Capítulo 40

1.7K 199 26
                                        

Era o segundo dia com Lian e parecia que havia se passado uma eternidade.

Terminamos a noite passada aos risos, felizmente. Depois das lágrimas e da exposição de sentimentos, meu irmão decidiu me alegrar da melhor forma possível: com pizza.

Comemos e assistimos filmes até o meio da madrugada. Eu, aguentava o horário tarde por estar acostumada a corrigir trabalhos e provas da universidade, e Lian estava acostumado a levantar de repente com alguma emergência policial, ou até mesmo por ser obrigado a fazer plantão.

Mas depois das quatro da manhã, ele não aguentou e dormiu. Levantei sorrateira do sofá, cobrindo-o com o lençol. Deixando-o na sala, fui para o meu quarto escrever.

Era como se um alívio tivesse tomado conta de mim. Eu tinha muitas coisas a resolver, isso era óbvio. Mas me sentia melhor, de certa forma, e isso foi diretamente para o teclado. Produzi empolgada mais alguns capítulos do novo livro. A sensação de estar cumprindo algo tomava conta de mim e me fazia sentir bem de novo. Era uma sensação ainda melhor do que a de produzir o primeiro livro.

Era uma experiência limpa, vívida e intensa. Cheia de reviravoltas e desafios, admito. Mas transformadora. Entre um parágrafo e outro, fui construindo personagens realistas e que não tinham medo do que lhes batia a porta. Tinha certeza absoluta de que minhas leitoras se encantariam por algum em especial.

Depois de inúmeros parágrafos e vendo o sol nascer, salvei o documento e me deitei exausta. Puxei o celular de cima do criado mudo e pisquei assustada. Não havia nenhuma mensagem. Nenhuma. Isso era no mínimo estranho.

Todo mundo havia entrado em um consenso de me deixar em paz? Um acordo sem bônus, além da falta dos meus ataques de fúria? Se fosse isso, eu ficaria imensamente feliz. Mas algo me dizia que não era.

🌊

Acordei no início da tarde graças à música alta que Lian estava escutando. Senti raiva por alguns minutos, até identificar que era Coldplay me presenteando com os versos de Paradise logo cedo.

Pulei ligeira para o banheiro e tomei um banho refrescante. Saí com os cabelos molhados e um sorriso estampado no rosto. Lian estava entretido mexendo no celular, e não percebeu minha presença. Fui até a cozinha pegando alguns pães de queijo na mão e me joguei do seu lado.

— Olha esse cabelo todo molhado, Flora! – Ele reclamou. Dei uma risada alta, me recordando das nossas melhoras brigas.

Lian tinha aversão a cabelo molhado. Sério! E não era uma simples frescura, era um tique. Ele não podia ver alguém com os cabelos úmidos que insistia para que a pessoa fosse secar ou saísse de perto dele. Estranho, eu sei. Duvidoso, também. Mas cada um com seus defeitos.

— Conversando com a Karen? – Olhei seu celular enquanto ele digitava virado de lado.

— Sim. – Li afirmou e sabia que um sorriso estampava seu rosto.

— Bom, muito bom! – Falei chegando mais perto dele colocando as mãos em seus braços. — E o que você está falando com ela? Sobre o quanto a acha maravilhosa? – Soltei enquanto aninhava minha cabeça em seu ombro, molhando seu pescoço com o cabelo.

Lian bufou e eu sabia que estava irritado. Eu adorava incomodá-lo, admito. Era fácil e certeiro. Parecíamos crianças birrentas, mas eu não ligava. Não havia público nenhum para assistir nosso show.

— Não estou irritado. – Ele disse de repente, se virando para mim. — O que acha de irmos dar um mergulho?

— Eu adoraria! – Exclamei animada enquanto abocanhava o segundo pão de queijo.

— Então pode se trocar, que eu já estou pronto. – Lian disse puxando um pão de queijo da minha mão.

Me levantei indo em direção ao quarto. Aproveitei para abaixar o volume da música antes que começasse a incomodar alguém. Olhei meu guarda roupa e quase pulei para trás com tamanha bagunça. Apesar do susto inicial, ri sozinha sabendo que aquilo permaneceria do mesmo jeito por muito tempo. Desorganizada como era, só se surgisse uma fada madrinha para organizar tudo.

Deixei os pensamentos de lado e selecionei um biquíni amarelo com flores. Enquanto terminava de amarrar o top do biquíni, ouvi Lian esbravejar:

— Seu filho da puta!

Uma voz rouca replicou e corri assustada para a sala. Minha respiração estava acelerada e meu irmão me encarou com seu rosto vermelho.

— Descobri quem anda mandando essas merdas pra você! – Ele falou e eu fui até seu lado.

Assim que passei da porta, vi Artur no chão com os lábios sangrando e uma caixa ao seu lado.

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.


Na Sua Onda [COMPLETO] (Irmãos Soaint 1)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora