Capítulo 01

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— Nada ainda, Kristie. – Eu reclamava cedo ao telefone. — Estive pensando em escrever algo sobrenatural ou inventar alguma tragédia bem chamativa, mas parece que meu cérebro não quer ajudar.

— Calma, calma, Flô. – Ela tentava me consolar, como vinha fazendo desde... sempre. — Você vai ver como uma hora aparece. Não adianta ficar correndo contra o tempo. Sai novamente. Se não encontrar uma ideia, pelo menos encontra um gatinho. – Fez uma pausa. — Ou uma gatinha. – Ela suspirou e soltou uma risadinha, crente de que no litoral só havia deuses gregos. Dei uma risada alta ao telefone.

— Ih amiga, o que não faltam são mulheres lindas, você iria adorar. Já de homens – suspirei — está fraco. Até parece que eles estão se escondendo.

— Que pena! Bom, querida, o incentivo até que está legal, mas eu preciso trabalhar. Bem que queria estar com os meus pezinhos na areia, mas o que me resta é grudar a bunda no escritório.

— Ou compra uma caixa de areia e coloca nos pés. A sensação é a mesma. – Rebati, aos risos, e nos despedimos.

Havia chego à casa de praia da família há alguns dias e as malas ainda não haviam sido desfeitas. Quando precisava de alguma peça, eu revirava o fundo e prometia a mim mesma arrumar dez minutos depois. E nunca retornava. A procrastinadora em pessoa, eu sei. Quanto mais pensava no assunto, mais deixava para lá. E isso era em relação à boa parte das coisas. Eu era dedicada, sim, mas o santo era difícil de bater.

Mas não estava aqui para brincadeira. Dentro de pouco menos de dois meses, tinha que estar de volta às salas de aulas e, por isso, o tempo escorria pelos meus dedos. Levantei preguiçosa do sofá e troquei o pijama por um short jeans e uma regata básica. Amava esse clima meio inferno, meio verão. Apesar de ter recordação de quase todas as férias nessa casa, eu e minha família conhecíamos poucas pessoas por perto. Os mais "chegados" eram os donos de restaurantes, papelarias e bares ao redor. Não que isso fizesse tanta diferença, claro.

Caminhei até a cozinha e me servi de suco e pães. Depois do café da manhã terminado, verifiquei as mensagens e saí em direção à banca de jornal que ficava no calçadão algumas quadras distantes. Comprei o jornal do dia e algumas revistas, algumas de fofocas, outras sobre temas relacionados ao país. Sentei-me no banco à frente e comecei a anotar aleatoriamente algumas ideias. Após alguns minutos, ouvi burburinhos e vi um grupo de pessoas se aproximando, todos com algum uniforme desconhecido e uma bola de vôlei na mão. Nada mais clichê do que isso, pensei, até parece que estou em um filme Hollywoodiano. Passei mais algumas horas entre anotações, águas de coco e olhadelas no jogo, que parecia empolgante. Quando notei, já passava das duas horas e meu estômago começou a roncar. Fui até o Leo, dono da banca:

— Oi, Leo! Pode me indicar um restaurante para hoje? Estou morrendo de fome, e quero deixar a sugestão por sua conta. – Sorri, me apoiando no balcão.

— Claro, Flora. Tem o Águas Verdes, que fica ao lado do meu concorrente. O cardápio lá é ótimo. — Ele me entregou um cartão. Sempre solícito. — E Edgar e Helen, onde estão? – Fez menção aos meus pais. — Não os vi durante esses dias.

— Eles decidiram ficar em casa, por enquanto. Quiseram me deixar no sossego para pensar bastante. Não aguentam mais eu reclamando aos quatros ventos que preciso publicar um livro novo.

— Ah, falando nisso, preciso que me traga mais exemplares de Berlim, eles acabaram e tem gente pedindo mais. Você é ótima. – Ele piscou, gentil, e eu me despedi, indo atender às súplicas do meu estômago dolorido.

Cheguei em casa no fim da tarde e tirei um cochilo. Acordei com o barulho de uma mensagem no celular, e pisquei os olhos lentamente ainda zonza. Era uma sms do Artur, um cara maravilhoso que eu conheci por aqui há alguns anos. Quando chegava o verão e ele me via, sempre vinha atrás, e eu não conseguia negar aqueles olhos castanhos mel. Como já estava com saudade de um carinho, deixei que ele viesse passar algumas horas na minha casa. Foi só dez minutos depois que me toquei da bagunça que estava no quarto e levantei, desesperada, jogando tudo dentro dos armários.

Artur não demorou muito para chegar, e quando passou pelo portão, já foi me agarrando e me levando para dentro.

— Nossa, Flora, você está mais linda do que nunca. – Ele falava enquanto beijava meu pescoço e eu suspirava, louca de desejo. Ele sim era como uma paixonite de verão, que eu sempre tinha por perto. Meu irmão, Lian, não aprovava nossas "brincadeiras" de jeito nenhum, dizendo que o Artur era gamado em mim desde quando bateu os olhos. Ai se ele soubesse o que estávamos prestes a fazer – de novo – nesse verão!

Passamos o tempo entre beijos, gemidos e suor. Ele era maravilhoso, não havia como negar. Mas enquanto trocávamos novidades, mais tarde, a campainha tocou. Coloquei um roupão e atendi um senhor com um buquê enorme de flores nas mãos. Ele me entregou, garantindo mais de cinco vezes de que o endereço estava correto, sim. Eu entrei atordoada e curiosa, e quando abri a boca para falar, Artur saiu rápido da casa com cara de poucos amigos.

Que bicho tinha mordido ele? E de quem esse buquê seria? 

Que bicho tinha mordido ele? E de quem esse buquê seria? 

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Na Sua Onda [COMPLETO] (Irmãos Soaint 1)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora