Capítulo 42

1.7K 196 22
                                        

Assim que Artur se foi, eu respirei fundo e entrei na sala. Meu irmão estava sentado com os braços apoiados nos joelhos e a cabeça entre as mãos. E eu estava esgotada demais para ter condições de ter outra discussão.

Por isso, preferi ir até a cozinha e tomar alguma coisa antes que outra bomba explodisse. Enquanto respirava e inspirava lentamente, ouvi Lian conversar baixinho consigo mesmo.

Ele era esquisito às vezes. Poderia listar inúmeras coisas que ele fazia quando estava nervoso, além de socar alguém e falar sozinho. Mas preferia acreditar que ele não passaria disso. Pelo menos não quando a "ameaça" já havia ido embora.

Permaneci de costas a ele, mexendo no celular o máximo de tempo possível, para que o assunto não viesse à tona. Mas nem foi preciso disfarçar por muito tempo.

— Você realmente está aguentando uma barra sozinha. – Lian disse se aproximando de mim. Fiquei como estava, esperando que ele continuasse. — Se fosse eu, já estaria explodindo, mandando todo mundo à merda... Mas você não, você está conseguindo levar com jeito tudo isso.

— Talvez não com o melhor jeito do mundo. – Falei baixo percebendo meus olhos úmidos.

— Por mais quanto tempo você pretende ficar aqui, Flora? Hum? – Li perguntou me abraçando de lado.

— No mínimo mais dez dias. Talvez vinte... Não sei. Eu preciso terminar o livro, Li. Apesar de tudo, foi pra isso que vim. O resto foi só consequência. – Eu disse exasperada.

— Eu sei. Eu sei... – Lian disse passando a mão carinhosamente pelos meus cabelos.

🌊

O terceiro e último dia da companhia do meu irmão no litoral havia chego.

Lian e eu acordamos cinco horas da manhã e nos ajeitamos rapidamente. Ainda grogues, enfiamos alguns lanches em uma bolsa e partimos rumo à praia. Nada seria melhor do que ver o sol nascer junto com ele.

Fomos caminhando e conversando até chegar ao calçadão, e retiramos nossos calçados assim que chegamos. A areia fofa cobriu nossos pés e sorrimos ainda sonolentos. Havia algumas pessoas no local, mas ainda assim era uma sensação de vazio.

Alguns pássaros voavam no céu e aproveitamos para contemplar o silêncio. Retirei a canga da bolsa e a estiquei na parte mais dura da areia. Quanto mais perto estávamos do mar, maior era a felicidade. Pelos velhos tempos, pelo agora.

Sentamo-nos e uma brisa fresca nos atingiu. Lian passou seu braço em volta de mim e ficamos sentados assim até que o sol começava a desapontar no horizonte.

Um misto de amarelo e laranja banhava o mar e as nuvens cordialmente se afastavam. O sol, com toda sua magnitude, ia preenchendo o céu como rei e esquentava nossos corpos.

Tirei algumas fotos da cena e de mim e meu irmão. Como havia sentido saudade dessas coisas! Dessa tranquilidade, da simplicidade em simplesmente sentar e observar.

Conforme os minutos passavam, o laranja ia ficando mais forte e se espalhava imponente pelo azul claro do céu. As nuvens, pequenas aqui e acolá, iam se esparramando até irem embora completamente, dando espaço para o astro.

O momento pareceu durar uma eternidade, feito um bom clichê. Os pássaros voavam tímidos, despertando de um breve descanso, enquanto e eu Lian começávamos mais um dia.

Mais um dia juntos, do qual sem dúvidas nos lembraríamos. Não sei se pelo cenário em conjunto com a brisa leve, ou se pelo laço que se estreitava invisivelmente naquela manhã única.

🌊

O dia passou rápido como um piscar de olhos. A última tarde de folga de Lian merecia tranquilidade. Por isso, não falamos em problemas que ambos tínhamos. Invés disso, fomos para a praia e tomamos sol com direito a muitas risadas e cervejas.

Quanto mais eu descobria detalhes sobre ele, mais meu coração apertava. De amor, sim. Mas de uma coisa desconhecida também. Será que era isso que chamavam de amor incondicional?

Porque eu o olhava com uma admiração tão grande, que meu peito chegava a doer. Com um respeito – que eu sabia que era mútuo – que tomava conta de mim. Lian merecia todas as coisas boas que o mundo ou alguém pudesse oferecer.

De vez em quanto me sentia meio ressentida por tê-lo incomodado tanto, fazendo brincadeiras de mau gosto. Era nesses momentos em que eu queria voltar no tempo e refazer tudo de novo, de uma maneira melhor e mais madura.

Mas o que eu poderia fazer se não era nada além de uma jovem birrenta?

— Me desculpa – Falei de repente, enquanto Lian dava um gole em sua bebida. Ele me olhou de canto, com os olhos mais claros do que nunca.

— Pelo quê? – Perguntou confuso.

— Por todas as vezes que te magoei. Ou te deixei bravo. – Eu disse e mirei o mar. — Às vezes eu me perco tanto em problemas que considero tão grandes, que me esqueço das lutas que você enfrenta.

Lian sorriu e esticou o braço, batendo nossas long necks rapidamente. Mais uma forma de ele dizer que estava tudo bem entre nós.

Digam tchau para o Lian, amores!!! ='( Quem mais vai morrer de saudades dele?

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Digam tchau para o Lian, amores!!! ='( Quem mais vai morrer de saudades dele?

Ah! Se preparem para os próximos capítulos... Nem preciso dizer quem estará de volta. ;) hehehe

Na Sua Onda [COMPLETO] (Irmãos Soaint 1)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora