📚 LIVRO 1 DA DUOLOGIA IRMÃOS SOAINT
Flora é professora de português e escritora com um grande bloqueio criativo. Agora, três anos depois de lançar seu primeiro livro que se tornou best-seller, ela está passando as férias em sua casa no litoral com...
Alek desceu do carro e marchou até mim com o rosto vermelho. Nunca havia visto ele tão bravo, e, com a rapidez do acontecimento, não cheguei a pensar qual seria o motivo. Fiquei parada enquanto ele se aproximava, parecendo muito mais alto do que era, e falando com a voz cheia de rancor:
— O que você anda recebendo? – Meu corpo amoleceu no momento em que percebi. Ciúmes. Só poderia ser isso! Mas estava mais para o tipo de ciúmes ruim.
— Hãn... – Comecei — Ando recebendo alguns mimos de alguém. – Falei intimidada — Mas alguns dias atrás alguém se passou pelo admirador romântico e me enviou sapos numa caixa.
Eu tinha certeza de que estava vermelha como uma pimenta. Até então eu não tinha levado isso a sério, mas pelas sobrancelhas sugestivas de Alek, eu deveria. Ele bufou e seu rosto se contorceu ainda mais.
— Puta que o pariu. Vem comigo, Flora! – Ele disse me pegando pelo braço e me puxando. Sua força fez com que eu perdesse o controle dos pés por um minuto e tropeçasse. Ele subiu a mão para minhas costas me apoiando. — Desculpa. Mas isso não pode esperar. – Falou enquanto me guiava até o carro.
— Pelo amor de Deus, Alek, o que está acontecendo? – Eu disse desconfiada e com um pingo de medo do rumo que isso estava tomando.
— Deve ser a Jasmine. – Ele deu um soco no volante. — Só pode ser a Jasmine. – Ele sussurrava com os dentes cerrados enquanto ligava o carro e saía em uma velocidade alta. — Ela me mandava esse tipo de coisa quando terminamos, sabia?!
Ouvi-o falar e então tudo começou a fazer sentido. Então era isso... Iríamos ter um acerto de contas com a loira do voleibol. Alek não fazia ideia de que eu e ela havíamos entrado em uma briga por causa dele. Decerto só se lembrava do nosso primeiro encontro constrangedor na balada.
Permaneci em silêncio enquanto relembrava alguns momentos e ouvia-o pronunciar palavrões de A a Z. Seu tamanho estava assustador. Seus ombros largos e braços fortes pareciam espremer o espaço do carro, e assim que notei o quão vermelhos os nós dos dedos dele estavam, senti o carro parar.
Ele abriu a porta e saiu ligeiro apertando a campainha da casa em que estacionamos. Era noite e presumi que Jasmine devia estar em casa. Assim que ela abriu a porta, a raiva subiu para minha garganta. Saltei para fora enquanto minhas mãos se fechavam com ira. Seus olhos estavam assustados e o cabelo loiro um pouco mais curto da última vez que a vi.
Então era isso. Com certeza era ela. Enquanto eu estava com Alek, ela devia estar nos observando e tramando a brincadeira de mau gosto. Ela apertou o controle e abriu o portão, olhando de soslaio para dentro. Alek foi o primeiro a falar:
— Sua cara de pau. Puta merda, Jasmine, será que você não consegue me deixar em paz? Será que tem que ficar me empatando toda vez que eu encontro alguém? – Ele estava perto dela, e assim como comigo, a diferença de tamanho era assustadoramente notável. Todo o corpo dele estava retesado de raiva e eu me aproximei dos dois.
— Do que você está falando, Alek? – Ela cuspiu as palavras enquanto tomava uma postura diferente. Se era assim que ela queria brincar, então assim seria.
— Você sabe do que ele está falando, Jasmine. – Falei enfatizando o nome dela. — Estamos falando dos sapos que você mandou na minha casa dentro de uma caixa. – Meu corpo estava fervendo e a vontade era de esfregar tudo na cara dela. — Mas é claro, claro que é você. Você me atazanou por ciúmes do Alê – Comecei a contar nos dedos — Você me mandou mensagem dizendo que não se esqueceria do que fiz, iniciou uma briga comigo, sabia onde era minha casa e teve a coragem de enviar aquilo! – Listei as cinco obviedades que me fizeram perceber que era ela.
— Mas de que merda você... – Ela começou, mas Alek a interrompeu colocando um dedo em seu peito.
— Escuta aqui, Jasmine. – Ele falava baixo e com os dentes raspando uns nos outros. — Se você fizer isso mais alguma vez com a Flora, você vai se ver comigo. E vai se ver de verdade, porque eu vou na polícia dizer que você está incomodando ela. E aí esse assunto será só de nós dois. – Alê a cutucava enquanto falava e vi o rosto de Jasmine empalidecer.
— Então você quer falar de nós dois, Alek? Vamos falar! – Ela bateu uma palma e se virou para mim. — Você sabe por que eu e ele terminamos, Florinha? – O sorriso em seu rosto era perverso e rancoroso. — Conta pra ela, Alek. Conta quem você é de verdade.
Aos ouvir aquelas palavras eu estremeci. Era a hora da verdade, enfim. Enquanto eu parecia flutuar por míseros segundos, a expressão dos dois mudou. Ela, de medrosa, havia tomado o controle da situação. Lágrimas enchiam seus olhos, mas não chegaram a pular para fora. Já Alek, dando alguns passos para trás, recuou enquanto me abraçava de lado.
— Eu não quero que a Flora tenha alguma coisa a ver com isso. O teu recado está dado. Vê se some da minha vida. – Ele começou a se virar para o carro, mas eu permaneci no mesmo lugar.
— Por quê? – Foram as únicas palavras que saíram da minha boca. Meus olhos se estreitaram com o silêncio que durou, até Jasmine dizer:
— Nós estávamos bem, até ele virar um safado. – Ela se aproximou de mim com passos lentos, enquanto a mão de Alek sumia do meu ombro. — Na maior cara de pau, ele pediu um tempo. Dizia que estava com dúvidas dos seus sentimentos. – Ela disse usando aspas e afinando a voz. — Pura mentira! Eu, idiota na época, acreditei. Mas sabe o que ele fez, Florinha? – Uma lágrima escorreu para a bochecha dela. — Ele ficou com a minha melhor amiga. Ele transou com ela enquanto nós estávamos dando um tempo!
Jasmine gritou as últimas palavras, como se estivesse exorcizando algo dentro de si. Eu estava paralisada. Como Alek teve tamanha falta de consideração? Olhei-o por menos que três segundos e a vergonha passou pelo seu rosto, enquanto meus olhos ficavam cheios de decepção.
— E o pior não foi nem foi isso ter acontecido. Ela era uma vadia, no final das contas. – Jasmine continuou. — O pior foi ele ter feito isso quando o meu irmão tinha falecido há dois meses e eu estava em depressão. – Agora as lágrimas inundavam seu rosto e as minhas molhavam o meu. — Ele não teve a decência de terminar comigo pessoalmente. Me mandou uma mensagem e nunca mais bateu na minha porta, até hoje.
Jasmine terminou o discurso tremendo e engolindo o fim do desabafo. Um longo silêncio se deu pelos instantes que se passaram, enquanto eu tentava digerir o que havia escutado. Não conseguia acreditar nisso. Nem em nada do que acreditava até então.
— Flora, me escuta... – Alek disse baixinho tomando minha mão na dele.
— Me deixa em paz. – Foi tudo o que consegui falar, enquanto a dor tomava conta de mim e eu dava as costas para os dois.
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Meus amores, é oficial real: chegamos ao primeiro ponto importante da história. Já estamos no meio dela e as coisas ficarão difíceis para todos daqui pra frente!! =x