Epílogo

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Apesar de conhecer a sensação, a segunda vez estava sendo ainda melhor.

Minhas bochechas doíam de tanto sorrir para fotos e de rir à toa, porém, meu pulso pedia pelo menos cinco minutos de descanso e meus olhos queimavam implorando para que eu os fechasse por alguns minutos. Mas eu não respondia às necessidades mesquinhas do meu corpo; estava ocupada demais sendo feliz.

Quatro meses de trabalho duro haviam me levado até aquele momento. Quatro meses de agonia, trabalho duro, reescritas infinitas e vários "eu desisto" gritados madrugada adentro. Quatro meses de puro recorde. Uma verdadeira corrida contra o tempo.

Eu sabia – por experiência do meu primeiro livro publicado – que uma obra demora mais do que isso para ficar pronta e impecável para publicação, mas diversos fatores cooperaram para minha volta rápida ao topo. Ser autora da casa, ter como melhor amigo o editor-chefe da editora e ter fãs sedentos por mais uma publicação, foram apenas alguns dos "prós" que auxiliaram no trabalho rápido. E eu não poderia estar mais satisfeita.

Envolvidos era oficialmente um livro de sucesso. Número um das listas dos mais vendidos, ele havia se tornado um retrato nu e cru de um amor intenso. Um amor que estava pulando para fora das páginas naquele exato instante.

Filas longas, exemplares aos montes, flashs incansáveis e conversas abafadas eram tudo que eu encarava sentada em minha primeira sessão de autógrafos. Perdão, primeira esgotada e totalmente louca sessão de autógrafos. Sinceramente, me sentia no paraíso.

Estive tanto tempo fora do cenário literário que quase havia me esquecido como eram aqueles eventos. Tanto amor devoto, tanta paixão por personagens e tanto gosto em comum era algo que me encantava. Não imaginava, durante todo o processo de produção, que meu livro escrito despreocupadamente tomaria proporções tão gigantescas.

Claro que a publicidade e as inúmeras entrevistas que dei ajudaram, mas não valeriam de nada sem aqueles que acreditavam e liam minhas palavras. Não seria nada sem aqueles rostos ansiosos e alegres que enfrentavam incansáveis horas até que chegasse sua vez na fila.

Eu tentava fazer valer cada segundo de um leitor ao meu lado, pois lembrava a sensação de idolatria que sentia quando pisava em uma livraria com lançamento. Isso contribuiu para que eu me disponibilizasse a autografar os exemplares mesmo com as senhas esgotadas. Permaneceria lá até o último livro exalar seu cheiro de novo.

Sentada de onde estava conseguia ver o "cantinho da família". Explico: minha mesa de autógrafos e banner de divulgação estavam no centro da livraria, mas ao meu lado esquerdo, familiares e amigos tinham suas mesinhas e cadeiras distribuídas para que pudessem me acompanhar de perto. Além de, claro, também sorrirem feito bobos.

As pessoas mais importantes da minha vida estavam lá, e era um pouco estranho vê-los todos juntos pela primeira vez. Começando por Kristie, publicamente de mãos dadas com Anna desde que aceitaram que era mais fácil ceder do que resistir a aquele amor. Elas se completavam feito chuva e trovão, e meu coração se sentia radiante por vê-las juntas.

Ao lado delas, eu tinha os dois homens que mais me apoiavam nessa vida: Adam e Lian. Com seus jeitos protetores e carinhosos, eu conseguia ver como eram parecidos quando os via juntos. Ambos solteiros e resistentes aos charmes femininos, eram caras com um coração enorme. Lian, meu irmão que batia em alguém que falava mal de mim por sonhar em ser escritora, e Adam, meu melhor amigo que fizera aquele sonho se tornar real.

Depois deles, meu pai e minha mãe sorriam orgulhosos em minha direção. Dona Helen e Seu Edgar foram, sem dúvidas, as pessoas que mais exalaram amor ao saber que mais um livro meu seria publicado. Repetiram incansavelmente o quanto me admiravam e sentiam-se honrados por ter criado uma filha como eu. Ah, se eles soubessem o quanto o sentimento era mil vezes mais recíproco...

Na Sua Onda [COMPLETO] (Irmãos Soaint 1)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora