📚 LIVRO 1 DA DUOLOGIA IRMÃOS SOAINT
Flora é professora de português e escritora com um grande bloqueio criativo. Agora, três anos depois de lançar seu primeiro livro que se tornou best-seller, ela está passando as férias em sua casa no litoral com...
— Eu não vou dizer que você tem toda a razão do mundo, Flora. – Meu irmão disse enquanto enrolava macarrão em seu garfo. — Entendo seus motivos como ninguém, por isso acho que o melhor a se fazer agora é tranquilizar sua mente.
Lian e eu estávamos em um restaurante tranquilo beira-mar. Era incrível como meu irmão tinha o poder de me acalmar somente estando perto. Com ele, eu podia ser quem era. Sem julgamentos ou atitudes precipitadas, porque ele me conhecia. Conhecia coisas sobre mim que nem eu mesma tinha consciência.
Eu encarava seus olhos verde-escuros enquanto uma tranquilidade tomava conta de mim. Lian havia puxado nosso pai, com certeza. Mesmo sentado, sua altura era notavelmente maior que a minha, e sua barba rala lhe dava um ar sério.
Enquanto ele era duro e compreensivo como meu pai, eu era firme e emotiva como minha mãe. Certamente os opostos se atraíam naquela família. Deixei um sorriso tomar conta do meu rosto e ele parou de mastigar por alguns segundos.
— O que você está tramando, hein? – Li disse e uma risada mansa percorreu seus lábios.
— Nada, nada. – Falei enquanto pegava os talheres nas mãos novamente. — Só estou feliz que esteja aqui.
— Eu também, conchinha. – Ele disse e não demorou muito até que caíssemos na risada.
"Conchinha" foi o apelido que Lian dera a mim no primeiro ano que viemos à praia. Como ainda éramos jovens e sem preocupações, saímos todo fim de tarde para juntar conchinhas na praia. É óbvio que a ideia foi minha. A irmã mais nova e ainda romântica.
Demorou alguns dias para convencê-lo, mas depois disso se tornou nossa rotina. Procurávamos conchas na areia da praia e guardávamos as mais bonitas em um jarro grande de vidro. Ainda guardo o jarro na sala da minha casa, para não me esquecer da beleza daqueles dias.
Eu era insistente, e contava muitas histórias sobre sereias e piratas. Sempre envolvendo conchas. Hoje sei que não eram histórias mirabolantes, mas ele gostava de ouvi-las. E eu de contá-las.
🌊
Depois do almoço, decidimos sair para caminhar enquanto o sol nos tocava com seus raios quentes. Insisti para que meu irmão contasse todas as novidades sobre meus amigos e a família. Ele se esquivou um pouco, mas acabou cedendo.
Contou sobre como meu pai e minha mãe andavam trabalhando como loucos ainda. Insistíamos para que diminuíssem o ritmo, mas era difícil entrar naquelas cabeças duras. Lian também contou como Adam andava afastado, e evasivo em muitas conversas. Fiz uma anotação mental para lembrar de ligar para ele mais tarde. Havíamos nos falado muito pouco após sua visita.
Li também contou que Kristie estava como sempre: trabalhando e curtindo. Cheguei a perguntar se ele sabia de algum envolvimento romântico que ela poderia estar tendo, mas ele disse que não sabia de nada até então. Talvez Anna tivesse laçado seu coração, afinal. Era um detalhe que eu precisava descobrir.
No fim, insisti para que ele contasse sobre seus envolvimentos românticos, e ele vestiu sua máscara carrancuda. Até tentou fugir, mas não conseguiu. Admitiu que estava com uma tal de Karen há dois meses, e que realmente estava gostando do rumo que estavam indo. Fiquei feliz por ele, e esperava que fosse a pessoa certa, depois de tantas turbulências.
🌊
Acabamos passando a tarde inteira jogando papo fora e aproveitando a brisa do mar. Fizemos longas caminhadas ao som de Maroon 5 e até catamos algumas conchinhas como nos velhos tempos.
Assim que o céu começou a se apagar, decidimos que era hora de voltar para casa. Depois de tomarmos banho e eu tê-lo ajudado a guardar as roupas de sua mala, fomos para sala assistir algum filme. Mas não durou muito. Em determinada cena (que não tinha nada de romântica, mas que a protagonista recebia uma rosa de um sujeito desconhecido na rua), derramei algumas lágrimas. Lian foi surpreendentemente rápido em notar, e limpou-as do meu rosto.
— Desabafa, Flora. – Ele disse enquanto me aninhava em seus braços, e eu expus toda a minha agonia.
— Eu não consigo mais, Li. Não consigo mais progredir aqui. As coisas estavam ficando realmente boas até eu descobrir o motivo que fez Jasmine e Alek terminar. Você sabe como me sinto quando alguma mulher é magoada, não sabe? – Olhei para cima encarando-o e ele afirmou com a cabeça. — Eu não consigo deixar para trás porque me coloco no lugar dela. Ele era o homem que ela amava e confiava, e ele simplesmente destruiu isso. E se for o mesmo comigo? Eu não quero entrar em um relacionamento sabendo que isso poderá acontecer.
— Então você quer ter algo sério com ele... – Lian disse baixinho, tentando fazer com que suas palavras não me agredissem.
— Eu não sei. Sinceramente. Eu gosto muito dele, de um jeito medroso, sabe? As coisas aconteceram tão rápido, que ao mesmo tempo acho que posso estar errada em gostar ou achar que ele poderia querer saber de mim de novo.
— Mas ele quer. Homem não desiste fácil. Se ele veio aqui se explicar, é porque se importa. Caso contrário, ele estaria com outra em um minuto. – Meu irmão disse. E ele deveria saber do que estava falando, afinal, ele e Alek tinham quase a mesma idade.
— Eu sei. – Falei pesarosa. — Você acha que estou sendo estúpida com esse sentimentalismo todo? – Disse me desvencilhando de seus braços e encarando seus olhos sérios.
— Acho que toda história de amor começa complicada mesmo. – Lian disse, e eu não sei o que me surpreendeu mais: se foi sua crença no romantismo (pela primeira vez, até onde sabia) ou se porque as palavras eram extremamente parecidas com as que ouvi de Leo dias atrás.
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Bom dia, amores!! Que saudade ♥
Quem mais quer guardar o Lian num potinho, hein?? hahahah