📚 LIVRO 1 DA DUOLOGIA IRMÃOS SOAINT
Flora é professora de português e escritora com um grande bloqueio criativo. Agora, três anos depois de lançar seu primeiro livro que se tornou best-seller, ela está passando as férias em sua casa no litoral com...
Bati na porta pela terceira vez. O ar gelado fazia os pelos do meu braço arrepiarem, e eu os esfreguei instintivamente. Não duvidaria que chovesse no dia seguinte, então tudo o que eu tinha era o agora.
Apesar de a noite não estar tão escura, Alek decidiu me acompanhar até a casa de Jasmine. Com o carro estacionado uma esquina distante, ele esperaria até eu terminar minha conversa com ela. Alegando que eu deveria acertar as contas sozinhas, porque, afinal, nossos assuntos não eram os mesmos, Alê havia dito que conversaria com ela outra hora. Aceitei de bom grado, pois não precisava de nenhum estresse naquele instante.
Assim que um bocejo saiu furtivamente da minha boca, Jasmine abriu a porta. Me olhando inexpressiva, ela deu uma olhada para dentro e fechou a porta atrás de si. Dei um passo para trás e ela me encarou silenciosa.
— Hum... Eu vim aqui porque precisamos conversar. – Comecei incerta do que aquilo tudo nos levaria.
— Tudo bem. Pode falar. – Ela respondeu amarga.
— Quero começar te agradecendo por ter me ajudado com a questão do Thomas. Ele realmente estava me apavorando e eu nem saberia como descobrir quem era, até você me revelar.
— Não precisa me agradecer. Eu só fiz o que era certo. – Jasmine cruzou os braços. Apesar das suas palavras leves, nada era claro em sua expressão. — O que vocês vão fazer a respeito? – Perguntou curiosa, olhando para além de mim.
— Meu irmão é policial. Ele vai tentar descobrir, com alguns contatos, aonde o Thomas se meteu. Quer dizer, eu e o Alek fomos até a casa dele naquele dia, mas ele sumiu. Não deixou nenhum rastro. – Falei me arrepiando por lembrar. Jasmine abriu levemente a boca de surpresa.
— Nossa... – Suspirou alto. — Não imaginava que ele faria isso. Que bom, na verdade, mas acho que ele deveria pagar por tudo.
— E ele vai, se tudo der certo. – Falei meio engessada. Essa conversa toda estava sendo bem diferente do que eu imaginava. — Bom, Jasmine, mas não foi só pra isso que eu vim. Quero também te pedir desculpas por toda a acusação de que você era essa pessoa dos presentes ruins. O Alek disse aquelas coisas e, no estado que eu estava, acabei me levando pela ideia.
— Você pode ser bem influenciável mesmo. – Ela respondeu colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. O que ela queria dizer com aquilo? Abri a boca para tentar responder, mas ela interrompeu: — Flora, você não precisa sentir pena de mim, ok? Nós não somos nada. Eu só te ajudei porque o Thomas estava sendo um saco com toda aquela obsessão por você, mas eu superei tudo isso e agora não quero mais problemas.
Por que ela estava sendo tão grossa? Eu não havia dito nada ofensivo, e realmente havia vindo com a intenção de paz.
— Eu não tenho pena de você. De verdade. Sei que você me acha uma megera por estar com o Alek e ter ficado com ele daquele jeito na primeira vez, mas depois de ouvir o motivo do rompimento... – Comecei e ela completou:
— Você ficou com pena de mim. Certo. – Jasmine disse balançando a cabeça e batendo uma palma audível. — Ouça, Flora: eu não me arrependo de nada, e não sou mais a mesma Jasmine que já namorou o Alek. Ainda amo aquele desgraçado, mesmo ele não merecendo, – Seu olhar era duro ao dizer aquilo. — Mas você sentir piedade pelas coisas que aconteceram antes de você chegar, não faz sentido.
— Eu não quero ser sua amiga. – Falei alto. Por que ela tinha que ser daquele jeito? — Eu só queria vir aqui e fazer as pazes. Nada além disso. Não quero mais ameaças, brigas nem olhares tortos. Me arrependo por termos brigado por causa dele, ok? Realmente me arrependo, e coloquei em jogo nosso relacionamento por causa do que você contou. Então se você puder me dizer o que realmente está rolando aqui, eu vou embora.
— Está rolando que eu não quero que você se faça de boa samaritana pro Alê. – Ela respondeu apontando o dedo para mim. — Não precisa ser aquela "boa pessoa" – Disse fazendo aspas — Que vira melhor amiga da ex do atual. Se ele realmente quer você, eu não vou fazer mais nada pra impedir. Nada. Mas não me venha com esse papo de querer ser minha amiga porque é tarde demais para isso.
— Meu Deus... – Comecei incrédula. Eu não conseguia acreditar que ela queria que as coisas fossem daquela maneira.
— E por mim estará tudo bem – Jasmine me interrompeu com uma mão na maçaneta da porta — Desde que você e ele me deixem em paz daqui em diante. – Ela entrou para dentro me deixando estupefata.
Não demorou para que eu ficasse com raiva. Talvez fosse até o tipo de raiva que Alek dizia tanto sentir. E era errado. Era errado como o inferno. Mas eu não me importei com aquilo naquela hora. As coisas haviam saído do controle. Eu realmente acreditava que tinha bondade além do que eu havia visto na Jasmine. Mas pelo jeito ela estava ressentida demais para direcioná-la a mim.
Dei as costas para a casa, indo de encontro ao Alek que sussurrou um "eu disse" com a cara mais lavada do mundo.
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Oii amores!! Agora vai a enquete de um milhão de dólares: quem você acha que está com razão nisso tudo? Jasmine ou Flora? E por quê?
Comentem, por favor, quero ouvir a opinião de vocês!! Hahaha