Capítulo 56

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"Ela é uma cretina, Jasmine. Quem ela pensa que é para escolher o Alek ao invés de mim? Veja você! Veja o estrago que ele fez com você! Vai fazer o mesmo com ela." A voz de Thomas entrava pelos meus ouvidos pela segunda vez.

Alek havia chegado há pouco tempo em minha casa, e ficou irado ao ver Jasmine lá. Depois de explicar a ele o motivo de ela estar ali, ele ficou mais puto ainda. Bravo como o diabo. Sabia que se estivesse em sua própria casa já teria jogado vários objetos no chão e teria esmurrado a parede.

Suas mãos estavam tão fechadas que os nós de seus dedos estavam brancos. Suas sobrancelhas estavam franzidas e ele respirava rapidamente. Para mim, era estranhamente comum vê-lo com um acesso de raiva, e não imagino o quanto Jasmine passou por isso.

Mas apesar do ódio evidente em seu rosto, assim que Jasmine apertou o play da gravação, Alek se calou. Seu rosto se contorcia com mais raiva a cada palavra pronunciada, e eu estava me sentindo enojada ao ouvir aquilo tudo outra vez.

"Eu não duvido se ele já não a tenha traído. Eu espero de verdade que sim. O Alek vem com aquele papo de que mudou, mas não vi mudança. Espero que a Flora se afunde junto com ele na merda, senão, eu mesmo vou fazê-la ficar tão desesperada que ela vai implorar por misericórdia." Sua voz era reconhecível, mas não parecia a mesma da qual havia ouvido várias vezes.

Um arrepio subia em minha espinha quando ele falava sobre o Alê. Ele não só havia tramado para mim, como quebrou toda a confiança que um dia Alek havia depositado naquela amizade. Falsa, no entanto.

Jasmine permanecia imóvel enquanto o áudio avançava. Ela devia ter ouvido tantas e tantas vezes, que as palavras não deveriam mais corroer seus sentimentos. Somente uma incredualidade passeava volta e meia pelo seu rosto.

Assim que as ameaças de Thomas acabaram, Alek fitou nós duas e saiu porta a fora. Não demorou mais que um segundo para que eu e Jasmine corrêssemos e tentássemos segurá-lo. Havia uma afirmação invisível de que ele mataria Thomas se saísse a seu encontro agora.

— Que merda, saiam da minha frente! Eu preciso acabar com esse filho da puta. – Alek esbravejou próximo ao portão enquanto eu parava em sua frente. Jasmine puxou seu braço e ele a soltou rapidamente.

— Pelo amor de Deus, Alek, não vai lá agora! – Praticamente implorei — Eu quero matar esse infeliz também, mas não adianta ir lá agora! Vamos respirar pelo menos por um minuto, por favor!

Não sabia de onde aquela misericórdia havia surgido. Talvez pelo medo de que Alek matasse alguém de tanto batê-lo, ou talvez por ele poder se meter em encrenca por conta disso. Eu não precisava de mais confusão nessa história.

— Caralho, Flora, como você não vê? – Ela falava alto — O cara apavorou sua mente e você ainda tem pena dele. Eu vou acabar com a raça do Thomas! Ele nunca mais vai ver o sol nascer! – Ele disse me puxando pro lado e abrindo o portão.

Jasmine permanecia em silêncio, o que me preocupava. Ainda assim, corremos até ele no carro e nos enfiamos dentro.

— Eu vou junto. – Falei colocando o cinto e encarando um Alek furioso. Mais furioso do que eu sequer cheguei a imaginar um dia.

— Não vai porra nenhuma. – Ele falou destravando o meu cinto. Foi o suficiente para que eu ficasse ainda mais furiosa e desse um show na frente da sua ex namorada.

— Com quem você pensa que está lidando? Com uma criança? – Falei jogando as mãos para o alto. — Foi pra mim que ele fez todas essas merdas, foi a mim que ele enviou bichos nojentos e mortos! – Gritei e senti meu rosto ficar quente. — Você está muito enganado se pensa que eu vou deixar isso pra trás. Será que você pode deixar a raiva de lado pelo menos uma vez e pensar como uma pessoa normal?

— É justamente como uma pessoa normal que estou pensando, Flora. – Ele esbravejou e seu hálito atingiu meu rosto. — Uma pessoa normal que quer matar o filho da puta que ameaçou sua namorada, que fodeu a amizade entre eles e que não passa da porra de um psicopata! – Ele bateu no volante enquanto ainda estávamos parados.

Ainda que meu corpo estivesse coberto de adrenalina, meus sentidos se arrepiaram ao ouvir a palavra "namorada". Respirei por alguns segundos e Alek encarava o horizonte. Uma voz fina acordou nosso transe.

— Acho melhor eu ir para casa. – Jasmine falou abrindo a porta.

— Acho bom. – Alek disse e ela saiu. Murmurei um "falo com você mais tarde" enquanto ela me olhava pelo vidro e fazia um sinal de positivo.

— Liga esse carro logo. – Falei tomando uma coragem repentina sem encará-lo. Alek acelerou e começamos a correr pelas ruas. Ele bufava a cada vez que um sinal estava fechado ou alguém estava em sua frente.

Os minutos passavam feito lesmas, e eu estava ansiosa para chegar até lá. O que eu falaria? O que faria para que a vingança de Alek não fosse longe demais? E se eu mesma perdesse o controle? Só Deus sabia o quanto eu estava furiosa. O quanto eu tinha nojo de homens que se achavam donos de alguém. De homens que tentavam acabar com a liberdade de alguém.

Eu estava irritada e com um bilhão de coisas passando em minha mente. Uma parte de mim desejava que nada daquilo jamais tivesse começado. Uma parte de mim queria voltar atrás e nunca ter dado uma entrevista para Thomas naquele restaurante. Mas infelizmente as coisas não eram como eu desejava. E ele não faria eu me sentir culpada por toda essa merda.

Alek freou bruscamente assim que chegamos à casa de Thomas. Pisquei algumas vezes com a visão embaçada pelas lágrimas e destrancamos os cintos. Assim que pulamos para fora, nossas respirações foram mais rápidas do que jamais haviam sido em uma vida inteira.

Um silêncio furioso e injustiçado fazia companhia a nós. Alek e eu encarávamos atônitos aquela casa verde clara. Uma casa sem qualquer resquício de que alguém já havia morado ali.

 Uma casa sem qualquer resquício de que alguém já havia morado ali

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Na Sua Onda [COMPLETO] (Irmãos Soaint 1)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora