia momentos de extremo exagero. Não sei se porque somos irmãos ou porque o instinto profissional dele fala mais alto. Isso me incomoda, de vez em quando. Mas era bom saber que o teria por perto sempre que precisasse.

Ele e eu nunca fomos do tipo "maior amor do mundo". Nossa relação teve seu laço apertado nos últimos anos, depois que ele se mudou para o próprio apartamento. Deve ter notado que a família faz falta.

Nossas brincadeiras sempre terminavam mal para o meu lado. Ou eu caía, ou eu batia em alguma coisa. Ele fazia até um esforço extra pra me ver chorar. Coisa de criança sádica.

Mas havia se tornado um homem incrível. Tanto pela beleza quanto pela bondade. Quando nos tornamos adolescentes, os atritos eram gigantes, mas ele sempre me apoiou no mundo literário. Apesar de não ler boa parte das minhas produções, dizia que eu era a melhor escritora do mundo. Um elogio decente. E exagerado, mas que eu me sentia lisonjeada por ouvir.

Apesar disso, Lian sempre desenvolveu seu papel de irmão mais velho muito bem. Me comprava bebidas quando estávamos com amigos e segurava minha onda quando eu chegava cambaleando em casa. Acho que ele sabia que sobraria para ele caso nossos pais me vissem daquele jeito. Mas a fase da bebida havia ficado há muito tempo para trás.

Depois da fase "adolescentes brigões", nos afastamos um pouco quando cada um foi para um canto. Eu para a faculdade, e ele para o exército. Foram os anos em que estivemos mais afastados, mas foi depois disso que tudo só melhorou.

— Flô, você lembra daquela vez em que uma pessoa te disse que você devia desistir de escrever porque você era péssima? – Ele falou me despertando das lembranças.

— Lembro. – Confirmei enquanto pensava naquela situação: uma colega vizinha havia me dito muitas bobagens, entre elas a de que eu devia largar o meu sonho.

— E você respondeu: "eu não vou desistir, meu irmão me disse que eu sou a melhor escritora do mundo". – Ele deu uma risadinha, e eu podia sentir sua respiração perto de mim. Sorri com a lembrança. Eu estava com doze anos, e loucamente apaixonada. Por um garoto e pela escrita.

— Eu lembro. – Falei novamente com os lábios apertados e meus olhos fechados. Como eu sentia falta desses momentos. Principalmente dos que meu irmão estava presente. Na época em que tudo era mais simples. Tudo era feito por amor.

— E eu acho que você devia recuperar essa coragem. Essa coragem que aquela menina de doze anos teve ao enfrentar alguém que queria vê-la para baixo. Acho que, apesar de tudo que a Kristie falou, você devia permanecer no litoral. Viva cada momento. Se deixe inspirar pelas coisas bacanas que tem aí. – Lian me falou.

— Olha só, meu irmão falando "bacana". Definitivamente está ficando velho. – Eu respondi rindo e quebrando o clima pesado. Ele riu do outro lado da linha também.

— Idiota – Falou e riu mais alto. Ficamos rindo, sem grande motivo, até que nossas risadas cessaram e só sobrou uma pequena respiração.

— Obrigada, Li. – Eu disse aliviada.

— Eu te amo, Flora.

— Eu também te amo, mano. – Falei e desliguei, sentindo falta de um abraço. 

Vamos nos reunir e dar um abraço coletivo na Flora? Vamos? 💝

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Vamos nos reunir e dar um abraço coletivo na Flora? Vamos? 💝

Capítulo mais curtinho e mais familiar hoje, meus amores. Nossa Florinha ainda está um pouco triste pela resposta da Kris. 💔 Mas logo logo teremos mais capítulos com muita agitação, como vocês gostam haha. 👌

Ah, dia 20/05 completamos 6 MESES DE NA SUA ONDA! 🎉 YEY!!!! ✨ Só tenho a agradecer a todo mundo que lê, vota e chama os migosss pra conhecer nossa história linda. Obrigada, obrigada, obrigada. 💙 

Capítulo dedicado para @Will_Liber, @Jakeline_Sillva e @PerollaNegra, por acertarem a brincadeira lá no facebook.  ^_^


Na Sua Onda [COMPLETO] (Irmãos Soaint 1)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora