Capítulo 23

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Eu suspirava alto enquanto estava deitada com uma toalha úmida na testa. Se houvesse mais alguém na casa, com certeza teria ouvido minhas lamúrias.

Tudo ainda estava rodando em minha cabeça, pois mal havia dormido à noite. Depois do beijo roubado, eu fiquei furiosa com Thomas e comigo. Como havia me metido em tanta enrascada? E por que ainda deixava as coisas como estavam? Eu vivia tentando me comportar da melhor maneira possível, mas sempre deixava Thom à margem de mim. E ontem havia deixado novamente.

Mandei-o embora, depois do silêncio ensurdecedor que ocorreu. Era a segunda vez que o mandava sair porque eu simplesmente não tinha o que dizer, mas ele não me deixava saída. E, além do mais, eu andava muito preocupada. Não havia vindo à praia para sofrer por homem. Muito menos para eles arrancarem minha paz. Se fosse para conhecer alguém bacana, que fosse sem turbulências.

Mas ultimamente eu parecia um imã que só atraía problemas.

Suspirei alto mais uma vez, decidida a não me deixa abater por esse tipo de pensamento. Me levantei e por um instante pensei no que poderia fazer. Estava um sol lindo lá fora, então decidi ir para o mar. Desde que cheguei havia ido poucas vezes relaxar à beira mar, e agora parecia o momento certo.

Entrei no quarto e troquei minhas roupas por um maiô preto. Com um decote profundo e aberto nos lados, tirinhas do tecido davam um detalhe especial a minha cintura. Soltei os cabelos, sentindo um calor súbito. Os dias estavam ficando cada vez mais quentes, e nada melhor do que água salgada para se refrescar. Vesti um short jeans rapidamente e, apertando o play em Seu Jorge, sai em direção ao lindo oceano que rodeava meu lar temporário.

  🌊  

Enquanto a água gelada invadia meus pés, eu sorri ao ver a imensidão azul diante dos meus olhos. Sempre acreditei na força que a natureza tem para nos deixar em paz ou felizes, e era o que eu mais precisava no momento. Por um momento senti falta de uma companhia, uma vez que todos ao meu redor estavam acompanhados, mas enquanto caminhava mar a dentro, a sensação ia diminuindo.

Com a água perto da cintura, dei um mergulho fundo. A água refrescava todo o meu corpo, e eu batia os pés me deixando levar. Um pequeno sorriso se formou em meus lábios quando eu abri os olhos e avistei um pequeno peixe. O mar límpido era uma prova de que as pessoas ainda se esforçavam para manter uma parcela do planeta tomar seu rumo natural.

Quando criança, eu não observava pequenos detalhes que permitiam que eu me conectasse com a Mãe Maior, mas passado anos, e com a beleza única do litoral, essa conexão foi aumentando, até que eu comecei um trabalho voluntário em uma companhia de reciclagem em minha cidade. Como meu tempo havia estreitado, o voluntariado não era semanal, mas eu fazia o que podia para que ele fosse pelo menos quinzenal.

Eu fazia minha parte, e esperava, ao ver aquele pequeno peixe, que as pessoas continuassem a fazer a delas.

Depois da imersão na água, me levantei e penteei o cabelo para trás com as mãos. Fiquei em pé no meio do mar, percebendo o quão longe já estava. Por sorte não estava com meu um metro e setenta quase afundados. Dei um pequeno salto e nadei de volta a areia.

Enquanto as ondas ricocheteavam em mim, meu corpo ia entrando em um ritmo cada vez mais gostoso. Eu adorava a sensação de estar ciente dos meus movimentos. Estar em conexão com o corpo era outro de um dos meus objetivos. Todo esse lance de conexão era despertado vagamente em mim nas horas desesperadas, mas eram justamente os momentos que eu precisava.

Quando cheguei a areia, aproveitei para molhar mais uma vez meu rosto e me sentei com os pés na água. Enquanto o sol secava as pequenas gotas em mim e eu balançava os pés feito uma criança feliz, avistei uma loira digna de passarela metros longe.

Estreitei os olhos tentando enxergar melhor. Não era possível. Não naquele momento. Balancei a cabeça e me levantei. Molhei as mãos e passei pelo meu bumbum e pernas para tirar a areia, a medida que aquela mulher conhecida se aproximava de mim. Ela fez uma cara de espanto, e eu também. Saí correndo para abraçá-la, e me joguei em seus braços enquanto ria emocionada.

— Kristie! Pelo amor de Deus, o que você está fazendo aqui? – Nos soltamos e notei que havia molhado o vestido dela. Observei cada detalhe de seu rosto, me concentrando em seus olhos verdes ao mesmo tempo em que levantava uma sobrancelha. — Você está diferente. Não sei o que é, mas está diferente – eu disse.

— Retoquei a raiz, amiga – ela respondeu rindo enquanto jogava seu cabelo longo e ondulado por cima dos ombros. Sorri aliviada com ela em minha frente. Não havia percebido até então o quanto estava sentindo sua falta.

— Como você me encontrou, afinal?

— Saí para caminhar na praia, já que quando cheguei na sua casa você não estava lá, nem atendia o celular – ela respondeu e nós começamos a caminhar com a areia molhada grudando em nossos pés.

— E as suas coisas? – Falei, começando a me preocupar.

— Deixei na sala. Sua mãe deu as chaves para mim. – Ela sorriu descaradamente ao mesmo tempo em que o sol brilhava em nós. — Aliás, você é uma péssima anfitriã. – Kris me deu um empurrão de leve me provocando, e eu a abracei de lado, certa da sua intenção ao vir me visitar. 

Agora é oficial, meu povo: KRISTIE CHEGOOOOOOU! =D 

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Agora é oficial, meu povo: KRISTIE CHEGOOOOOOU! =D 

Espero que tenham gostado do capítulo, tanto quanto eu gostei de falar sobre a Flora e o mar. ♥ 

Na Sua Onda [COMPLETO] (Irmãos Soaint 1)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora