📚 LIVRO 1 DA DUOLOGIA IRMÃOS SOAINT
Flora é professora de português e escritora com um grande bloqueio criativo. Agora, três anos depois de lançar seu primeiro livro que se tornou best-seller, ela está passando as férias em sua casa no litoral com...
Enquanto ambas estávamos agachadas e ansiosas, eu tentava rasgar a fita que lacrava a caixa. Pequenos sorrisos se formavam em nossas bocas, até que eu consegui abrir a tampa. Com um grito de horror, caímos e fomos nos arrastando para trás.
— Puta que o pariu, o que é isso? – Kristie gritou afobada.
— São... – Eu fiz uma pausa, incrédula e tremendo — Sapos cururus. – Ambas gritamos novamente, tentando nos juntar em um abraço longe deles, enquanto o primeiro pulava pra fora.
— Cacete, amiga! Precisamos fazer alguma coisa. – Ela disse se levantando devagar, se apoiando no muro.
— Eu vou subir nesse muro, não quero nem saber. Que se foda essa casa. – Eu disse ao ver o quarto sapo fora da caixa, pulando em nossa direção. Me virei bem devagar, ficando cara a cara com o muro e coloquei minhas mãos em cima dele. — Kristie, faz pezinho pra mim. Eu vou buscar ajuda! – Falei enquanto ela ainda estava no chão. Notei que ela tentava agarrar sorrateiramente a vassoura que eu havia esquecido no pátio.
— Você está louca, Flora? Eu lá sou mulher de sair correndo? Espera que eu vou mandar esses bichos para fora. – Mas eu não esperei. Enquanto ela pegava o cabo da vassoura, eu subi em cima do muro. Pelo menos estava protegida! Ela bateu no primeiro sapo com a palha da vassoura em direção ao portão, e logo entendi o que Kris estava fazendo: tentando mandá-los para a rua.
— Ai, amiga, você é um gênio! – Eu disse ainda tremendo igual vara verde.
— Fica quieta, Flora, o sapo vai te ouvir! – Eu comecei a rir baixinho, não sei se de desespero ou pela situação.
Um a um ela conseguiu mandá-los para perto do portão, e saímos correndo desesperadas para dentro de casa.
— Puta merda – Kristie disse se jogando no sofá e jogando todo o ar para fora. — Quem será que foi o infeliz que fez isso? Agora toda a minha maquiagem ficou estragada, pelo tanto que suei.
— Eu não sei – Respondi-a enquanto entrelaçava minhas pernas no sofá, tentando me sentir segura. — Mas vai pagar caro. Muito caro! Depois que o susto passar, minha raiva chega, aí eu quero ver alguém fazer isso de novo. Ah, se vai! Não vou ser feita de otária. – Falei com raiva subindo pela garganta.
Ela não me respondeu, e presumi que também estivesse ponderando sobre quem teria motivos para fazer isso. Será que o bom admirador secreto havia se rebelado? Será que ele andava me vigiando e não gostou de algo que eu havia feito? Ou com quem havia feito? Pensei nessa possibilidade por um minuto, e logo uma ideia se acendeu na minha cabeça. E se fosse o Thomas, que não gostou da dispensa que dei nele de novo? Ou, cavando mais fundo, fosse a Jasmine ou o Artur?
Eu teria que descobrir, e não me martirizar a respeito de quem seria. Eu precisava armar um plano para pegar a pessoa no flagra. Eu poderia até pagar para alguém vigiar minha casa, se fosse preciso. Não mediria esforços para saber quem havia sido, uma vez que estragou o dia que eu estava tendo com a Kristie.
🌊
Na manhã seguinte ao susto, acordei cedo e fui à padaria, ainda com medo de encontrar algum sapo no caminho. Por sorte não encontrei. Havia comprado algumas coisas gostosas – e nada saudáveis – para tomar café com minha amiga. Eu teria que recompensá-la pela péssima noite que tivemos.
Depois de nos acalmarmos sobre os sapos, decidimos ficar em casa. Desfizemos as produções do SPA e deixando o ar condicionado no frio, comemos pipoca e assistimos alguns filmes. Ambas não conseguíamos pregar os olhos. Talvez estivéssemos exagerando, mas era uma brincadeira de extremo mau gosto. Só conseguimos cochilar perto das cinco da manhã, mas eram apenas nove horas e eu estava chegando da padaria.
Depois de abrir as janelas e arrumar a mesa de forma agradável, fui tomar um banho para despertar. Estava desligando o chuveiro quando ouvi uma porta se abrir. Arrumei-me rapidamente e encontrei Kristie tirando fotos da mesa.
— Ah, não precisava de tudo isso, Flô! – Ela disse ainda com os olhos levemente inchados.
— Precisava sim. Você veio me visitar para relaxar, e eu vou fazer suas férias valerem. – Demos um rápido abraço e nos sentamos. Peguei um pão de queijo à medida que Kris coloca a mão no bolso do short.
— Então você vai querer ir ao show da Luiza Possi que vai ter aqui hoje à noite. – Ela disse piscando enquanto colocava dois ingressos vip na mesa.
Fiquei em choque. Eu sequer fazia ideia de que teria um show na cidade, quanto mais dela. Eu era simplesmente louca pelas músicas. Luiza fazia parte da trilha sonora da nossa amizade, pois conhecemos seu trabalho juntas, e curtíamos os lançamentos ao mesmo tempo.
Eu já estava bolando um milhão de ideias para curtimos cada minuto do show. Seria um momento memorável, e bebidas estavam inclusas nesse plano. Muitas delas.
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