📚 LIVRO 1 DA DUOLOGIA IRMÃOS SOAINT
Flora é professora de português e escritora com um grande bloqueio criativo. Agora, três anos depois de lançar seu primeiro livro que se tornou best-seller, ela está passando as férias em sua casa no litoral com...
— Ora, ora, se não é a rouba namorados. E ainda tem coragem de aparecer por aqui... – Ouvi-a dizer com desdém, ao mesmo tempo em que a raiva se apossava de mim. Me virei e disse:
— Pelo jeito você é bem viciada em falar "ora, ora", né? – Revirei os olhos. — Da última vez que chequei, não dizia que você era a dona da praia. – Sorri falsamente ao final da frase, me virando para longe daquela cobra. Bufei enquanto dava os primeiros passos rumo ao banquinho perto da banca.
Me sentei me acomodando, colocando de volta os fones no ouvido, quando senti uma mão puxando meu rabo de cavalo.
— Mas que cara... – Eu disse entredentes, me levantando enquanto dava uma cotovelada no braço da Jasmine Sem Noção. — Me solta, ridícula. Você não tem vergonha, não? – Ela dava risadinhas com a cara mais sonsa do mundo. Eu não estava mais aguentando aquilo. Justo quando amanheci propensa a relaxar, vem ela cortando meu barato lá embaixo.
— Eu vou falar só uma vez, Florinha: fica longe do Alek. Ele é meu, você ouviu bem? Se você continuar com essa palhaçada, isso aqui está só começando. – Ela disse com um sorriso descarado, enquanto ajeitava a blusa na maior tranquilidade.
— Ah, está só começando mesmo. – E dei um tapa na cara dela. Ela soltou um gritinho enquanto a palma da minha mão começava a arder. — Eu não sou nenhuma criança e não aceito desaforo de quem não me conhece e não tem nada a ver com a minha vida. E eu me meto com quem eu quiser sim. – Falei alto e em bom som, ciente de que já obtínhamos a atenção de todos ao redor. Ela abriu a boca para falar, quando Thomas agarrou-a pela cintura sussurrando algo em seu ouvido e levando-a para longe.
Olhei com fúria para quem ainda prestava atenção em mim, guardando meus pertences no bolso. Soltei o cabelo e refiz o simples penteado. Não daria o gosto de que ela me visse desarrumada por um segundo sequer. Caminhei em direção ao Leo, pronta para ouvir algum sermão.
— Quem é ele? – Ele disse suspirando, parecendo desapontado.
— É um cara que conheci na balada. Pouca coisa. Ela pensa que o roubei, quando nem sabia que eles são ex um do outro.
— O nome, Flora. – Ele disse cruzando os braços. — Você sabe que conheço muita gente aqui.
— Alek Royd. – Eu disse sentindo formigamentos dos pés à cabeça.
— Ih, longa história. – Leo falou, claramente colocando um ponto final nisso. — Mas que tapa, hein! – Completou começando a rir. Eu comecei a rir também, e nossos risos se transformaram em gargalhadas.
— Ai, ai! – Suspirei ao fim. — Só estou rindo de nervoso, hein? Você me contagiou. – Eu disse dando um sorriso com os lábios selados. — Eu deveria pedir desculpas. Acho tão feio quando mulheres brigam por causa de homem. Na maioria das vezes o cujo não está nem aí pra gente. A que ponto eu cheguei... – Disse olhando para baixo. — E olha que eu nem o conheço direito, Leo. Que merda, né? – Eu o encarei.
— É. Eu que o diga. Mas toda bela história de amor começa assim. – Ele sorriu afagando minhas mãos.
🌊
Estava morrendo de medo assistindo a um filme de terror, quando meu celular começou a tocar. Dei um pulo alto, tremendo, me questionando se era a Samara me ligando. Afinal, eu merecia depois do ocorrido. Der. Ri do meu pensamento idiota. A canção estava quase acabando quando atendi a ligação de Thomas:
— Abre a porta, Flora. – Ouvi-o e levantei as sobrancelhas enquanto ia em direção à entrada da casa.
— Não é mais fácil bater, como todo mundo?
— Hum, tapa de luva. Eu adoro. – Ele entrou sorrindo.
— Desculpa, Thomas... Mas por que você apareceu aqui sem combinarmos nada? – Ai, essa doeu até em mim!
— Pelo jeito hoje não é o seu dia mesmo. Quero saber por qual motivo você bateu na Jasmine. – Ele disse juntando pipoca nas mãos e sentando no sofá.
— Até parece que eu sou algum tipo de entretenimento, né?! – Ralhei revirando os olhos.
— Poxa vida. – Ele retrucou. — Não está mais aqui quem falou. – Thom levantou as mãos como um inocente.
— Não vamos tocar no assunto, está bem? Pelo menos não hoje. – Sentei-me ao lado dele apertando o play. Somente minutos depois um lampejo se acendeu em meus pensamentos. Como Thomas conhecia Jasmine? E não era pouco, como eu, pela intimidade com que a levou para longe. Eu precisava descobrir isso. Mas, como havia dito antes, não seria hoje.
Ao fim do filme, soltei um bocejo demonstrando cansaço. Me espreguicei olhando para ele, que se ajeitava no sofá, olhando para mim. Era um olhar curioso, vidrado.
— O que foi? – Perguntei constrangida pelos olhos que agora percorriam meu corpo e as mãos que se aproximavam do meu rosto.
— Você não cansa de me surpreender, sabia? – Ele disse se acomodando muito próximo a mim. Com uma mão juntou meu cabelo para trás, encaixando-a na minha nuca. Eu olhei para a boca dele, tomada por um desejo repentino. Estava certa de que uma chama estava se acendendo entre nós, e eu não podia deixá-la morrer.
— Você não viu nada. – Eu dei um sorriso de lado e me esgueirei sentando no colo dele. Ele abriu a boca e soltou um som abafado, enquanto eu grudava as mãos em sua cintura e tomava sua boca com um beijo quente.
Nossas bocas tinham o encaixe perfeito, e o ritmo ia de bom a melhor. Ora com sutileza, devagar, tomados pela sincronia. Ora rápidos, urgentes, tomados pelo desejo. Enquanto ele subia as mãos nas minhas costas, eu comecei a remexer o quadril em seu colo, sentindo seu desejo ainda melhor.
— Flora, você não existe... – Ele soltou entre uma respiração pesada, certo de qual rumo nossos amassos no escuro estavam indo. Nossos corpos se apertavam contra o outro, enquanto pequenas gotas de suor começavam a pingar por nós. Tudo estava indo como Adam me dissera para planejar. Até Thomas beijar o meu pescoço e eu perceber que não se comparava ao beijo que Alek me deu em nosso primeiro encontro.
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