Capítulo 52

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Eu estava empolgada. Estava excitada, ansiosa e feliz. Estava com um monte de sentimentos empilhados que precisavam ser aliviados ou empilhados corretamente.

Eu tinha plena noção de que meus dias de férias estavam contados. Faltava pouco até que eu tivesse que voltar para minha verdadeira casa, por isso precisava aproveitar cada segundo. Havia aproveitado a noite anterior até o último suspiro. E esta manhã também. Meu fôlego e de Alek haviam se misturado de um jeito que seria impossível separar. E eu estava gostando disso. Estava gostando de me sentir mais madura, de estar tirando alguma experiência dessa viagem louca e não tão mais sozinha.

Eu e ele nos amamos por horas, matando a saudade reprimida. Alê foi embora perto das nove da manhã me deixando com um sorriso estampado no rosto. Depois disso, sabia que precisava escrever. Como não havia programado nada para o dia, o novo plano era mais do que perfeito.

Estava com a cara grudada no computador,  mais pensando do que escrevendo, quando ouvi meu celular apitar com a chegada de uma nova mensagem.

Você está transando tanto que não está com tempo de sobra para conversar com a melhor amiga.

Ri após ler a mensagem da Kristie. Deus, só ela para me fazer dar risada e me sentir culpada.

Me perdoa! Saudadessssssss! Respondi na mesma hora.

Tudo bem. Se eu estivesse com aquele pedaço de mau caminho, também esqueceria de você. =)

Gargalhei alto ao receber outra sms. Ela e sua bissexualidade me faziam imaginar as loucuras que ela passava. Digo, se já era difícil só com homens, imagina com homens e mulheres? Tinha que ter fôlego!

Já se esqueceu da Anna? Repliquei tentando entrar no assunto. Ela não havia me dado mais detalhes, e eu também não havia conversado com minha "cunhada" para descobrir.

Já esqueceu que tem um livro para ser escrito? Kris respondeu e eu fiz biquinho. Larguei o celular sabendo que ela entenderia a falta de resposta. Nossa amizade era assim.

Olhei para a tela sorrindo com a quantia de texto pronto. Eu já tinha muitos capítulos prontos, o que era um bom sinal. Meus protagonistas já haviam enfrentado o primeiro grande drama e isso significava que o fim estava perto. Talvez eu até tentasse colocar mais alguma coisa que fizesse os leitores odiarem o protagonista. Talvez. Por isso, voltei a digitar. Eu gostava de como havia conseguido recuperar o ritmo.

Como professora e escritora durante uma vida inteira, eu tinha técnica de sobra. Eu sabia disso no dia em que pisei no litoral. Mas agora, o que eu mais desejava, havia retornado: imaginação. Isso sim rendia bons capítulos e capítulos extensos.

Durante a escrita não conseguia parar de pensar no Alê. Era inevitável não transmitir suas características para o personagem, e aos poucos fui percebendo como a mocinha era um pedaço de mim.

Sim, sabia que aquilo não era uma autobiografia nem que um romance poderia ser cem por cento real. Até porque a vida não fazia jus aos livros. Mas de nada custava produzir um conteúdo que me fizesse suspirar.

Conforme o tempo passava, eu revezava minhas horas entre reler meu primeiro livro, ler o novo e ir escrevendo. Era um processo delicado que não poderia ter falhas. Eu lia meu primeiro livro para identificar os pontos que o fizeram se tornar um best-seller e lia o novo para que fosse o mais parecido possível com um espelho. Não precisava ser idêntico, mas tinha que ser algo que caracterizasse meu estilo criativo.

Acreditava estar conseguindo isso conforme o conteúdo de Envolvidos ia ficando maior. Só teria a certeza assim que a leitura crítica fosse feita, mas por enquanto eu poderia me virar bem. Estava achando o processo proveitoso, uma vez que o dia estava ensolarado e eu tinha a certeza de que veria Alê pela noite. Isso sim me fazia pensar em mil e uma coisas. Entre um lanche e outro, eu ia engordando o texto e tornando-o mais e mais romântico.

Era algo que minhas leitoras gostavam: muito romance com ação ao redor. Não que eu houvesse postado em minhas redes que um novo livro estava a caminho, mas conhecia-as tempo suficiente para saber dos pequenos detalhes.

Eu estava tão absorta descrevendo como havia sido maravilhosa a declaração de amor dos protagonistas que mal ouvi um barulho lá fora. Somente minutos depois é que uma luz se acendeu em minha cabeça achando que alguém estava por perto.

Intrigada, deixei o notebook de lado e espiei pela cortina da sala. Eu torcia para pegar quem quer que fosse no flagra, mas não consegui. Tudo que pude ver foi a característica caixa dourada parada pouco longe da minha porta.

Olhei para o celular me assustando com o horário. O crepúsculo começava a dar suas caras e logo Alek estaria aqui, mas eu me viraria com isso por hora. Sabia que ele ficaria tão irritado que seria capaz de fazer uma besteira.

Eu estava irritada também, é claro. Mas estava muito mais determinada a encontrar pistas para descobrir quem era o admirador ruim. Abri a porta sentindo um vento gelado passar por mim e me agachei examinando a caixa de longe.

Lembrando-me dos conteúdos anteriores, voltei para dentro para buscar uma colher de pau. Esticando-a a ponto de abrir a tampa e senti um cheiro ruim no ar. Me levantei cuidadosamente espiando o conteúdo.

Coloquei a mão na boca enojada. Havia um bolo escuro com a frase "você vai pagar" em branco. Mas a "grande cereja" eram lavas que devoraram cada pedaço dele. Elas se remexiam aos montes fazendo um som irritantemente meloso.

Puxei a tampa novamente com a colher enquanto uma ânsia subia em minha garganta. Tampei aquilo empurrando um pouco para longe e vomitei ali mesmo em frente à porta.

 Tampei aquilo empurrando um pouco para longe e vomitei ali mesmo em frente à porta

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Na Sua Onda [COMPLETO] (Irmãos Soaint 1)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora