Minha mente era um turbilhão de mil pensamentos por segundos.
Assim que Alek me deixou mais cedo, para trabalhar, é que caiu a ficha de que eu estava prestes a ir embora. Só quando ele me deu um beijo mais demorado e ansioso do que o normal é que me dei conta de que daqui dois dias estarei de volta à minha cidade.
Confesso que senti o peso do adeus cair sobre meus ombros rapidamente, e, com a força do baque, chorei. Chorei pelas aventuras que vivi, pelos dramas que surgiram, pelas ótimas pessoas que me acolheram, pelo meu objetivo conquistado e pela saudade que já estava sentindo daquilo tudo.
Se alguém me dissesse trinta e nove dias atrás de que eu estaria chorando por uma experiência tão incrível, eu teria rido na cara da pessoa. O litoral havia me trazido muitas coisas boas, entre elas a emoção à flor da pele. Antes eu nem era tão chorosa assim. Foram os desafios que enfrentei que me fizeram ceder algumas vezes e me tornaram uma pessoa mais emotiva, mas ainda mais forte.
Eu havia pisado em espinhos muitas vezes, mas havia ganhado abraços tão reconfortantes que fizeram tudo valer a pena. Como sentiria falta da pessoa que eu era enquanto estava aqui... Como sentiria o vazio de não ter um mar para recorrer ou uma brisa salgada para me confortar.
Sem dúvidas eu estava sendo uma pessoa egoísta ao pensar em abandonar minha vida cômoda e me mudar de mala e cuia para cá, mas não podia negar o quanto gostava dessa nova vida. Talvez eu estivesse até mesmo exagerando ao pensar na possibilidade, porque estava emotiva com os últimos dias, mas era algo a se considerar futuramente. Quem sabe se isso não traria um furacão de mudanças que eu estava precisando?
Oh céus, como a Anna e o Alek me fariam falta... Até mesmo Leo, meu amigo da banca! Todas aquelas pessoas com quem convivi acrescentaram algo belo ao meu coração, e as más me mostraram como sou mais forte do que penso. Seria uma mudança lenta descobrir ainda mais essa força tímida dentro de mim, mas pretendia descobrir.
Depois de muito pensar e cansar do aperto que espremia meu peito, decidi ligar para meu irmão para tentar aliviar a agonia. Assim que ele atendeu, suspirei pesadamente sentindo falta do seu carinho.
— Oi, Flora... – Lian disse — Como você está? Está lidando bem com isso?
— Oi, Li. Você sabe como eu sou... – Digo um pouco baixo demais— Estou tentando lidar da melhor maneira, mas mesmo assim, é difícil.
— Posso imaginar – Meu irmão disse e quase senti seu abraço — Sei que soa egoísta, mas seria mentira minha se dissesse que não quero você de volta – Ele falou e riu nervosamente. Podia imaginar como seus ombros estavam tensos ao dizer isso em um momento delicado.
— Também sinto sua falta – Respondi fechando os olhos, tentando me tranquilizar enquanto jogava minha cabeça para trás no sofá — Só liguei porque precisava te ouvir – Falei e ficamos por silêncio por algum tempo — Como estão nossos pais? Não tenho falado com eles...
— Estão bem, – Lian respondeu e ouvi um burburinho atrás dele. Ele devia estar no trabalho e eu aqui, o atrapalhando — Também estão com saudades.
— Hummm... – Respondi um pouco vazia.
— Olha, Flora, estou no trabalho agora. Peço mil desculpas, mas estão me chamando. Nos falamos mais tarde? Se precisar falar comigo de novo, pode ligar. Assim que eu for para casa, te ligo para ver como você está — Ele disse com a voz de volta ao normal.
— Não precisa, Li. Estou bem melhor agora – Respondo e logo nos despedimos. Noto como até mesmo Lian mudou enquanto eu estou por aqui. Foi um irmão um pouco mais carinhoso e acolhedor do que o normal. Gostei de uma versão não tão dura dele.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Na Sua Onda [COMPLETO] (Irmãos Soaint 1)
أدب نسائي📚 LIVRO 1 DA DUOLOGIA IRMÃOS SOAINT Flora é professora de português e escritora com um grande bloqueio criativo. Agora, três anos depois de lançar seu primeiro livro que se tornou best-seller, ela está passando as férias em sua casa no litoral com...
![Na Sua Onda [COMPLETO] (Irmãos Soaint 1)](https://img.wattpad.com/cover/90693877-64-k842881.jpg)