📚 LIVRO 1 DA DUOLOGIA IRMÃOS SOAINT
Flora é professora de português e escritora com um grande bloqueio criativo. Agora, três anos depois de lançar seu primeiro livro que se tornou best-seller, ela está passando as férias em sua casa no litoral com...
Acabamos não voltando mais nos assuntos que remetiam à confusão.
Alek acabou não passando a noite porque precisava ficar um pouco com sua mãe. Senti uma pontada de ciúmes, mas compreendi. Como ela vivia viajando, ele precisava aproveitar os momentos em que ela estava em casa.
Ele tinha me dito que sua mãe trabalhava como arquiteta, e era dona da maior empresa de arquitetura da cidade. Imaginei que eles tivessem algum patrimônio quando tivemos o jantar romântico em sua casa. Era um lugar e tanto!
Depois que ele saiu, pouco antes das dez, fui direto para a cama. Precisava recuperar as energias e suspirar um pouco de felicidade. É claro que nossa reconciliação havia transformado algo dentro de mim.
Eu havia conhecido um homem incrível. Não só pela personalidade que conhecia até então, mas pela coragem, audácia e pelos carinhos intensos. Havia imaginado que ele era um amante sem igual, mas não imaginei que chegava a tanto.
Ele havia me despertado tesão em cada pedaço do meu corpo, e até em certos lugares que eu não sabia que poderiam arrepiar. Cada sede da sua boca despertava um arrepio somente de lembrar.
Eu estava tranquila nesta manhã. Sabendo que estava tudo bem entre nós e que eu havia descoberto pelo menos quem era o "admirador bom", eu não precisava nem de uma pitada a mais de alegria. Obviamente eu tinha consciência das coisas que ficaram mal resolvidas, mas eu não queria pensar nisso.
Enrolada nos lençóis vendo o sol queimar pela janela, tudo o que eu queria era sentir um pouco mais daquilo que estava tomando conta de mim. Se alguém tivesse me dito que uma vinda sozinha para o litoral traria tantas aventuras, eu teria aparecido aqui antes.
As coisas ficavam um pouco mais mágicas no verão. Já havia ouvido – e experimentado – sobre os amores que duram três meses. Esperava que Alek e eu não fôssemos assim. Tínhamos poucos dias de uma aventura gostosa, mas eu também não tinha o verão todo de férias.
Mais rápido do que eu pensava teria que acabar voltando para minha cidade, e sabe Deus o que seria de nós. Pensar nisso trazia um frio em minha barriga, mas consciente dos meus atos, tinha certeza de que o momento de falar sobre isso chegaria.
Depois de conferir todas as mensagens do celular – e ficando um pouco decepcionada por não ter recebido um sms do Alê –, levantei da cama somente tempo suficiente para buscar o notebook.
Com o furacão de acontecimentos dos últimos dias, eu tinha inspiração de sobra para escrever mais. Alcancei o elástico na mesa ao lado da cama e amarrei o cabelo em um coque alto. Bocejei esfregando os olhos enquanto a tela dizia que estava sendo iniciada.
Uma mistura de ansiedade e clareza invadia minha mente, e não demorei a começar a digitar. Dei uma rápida conferida no último capítulo que havia escrito, e, como na vida real, os protagonistas tiveram uma reconciliação feliz.
Despejei palavras e mais palavras naquele documento que ia crescendo com o passar dos minutos. Eu tinha aquela sensação boa de que esse seria meu próximo passo rumo ao topo. E, se tudo ocorresse conforme o planejado, a sensação se tornaria realidade.
Fui digitando conforme meu estômago ia revirando e meu coração pulsando. Não só pela inspiração divina que havia recebido, escrever era um ato sem igual. Eu colocava toda minha agitação nas folhas e tornava real todo o sentimento enclausurado em minha cabeça.
Alê não descobriria tão cedo sobre o protagonista inspirado em todas as características dele, mas quando soubesse, sabia que ficaria feliz. Isso é, se continuássemos como estávamos. Por mim, enquanto essa onda de emoções estivesse presente, eu e ele sempre estaríamos na crista.
🌊
O dia passou rápido como uma brisa, e sem mensagens do querido. Parte da minha insegurança havia começado a gritar que tudo não passava de uma mentira. Era o bichinho da desconfiança que mordia a cada vez que eu olhava a tela do celular.
Aproveitei a manhã para escrever quase dez capítulos, e me sentia realizada conforme o livro ia aumentando. Um pouco de aventura e romance, e sabia que era uma cara totalmente diferente de Reviravoltas em Berlim. Os leitores do meu primeiro livro certamente iriam gostar de um sabor mais intimista.
Depois de almoçar o clássico macarrão rápido, fui limpar a casa. Não lembrava qual havia sido a última vez que havia feito isso, e com certeza não havia sido ali. Fiquei espantada com o quanto uma casa com uma pessoa só pode sujar. E um pouco envergonhada, também. Precisava melhorar meus hábitos para ontem!
Com uma energia surpreendente, ainda fui caminhar na praia. É claro que uma parte de mim desejava encontrar casualmente o Alek correndo sem camisa e suando, mas não foi o que aconteceu. Eu precisava parar de pensar em coincidências.
Cheguei em casa cansada e decidi passar o tempo assistindo alguma coisa que não parecia tão interessante. Quando a última fagulha de esperança ia se apagando, recebi uma mensagem dele. Era quase onze da noite e dizia:
"Temos um luau para ir. Ta afim?"
Sorri digitando um "com certeza" e pulando do sofá para o quarto. Meu espírito trouxa, digo,feliz, estava de volta.
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Capítulo extra da semana está no ar! =D Decidi adiantar porque se vocês forem boazinhas e choverem comentários e votos, sexta-feira sairá mais um!!!!! ♥