Capítulo 43

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Acordei sozinha novamente no dia seguinte a partida do meu irmão.

As coisas estavam voltando ao normal aos poucos. Ou o que quer que significasse normal nos últimos dias. Mas de certa forma eu estava tranquila. Mais madura até. Sabia que precisava ter uma conversa séria com Jasmine, Thomas e Alek. Eu não gostava de coisas mal acabadas, quanto mais quando estavam acabadas daquela maneira. Só que eu vivia procrastinando. É, talvez essa seja a palavra da minha vida: procrastinar.

Foi justamente por causa dela que decidi vir para o litoral e por causa dela que eu estava adiando as conversas que deveria ter. É claro que todo mundo tem um defeito, e esse era o meu. Fazer o quê?

Mas mesmo sabendo de tudo que precisava ser resolvido nos próximos dias, decidi que usaria a manhã para resolver assuntos pendentes e escrever mais um pouco do livro. Por isso, levantei cedo e abri todas as janelas permitindo que uma massa de ar quente possuísse a casa. Ainda que eu estivesse passando calor, gostava de ficar assim. Eu pensava melhor dessa maneira.

Depois de limpar e organizar a casa, respondi algumas sms de amigos da universidade e colegas do meu prédio. Estava tudo em perfeita ordem, até então. Com os assuntos em dia, liguei meu notebook e abri o documento de Envolvidos.

Só Deus sabia o quanto eu desejava que esse livro me tirasse da lama. Fazia muito tempo que andava fora da mídia, e algumas pessoas até achavam que eu não publicaria mais nada. Sempre achei uma ofensa, particularmente. As pessoas no geral (tirando meus leitores queridos) têm mania de cobrar para que publiquemos rapidamente o próximo best-seller. E isso acontece com todo tipo de escritor.

Alguns não chegam nem a compreender o tempo do escritor nem entender sua vida fora da escrita. Como eu queria que a produção virasse rotina! Mas ainda era um trabalho duro, de conciliação com a sala de aula e uma vida particular. E que vida.

A minha vida ultimamente andava uma montanha russa, e decidi aproveitar a viagem para pegar carona com a inspiração. Era fato que as confusões da praia estavam me dando ideias para capítulos novos, mas ninguém precisava saber. Não até agora. E eu não queria nem pensar no que alguém acharia se descobrisse.

Ainda que me sentindo parcialmente culpada, comecei a escrever novas tramas para a obra. Enquanto digitava, só conseguia pensar em Alek e em toda a situação. E não era nem um pouco difícil transformar as emoções em palavras.

Me sentia tão culpada por tê-lo tratado da forma que o tratei, e por ter mentido que havia dormido com Thomas. Todas essas sensações iam saindo de mim como um exorcismo em forma de capítulos, e conforme as linhas eram preenchidas, a culpa aumentava dentro do meu peito. Sabia que deveria procurá-lo para, no mínimo, pedir desculpas por tudo. Talvez ele não quisesse me ver novamente nem pintada de ouro, como também poderia ser o contrário. Nessa vida e em termos de coração, o que não podia faltar era coragem. E eu precisava tomá-la.

Algumas lágrimas chegaram a cair nas letras do teclado conforme eu avançada com os capítulos, mas eu sabia que deveria continuar. Era um momento meu, de plena reconciliação comigo mesma.

🌊

Conforme o dia avançava, eu ficava mais e mais entediada. A manhã havia sido super produtiva,  mas a tarde estava passando como uma tartaruga. Bufei cabisbaixa no sofá enquanto mastigava a pipoca sem sal. Não tinha nada de interessante para assistir e eu estava sem a mínima vontade de sair. Havia me acomodado confortavelmente com o ar condicionado ligado e algumas guloseimas ao alcance da mão.

Não havia nenhuma mensagem nova no meu celular, muito menos um passarinho cantando na minha porta. Era praticamente um feriado preguiçoso, só que sem toda a alegria de estar em casa. Depois de alguns minutos, me levantei sem esperança de encontrar algo bom na televisão e fui para o quarto deitar. Assim que minha cabeça encostou no travesseiro, ouvi ruídos no lado de fora da casa.

A princípio ouvi vozes murmurando, e depois de alguns segundos ouvi um violão. Certamente era um violão. Espiei pela fresta da cortina e vi Alek do outro lado do portão. Ele estava lindo. Em pé e segurando o violão, ele começava a dedilhar algumas notas e não tirava os olhos da porta.

Meu coração quase parou ao ver aquela cena. Fiquei paralisada contemplando aquele momento, até identificar a música que ele estava cantando.

"Em janeiro você vem, fevereiro você vai, mas se quiser, pode ficar uma vida inteira..."

Era Se o Amor Tiver Lugar do Jorge e Mateus, e tinha tudo haver conosco. Comecei a cantarolar baixinho, até que ele começou a repetir a música e eu saí correndo para seus braços. Abri a casa ofegante e o abracei tão forte que tive a sensação de que tudo ao nosso redor havia parado só para encarar aquela cena. 

Nossas bocas se encontraram em um instante, e tudo que eu desejava era tê-lo para uma vida inteira.

Nossas bocas se encontraram em um instante, e tudo que eu desejava era tê-lo para uma vida inteira

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Demorei mas cheguei, amores!! =D hehehe Quem mais estava ansioso por esse momento, hein?

Enquanto não sai o próximo cap., aproveitem para curtir a playlist do livro. Vou deixar aqui o link ---> 

Na Sua Onda [COMPLETO] (Irmãos Soaint 1)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora