📚 LIVRO 1 DA DUOLOGIA IRMÃOS SOAINT
Flora é professora de português e escritora com um grande bloqueio criativo. Agora, três anos depois de lançar seu primeiro livro que se tornou best-seller, ela está passando as férias em sua casa no litoral com...
— Nem por um milhão de reais você vai me convencer a fazer isso! – Argumentei em negativa pela segunda vez.
— Você é muito chata, viu? Por que a relutância? – Alek perguntou e deu um beijo no meu ombro. Estava querendo me convencer com carinhos, e eu deixaria. Estava só fazendo um charme passageiro.
— Porque não estou a fim de suar e cansar quando posso ficar com você deitada nesse sofá. – Falei e apertei nossas mãos. Nossos dedos entrelaçados eram uma prova viva de que tudo aquilo era real.
— Amanhã é meu último dia de férias – Ele falou levantando sua cabeça do meu ombro e me olhando — Você poderia ser mais flexível, para podermos aproveitar ao máximo. – Ele tinha olhos convincentes o suficiente. Sua cara de pidão me fez querer mordê-lo.
— Tudo bem, tudo bem. – Repeti — Vamos.
Alek me deu um selinho e foi para o quarto. Não passava das nove quando finalmente cedi para que fôssemos subir o morro. De acordo com ele, o lugar era tranquilo e parte da subida tinha asfalto. Muita modernidade para o meu gosto.
Eu queria muito ir. Precisávamos de mais tempo juntos e, como ele havia dito, aproveitar ao máximo isso. Alek dissera que estava combinando um dia especial para amanhã, e meu estômago se retorcia só de pensar. Seria inesquecível, sem dúvidas.
As coisas estavam como eu desejava, finalmente. Tudo estava resolvido e nós havíamos jurado não estragar nossa relação pelo que quer que fosse. Eu não havia tocado no fato de que ele havia me chamado de namorada. Era muito cedo para isso, no fim das costas.
Meu coração acelerava de uma forma estranha cada vez que eu pensava no assunto, e havia chegado a admitir para mim mesma que era isso que eu queria. Ser sua namorada. Mas sabia que, para chegar até esse estágio, as coisas iriam a passos lentos, se não acabassem assim que eu fosse embora.
Estava um pouco cansada de pensar no assunto e de falar para ele que eu tinha em torno de dez dias para arrumar as malas. Era difícil. Tudo havia tomado uma proporção gigantesca, ainda que não fosse oficialmente sério. Tínhamos passado por coisas que pessoas normais que se conhecem há menos de um mês jamais passavam.
— Estou pronto. – Alek falou me despertando dos meus pensamentos. Me levantei assim que o vi, envolvendo sua cintura e levantando o rosto para ganhar um beijo. Ele estava maravilhoso. O sol que entrava pela janela iluminava seu rosto e fazia sua covinha brilhar.
Fui até o quarto e me vesti rapidamente. Coloquei o top de um biquíni e uma regata folgada. O sol passava dos trinta graus lá fora, e eu me arrumei adequadamente. Depois de garantir que Alê também estava com protetor solar, saímos rumo do local turístico.
Chegamos rapidamente de carro até o início do morro e o local estava menos cheio do que eu pensava.
— As pessoas não costumam vir aqui pela manhã. – Alek disse quando começamos a dar os primeiros passos. — O que é melhor para nós. – Ele emendou dando um leve tapa na minha bunda.
— Alek! – Exclamei rindo. Só ele e seu humor safado para me fazer sentir constrangida. — Nem pensar!
Nossas risadas se juntaram conforme caminhávamos. Não demorou muito até que ambos estivéssemos muito suados. A vista era linda, no entanto. Diferente dos outros morros que havia subido na vida, este era claramente limpo e tinha lixeiras nos cantos da trilha asfáltica.
Alek me disse que havia vindo ao morro inúmeras vezes, e eu soube pelos seus olhos que ele era um amante nato de aventuras. Aquele porte físico não havia surgido do nada, afinal. Eu me perguntava como nunca havia visitado o local. A paisagem era belíssima, e o silêncio que nos rodeava era delicioso.
Assim que passamos por um quiosque, Alek informou que estávamos chegando. Tirando a sua blusa suada, ele me olhou firmemente. Não foi preciso que ele dissesse nada, porque meus olhos grudaram em seu corpo automaticamente. Ele deu um sorriso de canto e continuou a caminhar. Retirei minha regata em resposta e ele quase arregalou os olhos. Eu ri por alguns minutos e me surpreendi com o quão bem estava me sentindo.
Feliz. Era isso. Não cansada pela subida de minutos nem triste por tudo que havia acontecido. Eu estava feliz e gostando de me sentir assim novamente.
Chegamos ao topo minutos depois e a visão me fez estremecer as pernas. Era absolutamente maravilhoso. De lá conseguia ver toda a praia e parte da cidade. As coisas pareciam minúsculas e o vento levava embora todo o calor.
Alê me abraçou por trás e encaixou sua cabeça no meu pescoço. Ficamos desse jeito por algum tempo, apenas admirando a beleza em nossa volta. Havia poucas pessoas por lá e aproveitamos para tirar várias fotos, tanto sozinhos quanto juntos.
Um sentimento poderoso se apossou de mim naquele lugar. Uma sensação de paz, de certeza e infinito. Algo incrivelmente grande e que eu jamais havia experimentado. Ao olhar Alek, todas as células do meu corpo pareciam acordar e amolecer juntas. Meu coração batia tão rápido e meus olhos lacrimejavam de um modo intenso.
Era mais forte do que a paixão que eu havia admitido a ele e maior do que eu já tinha sentido por algum ex-namorado. Era um laço que prendia aquele instante ao eterno e sussurrava uma beleza nova aos meus ouvidos e coração. Eu me sentia confortável ali, com ele e com o mar aos nossos pés. Sabia que deveria falar alguma coisa sobre o momento, mas aquilo tudo era tão grande que não saberia expressar.
Depois de estarmos descansados o suficiente, Alek foi até o instrutor de parapente do local. Um ar gelado passou por minha barriga imaginando o que eles estariam conversando. Eu não odiava aventuras, mas isso era demais até para mim.
Assim que ele sorriu afirmativo e voltou até mim, eu já sabia qual seria a pergunta:
— Vamos voar de parapente?
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