Capítulo 65

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Abri os olhos ainda extasiada. A noite passada havia sido cansativa e inesquecível. Alek me amou como nunca havia feito, e tudo se tornou ainda mais especial.

O céu começava a clarear lá fora e ele ainda estava dormindo. Com a barriga virada para baixo e seu rosto para o outro lado do quarto, encarei-o vagarosamente. Sua respiração calma fazia seu tronco subir e descer com elegância. Não sabia como conseguiria me despedir dele dali poucos dias.

Me levantei pé ante pé e coloquei uma camisola. Peguei meu notebook na estante e voltei para a cama. Chequei as horas e me acalmei ao perceber que ele tinha duas horas antes de estar no trabalho. Esperaria mais alguns minutos e o acordaria, mas não sem antes escrever as cenas finais do meu livro.

Lembranças de como Alek havia me beijado e tocado invadiam minha mente e causavam arrepios em toda a extensão do meu corpo. A luxúria que vi em seus olhos ficou impregnada em minha memória, e eu precisava colocar para fora.

Enquanto digitava cada detalhe do amor que fizemos, me pegava ofegante. A cena e o ato eram a concretização do que nossa paixão estava nos causando. Alek me fazia desejá-lo só de descrevê-lo, e certamente minhas leitoras se sentiriam da mesma forma.

Suspirei algumas vezes conforme a cena ia ficando detalhada e intensa. Este último capítulo seria especial e brilhante. Eu não havia esperado a inspiração cair do céu: Alek havia me dado ela.

Ele havia tocado e lambido cada pedaço de uma nova Flora. De uma Flora com um segundo livro pronto para ser publicado e de uma flor que se desabrochava nessas férias. Ele havia, inconscientemente, transformado minha jornada desde o primeiro beijo, e ontem concretizara esse caminho curto.

Eu tinha, finalmente, um livro pronto para ser publicado e um homem lindo a ser amado.

Assim que coloquei o ponto final na cena - e no livro, Alê abriu os olhos. Espreguiçou-se sorrindo e passando a mão em minha coxa. Ele se sentou e encarei seu rosto sonolento. Alek passou a mão pelo meu cabelo e me beijou carinhosamente. Amava o fato de o nosso beijo parecer sempre algo inédito.

— Bom dia, linda – Ele disse com o rosto próximo ao meu. — Acordou bem?

— Melhor do que nunca – Respondi sorrindo e acariciando seu pescoço.

— Que bom – Alek respondeu olhando curioso para o notebook. — O que está fazendo? Escrevendo o livro novo? – Merda! Eu havia esquecido de tirar o notebook de perto!

— Hum, sim – Sorri nervosa enquanto me ajeitava na cama. Ele ainda encarava a página cheia de palavras.

— Deixa eu ler então – Ele afirmou pegando o notebook do meu colo. Alek se ajeitou na cama e começou a ler com as sobrancelhas franzidas. Eu estava fodida.

Conforme as páginas rolavam para cima e Alek as lia intrigado, eu só conseguia pensar no quanto ele explodiria que tudo estava acabado. Eu havia inspirado o personagem nele. Qualquer pessoa que nos conhecesse bem poderia dizer isso. Não escondi totalmente e, como fruto da inspiração, Alek saberia que cada detalhe havia sido refletido de nós.

Eu só me toquei da merda que eu estava afundada quando ele colocou o notebook no criado mudo e me encarou furioso.

— Que merda é essa, Flora? – Ele falou alto. Abri a boca para responder, mas ele interrompeu. — Quer saber? Nem precisa responder. Ficou bem claro pra mim que você só está me usando pra ter a merda de um personagem para ganhar dinheiro por um segundo livro.

— Não, não Alek... – Comecei me aproximando mas ele saiu da cama.

— Sabe de uma coisa? Eu realmente gosto de você e estava fazendo de tudo para que essas férias fossem inesquecíveis, mas aparentemente você só gostou de tudo isso porque poderia te dar mais inspiração. – Alek dizia vestindo suas roupas. Cada palavra dele era um corte em mim.

— Alek, você entendeu tudo errado. Me deixa explicar! – Falei me levantando.

— Você não precisa, Flora. Eu não estou tão bravo quanto você pensa. Estou decepcionado! Decepcionado com você e comigo! Como você acha que vou me sentir exposto assim? Quer dizer, você acha que eu vou deixar você publicar isso? – Ele quase gritou apontando para o notebook. Balançou sua cabeça em negativa e lágrimas incomodavam meus olhos.

— Puta merda, será que dá pra você me ouvir? – Falei mais alto do que ele. Alek deu as costas para mim, saindo com seus pertences nas mãos. Encontrei-o já na porta da sala me encarando furioso.

— Pra mim acabou. – Alek soltou claramente machucado — Ainda bem que eu descobri a tempo, e não com alguém me contando detalhes românticos e sexuais do livro de uma escritora com a qual estive envolvido. - Suspirou e me encarou com seus olhos vazios. — Não tenho mais tempo pra isso. Preciso ir trabalhar.

Ele abriu e fechou a porta com uma força descomunal. O som abafado que escutei foi o suficiente para me despedaçar. Como havíamos chegado a isso? Como eu havia sido tão burra a ponto de não disfarçar de onde a inspiração vinha?

As palavras de Alek tinham sido um soco no estômago. Um soco verdadeiro, dado com vontade e razão. Eu queria muito que aquele livro fosse publicado. Céus, como eu queria. Eu amava aquele livro. Mas nada do que havia sido escrito tinha razão se a pessoa a qual havia sido responsável pela inspiração tinha ido embora. Ou teria?

Eu tinha tantas coisas para pensar. Cada pedaço do meu corpo doía involuntariamente lembrando o que ele havia dito. Eu havia sido tão óbvia assim? Ou Alek estava sendo explosivo como sempre? Que danos isso traria para nós? Não acreditei quando ele disse que acabou. Não de verdade, e não assim.

Me joguei no sofá enquanto meu cérebro se embrulhava com tantas perguntas e lágrimas desabavam em todo o meu rosto.

Me joguei no sofá enquanto meu cérebro se embrulhava com tantas perguntas e lágrimas desabavam em todo o meu rosto

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Na Sua Onda [COMPLETO] (Irmãos Soaint 1)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora