Capítulo 13

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Quando acordamos no outro dia, parecia que o jantar desastroso não tinha acontecido. Adam parecia feliz e não mencionou por um instante o ocorrido. Nem eu. Se ele não queria falar sobre a inconveniência que Alek se tornara, eu é que não iria insistir. Ele tinha voltado a mencionar Thomas, mas eu disse que iria pensar. Não tinha cabeça para outro jantar tão cedo. Sentiria-me culpada sendo vaga, enquanto Thomas provavelmente seria o mais gentil possível.

Com o tópico principal finalizado, convidei Adam para um passeio no shopping. Tudo o que meu amigo merecia era atenção pela viagem que havia se disposto a fazer livremente, só para se certificar de que minhas férias estavam sendo boas. Enquanto trocávamos algumas novidades a respeito dos nossos trabalhos, avistei uma loja infantil e adentrei disposta a comprar um presente para a Bia, filha dele. Ela é fruto de um antigo namoro, mas que não acabou de uma das piores maneiras que existe quando há criança envolvida.

Depois de escolher um vestido floral e uma tiara lilás, fomos até o espaço de refeição. Adam e eu nunca nos privamos de alguma comida gordurosa, mas obviamente não comíamos isso todo santo dia. Com o estômago roncando, pedi uma porção média de batatas fritas, um milk shake grande e um x-burguer. E como matei minha fome! Meu amigo e eu tivemos boas risadas. Com nossas bocas cheias, relembrávamos os melhores momentos do ensino médio. Desde a colocação de um piercing na orelha (que se transformou em uma bela infecção) até nossos desastrosos primeiro dia no trabalho. Obviamente essas coisas só eram engraçadas agora. Na época, eram a pior coisa que poderia ter nos acontecido.

Enquanto trocávamos risos recordando o desastre dos nossos primeiro beijo, Artur passou por nós com cara de poucos amigos. Eu tinha que justamente passear no shopping que ele faz a segurança, né? Pelos deuses!

— Hum, – Adam falou enquanto limpava a boca com o guardanapo — Você conhece aquele ali? – E meneou com a cabeça.

— É o Artur, aquele rolo que mencionei. – Falei enquanto molhava a última batata frita na maionese.

— Acho que ele não aceitou bem o término. – Ele falou enquanto juntava os lixinhos em cima da bandeja. — Melhor você ficar de olho, pode ser que ele venha a causar algum problema.

— Claro que não. Ele é durão, mas inofensivo. – Falei enquanto ambos nos levantávamos, rumo à lixeira.

— Se você diz. – Adam retrucou levantando os ombros.

  🌊  

Depois que Adam partiu, no fim do dia, eu decidi ficar em casa e aproveitar o momento para voltar a trabalhar no livro de crônicas. Tomei um banho longo, coloquei o pijama, e me sentei confortavelmente no sofá. Abri o documento e li texto por texto. Li demoradamente, corrigindo algumas frases, eliminando outras e criando algumas novas. Tinha que lapidá-lo da melhor forma possível. Não queria que meus textos fossem linhas vazias, sem nada para mudar. Queria que fossem sentimentais, tocantes e genuínas. Por isso, depois de ler o livro por duas vezes, comecei a pensar na epígrafe. Era a primeira impressão, o primeiro mergulho dentro da obra. Eu precisava encontrar algo característico. Levantei-me à procura dos livros que havia ganhado na última surpresa, disposta a ler pelo menos um e achar um trecho que me despertasse identificação.

Era tarde da noite, e eu comecei a piscar lentamente, lá pela trigésima página de As Horas Nuas. Era irônico como uma professora, feito eu, ainda não havia lido este livro da Lygia, mas sempre existe uma primeira vez. O sono vinha como ondas fortes e logo me deixei adormecer, com o notebook ligado no rascunho.

🌊  

Despertei assustada e dolorida pela manhã. Não passava das sete e o sono já tinha me dado tchau. Com o sol iluminando o ambiente, sabia que seria inútil tentar dormir de novo, por isso me levantei lentamente esfregando os olhos. Depois de salvar o documento alterado e guardar os itens dispersos, verifiquei minhas mensagens e o nome Thomas piscava na tela. Ele havia me mandado um boa noite, com um emoji piscando. Desde nosso "primeiro-último" encontro eu não havia tido notícias, e, com uma disposição repentina, resolvi responder. Vai que resultasse em algo? Digitei um bom dia com um pequeno sol ao lado, e apertei em enviar. Estava um belo dia para uma caminhada, e, quem sabe, alguns beijos.

Troquei minhas roupas por um short, um top e tênis esportivo. Amarrei fortemente meu cabelo em um rabo de cavalo, coloquei a viseira e enrosquei os fones de ouvido no pescoço. Era cômico como o clima despertava em mim (se não em todos os turistas) uma vontade de se mexer. Talvez uma parte disso se devesse a deliciosa brisa do mar. Eu é que não negaria nem um pouquinho.

Mesmo com o estômago roncando, saí em direção à orla com Ana Carolina retumbando em meus ouvidos. Eu sorria enquanto ouvia sua linda voz, ao mesmo tempo em que a nostalgia dos velhos tempos se apossava de mim. Foi como um tiro certeiro: rápido e impactante, as lembranças do primeiro show que fui (coincidentemente dela) e onde arrumei meu primeiro namorado. Era tão bonito e inocente na época, que jamais adivinharia que acabaria um dia. Como toda relação minha. Ironicamente eu ainda acreditava no amor. Não sei se devido à quantidade de livros que lia, ou por ter chegado perto desse sentimento em meus relacionamentos, mas algo dentro de mim ainda queimava como uma chama interminável.

Eu dava passos lentos, mergulhada em meus pensamentos, e com uma sede urgente enquanto o sol me bronzeava. Me encostei na banquinha do Leo, meu velho amigo, e trocamos algumas palavras, depois que eu havia feito meu pedido. Ele me cobrara pela segunda vez uma nova remessa de livros. Eu não poderia esquecer! No momento em que eu pagava o suco, senti alguém se encostar do meu lado. Um perfume feminino se apossou das minhas sensações e, não foi difícil adivinhar que era a Jasmine.

 Um perfume feminino se apossou das minhas sensações e, não foi difícil adivinhar que era a Jasmine

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Bom dia, meus amores! =]

Fiz um capítulo mais rápido desta vez, com várias coisas acontecendo. Gostaram? Agora estamos definitivamente mergulhados na história, conhecendo melhor toda essa turma.  

No que será que resultará esse encontro, hein? A Jasmine ainda está magoada e com raiva! Beijos!!!


Na Sua Onda [COMPLETO] (Irmãos Soaint 1)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora