Capítulo 03

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No outro dia acordei empolgada para encontrar Jasmine e conhecer seus colegas. Calcei um tênis esportivo, fiz um rabo de cavalo no cabelo e coloquei uma bermuda e regata. Estava quase me sentindo parte deles!

Que tolice, pensei sozinha, ainda vai demorar para me quererem por perto. Tinha certeza disso pois, ao longo do tempo que vinha para cá, os moradores se mostravam cada vez menos receptivos. Respondi a mensagem dela de que já estava de saída e parti para a areia, comendo uma barra de cereal. Chegando lá, ainda havia poucos deles e me juntei à Jasmine e outras jogadoras.

— Não consigo me desprender do Royd! Ele é um imbecil, mas ainda o amo. — Jasmine falou.

— Claro, com uma beleza daquelas, até eu me rastejaria aos pés dele. – Uma ruiva disse, e todas caíram na risada. Pelo jeito, ainda não haviam reparado na minha presença.

— Não só pela beleza, garotas. Mas quem chegar perto dele, será carta fora do baralho. Se ele não quer ser meu, não será de mais ninguém. – Olhei suspeita para Jasmine. Parecia que ela era do tipo possessiva em relação a homens. Coitado desse tal Royd.

Depois disso, dei um olá contido e todas foram apresentadas a mim. Passamos a manhã toda jogando e nos divertindo. Recebi o convite para almoçarmos todas juntas na casa de uma do grupo, mas recusei, cansada e receosa. Mesmo achando-as agradáveis, não poderia me juntar tão rápido à elas.

Voltei para casa e tomei um banho. Estava enrolando o cabelo na toalha quando ouço o barulho de uma mensagem.

Oi, Florinha! Como vai?

Era o Adam, sempre agradável. Fazia dias que eu não tinha notícias dele. Devia andar ocupado.

Oi, Adam. Saudades! Estou bem, e você? Como está a Bia? – Beatriz era sua filha, de quatro anos. Infelizmente o namoro de Adam com a mãe dela havia acabado há pouco mais de seis meses.

Eu e Bia estamos bem. Aproveitando minha folga para tomar sorvete com ela. =) Alguma notícia boa a respeito do livro?

Diacho! Quem me procurava só queria saber desse livro. OK, eu sei que vim para cá para escrever, mas tudo no seu tempo.

Só tenho escrito alguns contos, coisa pequena. Tenho recebido alguns "presentes", acredita? Pelo visto tenho algum admirador secreto!

Hahaha, quem será o louco? – Adam respondeu.

Belo amigo, pensei, indo ao quarto me arrumar para sair à procura do almoço.

Cozinhar nunca foi meu forte. No meu apartamento a Elza era minha auxiliar em praticamente tudo. Como o dia todo passava na Universidade, tê-la era uma mão na roda. Em grande parte dos finais de semana eu almoçava com meus pais. Já meu irmão, era difícil se juntar a nós. Fora isso, ele sempre fora muito reservado. Nem de namorada falava, mas eu sabia que ele nunca esteve com uma só.

Já eu, tive poucos e bons namoros. Mas nenhum havia chego ao ápice. Ao amor. Eu sempre achei difícil isso, e apesar de durar, eu nunca havia pensado em casar ou morar com um deles. Meu último namoro acabou há cerca de um ano, desde então, com a carreira engrenada, não andava com tempo para pensar em alguma companhia. Tive uns ou outros, e aqui na praia somente o Artur. Sabia que já passava da hora de ter outra pessoa ao meu lado, mas cada coisa no seu tempo. E, enquanto isso, aproveitava a comida para me servir de companhia.

Saí em direção novamente ao Águas Verdes, pois o cardápio era realmente maravilhoso. Chegando lá, uma equipe de reportagem estava gravando na porta de entrada. Tentei, envergonhada, passar rapidamente por eles e o repórter me parou, ligeiro, fazendo uma pergunta:

— Olá! Qual o seu nome? – Ele sorriu gentil e virou me para que a câmera pudesse filmar nós dois ao mesmo tempo.

— Boa tarde. Sou Flora Soaint. – Apesar de estar acostumada a estar frente a filmagens, me peguei despreparada para aparecer ao vivo.

— Bom, Flora, estamos perguntando aos frequentadores dos restaurantes da nossa cidade o que eles acham que há para ser melhorado e o que há de bom no cardápio regional. Gostaríamos de saber a sua opinião. – Ele apontou o microfone para mim e fui respondendo as questões. Quando terminei, me dirigi à mesa para finalmente me saciar e observei a finalização da filmagem.

Minutos depois, saí em direção ao banquinho que fora meu companheiro desde as primeiras vindas para cá. Estava navegando pela internet, quando sinto alguém se sentar ao meu lado.

— Eu sinceramente acho que a Cloe não deveria ter ficado com o Henry. Mas apesar disso, espero uma continuação da história. – Ouvi uma voz masculina dizer, e rapidamente me virei para trás, já com uma mão estendida em minha direção.

— Thomas, prazer. – Era o repórter do restaurante. Gato e dedicado, hum, pensei, pode ser uma boa ideia. Estendi a mão de volta com um sorriso aberto mais que o normal.

— Você costuma abordar as mulheres assim sempre?

— Não, – ele respondeu – só autoras famosas com que acabo ficando frustrado. – Ele deu uma risada e se sentou ao meu lado.

— Bom, a má notícia é que a história não terá continuação. A boa é que estou tentando escrever algo novo. – Bufei, ao fim da frase, mostrando claramente a minha indignação por mim mesma.

— Ah, pois eu sei de um lugar onde você pode encontrar a inspiração certa. Tá afim? – Ele sugeriu, claramente animado com a ideia, enquanto seus olhos combinavam com o azul do mar. 

 

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Na Sua Onda [COMPLETO] (Irmãos Soaint 1)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora