Capítulo 35

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Capítulo dedicado as meninas do grupo do whatsapp ♥

Acordei me sentindo revigorada no dia seguinte. Permiti-me dar um sorriso assim que vi o sol no alto do céu. Pulei da cama com disposição e liguei uma balada animada no último volume do celular enquanto entrava no banheiro.

Tomei um longo e relaxante banho ao som de Vintage Culture e até tentei requebrar o quadril além do que já sabia. Estava me sentindo bem. Muito bem. De volta ao meu estado de ânimo normal.

Após colocar algumas roupas confortáveis e fazer a organização da casa, fui ao supermercado. Não me lembrava da última vez que havia feito isso. Tinha sérias suspeitas de que durante meu período por lá, não havia feito compras. Para minha surpresa, assim que saía de mãos cheias de sacolas, encontrei Leo. Meu amigo da banca de jornais parecia animado, e eu retribuí aos seus sorrisos.

— Lindo dia, hein, Flora? – Ele falou me cumprimentando com um beijo leve na bochecha.

— Lindo mesmo, Leo. Estou até me animando para preparar alguma comidinha especial hoje. – Sorri tanto que minhas maçãs do rosto chegaram a doer. Leo ficou me observando por alguns segundos, talvez achando estranha toda aquela excitação.

— Vejo que alguém está fazendo você muito feliz, Florinha. – Leo falou dando uma piscadinha enquanto colocava suas compras no carro.

— Muito pelo contrário, Leo. Muito pelo contrário. – Pisquei para ele também, enquanto dava as costas para ele e caminhava em direção ao meu lar.

A viagem a pé não foi longa, e eu aproveitei cada segundo. Não havia percebido o quanto sentia falta das coisas simples, como fazer uma caminhada em uma rua tranquila. Em minha rotina da cidade grande, vivia dentro de um carro e quando não estava dentro dele, os passos eram apressados.

Assim que terminei o café da manhã, o carteiro buzinou. Lembrei-me então de que havia encomendado alguns exemplares do meu primeiro livro publicado. Depois de assinar o recebimento e conferir o material, levei os livros até a banca.

Cheguei até a beira da praia suando como só os quase quarenta graus poderia queimar, mas logo me recuperei com uma água de coco. Leo e eu trocamos algumas palavras enquanto ele organizava os livros na fileira da frente das suas prateleiras.

Depois de confirmar que eu realmente estava bem, e não "doidinha" (palavras dele), fui ao mar dar um mergulho. Enquanto as águas lavavam meu corpo, eu permitia que elas também sarassem minhas feridas. Água salgada era assim. Tinha esse poder.

Mas não demorou muito até que o tempo fechasse. Sentindo uma garoa fina cair em meus ombros, corri de volta para casa e tomando um susto assim que cheguei perto da porta. Uma caixa com embalagem dourada estava perfeitamente posicionada sob o tapete.

Encarei-a por alguns segundos decidindo se iria abri-la ou não, mas a curiosidade foi maior. Dei um chute leve na caixa na tentativa de ouvir se algo se mexeria, como da outra vez. Após o terceiro chute, tinha certeza de que nada havia feito barulho, então me agachei.

Abri a tampa cuidadosamente, caindo para trás com um gosto azedo na boca e minha paz indo embora. Um pássaro estava morto dentro da caixa de papelão. Senti as lágrimas brotarem em meus olhos ao mesmo tempo em que tapava minha boca. As coisas estavam ficando assustadoras.

Depois de passar o susto inicial, olhei o pequeno animal novamente. Para meu alívio, nenhum sangue estava aparente, mas isso só podia significar uma coisa: que alguém havia torcido seu pescoço. Enchi-me de raiva após a constatação. Eu tinha que fazer alguma coisa! Tinha!

Levantei com a caixa em mãos, indo atrás de uma pá nos fundos da casa. Abri um buraco na terra molhada e depositei o bichinho lá dentro. Tampei o buraco enquanto ateava fogo na caixa, debaixo dos telhados para que tudo saísse conforme o planejado.

Corri para dentro depois de terminado e tomei um banho ligeiro, vestindo as roupas desajeitadamente. A ira percorria cada veia do meu corpo e o acerto de contas teria que ser feito. Busquei pelas gavetas o cartão do táxi que havia me trazido da casa de Jasmine, e disquei o número dizendo que precisava de uma corrida urgente.

Não demorou muito até que ele chegasse e lembrasse de onde havia me pego. Se ela não estivesse em casa, a procuraria até o inferno. Eu havia sido um tanto paciente quanto a tudo isso, mas havia cansado. Ninguém brincaria com a minha cara e se safaria da merda.

🌊   

— Você tá louca, porra? – Jasmine gritou assim que abri a porta da casa dela.

— Chega dessa babaquice, Jasmine. Você já foi longe demais com isso. Obviamente me envolver com Alek foi um erro dos grandes, mas acabou e você tem que parar. – Eu gritava sem me importar com seus familiares me lançando olhares. Ela me interrompeu assim que ofeguei:

— De que caralho você está falando? – Disse se levantando e me confrontando de perto.

— Dos bichos que você anda mandando pra minha casa. Primeiro sapos e agora um pássaro morto. Você é louca. – Falei empurrando ela para trás. — Você é uma maníaca e tem sérios problemas para sentir prazer fazendo coisas desse tipo! – Eu disse enquanto o pai dela se aproximava na intenção de me tirar da casa.

— Eu não sei do que você ta falando, Flora. Que merda. Primeiro o Alek vem aqui dizendo coisas, agora você. Mas não sou eu! Não sou eu! – Ela gritou e seu rosto já estava vermelho. Mas tão rápida quanto sua ira, foi a mudança da sua expressão. Ela piscou lentamente algumas vezes e pegou uma bolsa em cima do balcão. Eu percebi a mudança e fiquei em silêncio.

Eu tinha errado, então? Feito acusações sem pé nem cabeça? Ou será que ela estava mentindo mais uma vez?

— Mas eu acho que sei quem foi. – Jasmine disse após alguns segundos, com o rosto pálido. — Eu resolvo isso. – Falou enquanto corria para fora.

Não demorei a correr atrás dela, mas ela estava sendo mais rápida e entrou em uma rua desconhecida. A chuva havia cessado e eu apoiei as mãos nos joelhos respirando cansada. Voltei até o táxi em frente a casa dela e entrei silenciosa. O motorista não ligou o carro e não me perguntou nada.

Peguei meu celular no bolso e disquei para um telefone que não ligava há muitos dias. Após o terceiro toque, a pessoa atendeu e eu falei:

— Oi, me passa seu endereço.

Enquanto eu ouvia, repetia para o motorista. Talvez fosse uma atitude precipitada, ou louca, como havia ouvido várias vezes naquele dia. Mas eu não aguentava mais, e precisava liberar toda a tensão que estava me crucificando.

Assim que a porta da casa foi aberta e eu vi o cabelo claro bagunçado, falei num sorriso só:

— Oi, Thomas.

— Oi, Thomas

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Na Sua Onda [COMPLETO] (Irmãos Soaint 1)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora