Capítulo 29

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— Essa roupa está um pouco apertada. – Menti, sorrindo sem graça e sem coragem de falar a verdade. Não sei de onde havia surgido o medo de que ele me achasse uma boba. Ele me olhou descrente, franzindo as sobrancelhas.

— Hum, se você diz... – Falou me empurrando um pouco para trás, enquanto me olhava por completo. — Mas acho que você e a Anna vestem o mesmo tamanho.

— É que a minha é um pouquinho mais larga, mas posso tentar. Sem problemas. Não está desconfortável. – Sorri sem olhá-lo nos olhos, e caminhei até a porta do carona. — Vamos?

— Vamos – Alek respondeu enquanto entrava no carro.

Ao chegarmos à praia, insisti para que ele fosse surfar um pouco sozinho, pois eu iria comprar uma água de coco. Pura mentira. Eu comprei o coco, mas queria mesmo era vê-lo surfando para ver se pegava algo. Qual é, não poderia ser tão difícil assim. Podia?

Ajeitei-me confortavelmente em cima da prancha na areia e fiquei observando ele. Alek demonstrava habilidade e paixão pelo que fazia. Era incrível poder apreciá-lo em um momento tão íntimo e de conexão com o mar. Enquanto ele entrava nas ondas, seu corpo era tomado por agilidade e conhecimento.

Suas pernas ficavam flexionadas e ele se equilibrava enquanto entrava na crista da onda. Depois que ela quebrava, ele se deitava novamente na prancha, nadando rapidamente até subir novamente. Eu observava cada detalhe, tentando tomar posse do conhecimento.

Deitar na prancha e mover os braços era fácil, mas tive que espremer os olhos várias vezes até identificar como ele subia nela. Empurrando-a para baixo, Alek apoiava suas mãos na prancha e firmava os pés para subir. A partir daí era só técnica.

Enquanto o observava pelo que passou ser uma eternidade, me peguei pensando em nós. Desde que havíamos nos conhecido até o presente momento. Talvez eu estivesse me apaixonando. Não tinha certeza, mas as coisas eram sempre melhores quando ele estava por perto. Já não tínhamos mais idade para jogos, disfarces ou brigas. Mesmo ambos sendo jovens, não éramos nenhum adolescente que sofre se a paixão não vinga. Claro que há um desapontamento, mas eu já não passava mais por isso. Ou esperava não passar mais uma vez.

Os raios de sol banhavam meu corpo e eu me deixei levar pelo som do mar. Fechei os olhos e afundei os dedos na areia. Senti alguém se sentar do meu lado, e sabia que era ele pelos pingos de água que caíram em mim, mas não abri os olhos. Se abrisse, sabia que perderia aquele momento, e eu tinha que aproveitá-lo enquanto tinha a oportunidade.

— Que visão maravilhosa. – Ouvi-o dizer após alguns minutos e voltei à realidade. Mirei o mar e afirmei com a cabeça. — Não estou falando daquela. – Ele disse puxando meu rosto com as mãos e me beijou. Um beijo salgado, com gosto de mar. E eu aproveitei cada pedacinho dele.

🌊    

— Vamos! – Alek falou pela terceira vez, após nos deliciarmos com a companhia um do outro na areia. — Chega de enrolação. – Se levantou com sua prancha em mãos, e eu fiz o mesmo. Era agora ou nunca. Eu sabia que devia falar a verdade, mas talvez surfar não fosse um bicho de sete cabeças. Eu poderia dar conta, afinal.

Saímos correndo em direção ao oceano e nos jogamos em cima da prancha e começamos a nadar. Acompanhei Alek até ele parar, fingindo que tinha certeza do que fazia. Ele sorria o tempo todo, e eu me deixei levar. O mar era meu amigo, e eu estava mais do que bem acompanhada.

Assim que uma onda começou a se formar em nossa direção, aumentamos a força da remada. Quando ela se aproximou, repeti o movimento que havia o visto fazer, mas falhei feio. Minha mão escorregou e logo dei com o rosto na prancha. Por um segundo me desestabilizei e tomei um gole de água, e Alek prontamente se aproximou me levantando.

— Você está bem? – Disse preocupado, com os olhos estreitos.

— Estou. Só escorreguei. – Forcei um leve sorriso. Assim que ele se conformou, continuamos com o surfe e, na terceira tentativa, consegui subir em cima dela. Não me levantei completamente, mas já me sentia vitoriosa. Alek me mandava sinais positivos um pouco distante, e passei pela onda sem cair.

Ficamos algum tempo assim, e eu consegui surfar mais algumas vezes sem cair. Eu contaria a verdade mais tarde. Estava ocupada demais sendo feliz.

🌊    

Assim que minhas pernas começaram a doer, dei um grito para Alek vir até mim. Estávamos distantes da areia, então o convidei para ir mais pra frente. Assim que fomos até uma parte tranquila, descolei o leash do meu tornozelo e ele fez o mesmo. Sentamo-nos na prancha um de frente para o outro e eu suspirei cansada.

— Até que você foi bem pra quem nunca surfou. – Ele disse e eu fiquei boquiaberta. Era óbvio que ele havia reparado, sendo alguém com experiência. Mas mesmo assim eu neguei.

— Acho que você está enganado. Eu sei surfar, sim, senhor. Só não surfava há meses, mas não perdi a prática. – Falei autoritária, enquanto Alek cruzava os braços e gargalhava.

— Vou acreditar em você. Só hoje. Mas com uma condição – Ele levantou o indicador: — Só se você me der um beijo daqueles. – Foi a minha vez de rir. Não era possível que ele fosse tão descarado assim!

— Tudo bem, eu faço esse sacrifício. – Respondi encontrando seus olhos, enquanto ia com meu corpo para frente.

Era incrível como a cada encontro com sua boca meu corpo respondesse de forma tão diferente. Cada músculo despertou dentro de mim e eu me arrepiava em pleno calor de trinta e cinco graus. Nos beijávamos na imensidão azul, e eu só queria mais e mais. Seus braços contornavam meu tronco e me puxavam para o mais próximo possível, enquanto eu descobria cada canto daqueles lábios grossos.

Terminamos o beijo com selinhos ao mesmo tempo em que ele acariciava meu rosto. Sorrimos com a sensação, mas ela foi embora rapidamente. Assim que encontrei o escuro dos olhos de Alek, uma onda veio para cima de nós.

Traiçoeira, ela me levantou para o fundo e para longe dele. Bati os braços desesperada tentando voltar para a superfície, mas algo me empurrava para baixo, esmagando minha consciência. O pânico tomava conta de mim, mas eu já não tinha forças para nadar, e cada célula do meu corpo amolecia aos poucos. Tentei abrir a boca e chamar por socorro, mas era tarde. Engoli mais um pouco de água e senti meu peito esmagar.

Meus sentidos estavam adormecendo, e eu estava me afogando.

Meus sentidos estavam adormecendo, e eu estava me afogando

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Na Sua Onda [COMPLETO] (Irmãos Soaint 1)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora