Capítulo 26

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Depois do café da manhã, enquanto Kristie conferia seus e-mails, aproveitei para continuar escrevendo meu livro Envolvidos. Eu já tinha uma quantidade considerável de palavras escritas, mas ainda estava no começo do processo. E além do mais, eu não podia ficar somente a espera de Alek para ter inspiração para produzir. Não era assim que as coisas funcionavam. Portanto, eu tinha que colocar a mão na massa.

Dei uma relida rápida no que já havia produzido e no rascunho de ideias que havia feito à mão. Tudo ainda estava meio solto, mas eu já tinha uma noção geral do que escreveria. Assim como Reviravoltas em Berlim, este seria um livro com muitas tramas, mas romântico. Se a primeira vez havia dado certo, eu tentaria uma segunda com o mesmo método. Claro que não era uma garantia de sucesso, mas eu tinha certeza que meus fãs me apoiariam.

Logo após fazer a revisão, comecei um novo capítulo. Dessa vez meu protagonista Erik estava em apuros durante a viagem com sua amada. Ele havia perdido o caminho do hotel e já era tarde da noite. Acrescentei algumas boas doses de um leve suspense; o suficiente para um romance, e então segui me concentrando em suas emoções.

Depois de finalizar a escrita desse acontecimento, dei espaço para um novo capítulo e Kris se sentou do meu lado.

— O que você tem aí? – Ela disse se apoiando em mim para ler as linhas que apareciam na tela.

— Minha segunda opção. O livro para o qual eu corri já que a primeira opção não deu certo. – Eu abri um pequeno sorriso misturado com um pouco de rancor ao lembrar das palavras dela.

— Está muito bom, pelo jeito. Ficarei ansiosa para vê-lo pronto. – Ela disse tomando o notebook para seu colo e fechando o programa de escrita. Virou-se para mim: — Olha, Flora, eu sou sua amiga há anos. Eu sei que você ficou magoada. Talvez eu tenha sido um pouco dura nas palavras, mas foi com a melhor intenção. – Uma fagulha se acendeu dentro do meu estômago, queimando e subindo pela garganta. — Se tiver algo para perdoar por causa disso, eu espero que você perdoe.

Uma lágrima veio à tona. Apenas uma gota, de toda a enxurrada que estava guardada nos meus olhos, e que não tinha o direito de sair naquele momento. Eu acreditava cegamente no discurso de perdão dela, e talvez estivesse sendo uma boba por levar um "não" tão ao pé da letra, mas com todos esses anos esperando por uma produção inédita, acabou doendo.

Passei a mão pela lágrima limpando-a, e com a outra mão peguei na mão da minha amiga.

— Está tudo bem. Juro. Não tem nada a ser perdoado. – Olhei-a nos olhos. — Já estou me empolgando com esse novo livro, e você tem que adivinhar de onde tirei a inspiração. – Abri o maior dos sorrisos, dando espaço para um novo assunto.

— Você precisa me mostrar esse Alek, pelo amor da deusa! – Ela disse e o assunto da rejeição caiu por terra. Afinal, eu tinha coisas muito mais interessantes para colocar em dia com ela.

  🌊  

Enquanto eu passava a segunda camada de batom, Kristie estava jogada na cama. Faltava duas horas pro show começar e ela nem havia começado a se arrumar. Dizia que estava péssima, e que seria melhor ficarmos em casa. O que jamais aconteceria comigo por perto.

Pela tarde havíamos ido à praia e bebido algumas caipirinhas enquanto pegávamos um bronze. Kris havia se descuidado e estava vermelha, mas não tanto a ponto de parecer um camarão. E agora ela reclamava da quantia que havia bebido.

— Acho que você perdeu o jeito, Kris. – Eu disse me olhando para o espelho, retocando os últimos detalhes. — Acho mesmo. Eu que não exagero há anos ainda estou em forma. – Sorri e dei uma piscada para ela. As coisas estavam mais leves e eu me sentia como uma pena ao vento. Adorava a sensação que a bebida causava no meu corpo.

Começava com um formigamento pela estranheza do álcool entrando, mas logo eu relaxava. Minha voz ficava mais arrastada e tudo ficava no automático.

— Anda, levanta daí. – Eu fiz uma cara brava e levantei-a da cama. — Vai tomar banho que não temos tempo de sobra. - Falei insistente. Se eu não desse uma dura, ela não levantaria.

Enquanto ela estava no banheiro, conferi as últimas mensagens do meu celular e verifiquei novamente o look. Eu usava um body vinho cavado e um short rasgado. As roupas ideais para o calor que fazia. Depois de tirar algumas fotos, fui até a cozinha pegar mais uma cerveja. Devo ter tomado umas três entre o tempo de a minha amiga estar tomando banho até pegarmos o táxi rumo ao local. Quando chegamos lá, faltava pouco menos de meia hora para o show iniciar, e estava lotado.

Não perdi tempo indo até o bar com Kristie. Ela havia voltado ao seu ânimo normal, e dei graças a Deus pelo fato de ela não me encher o saco pela bebida. As pessoas constantemente faziam isso, depois do meu período "exagerado". Admitia que eu não sabia me controlar, mas hoje estava apenas Kristie e eu, no verão em pleno litoral, rodeadas de pessoas bonitas. Eu é que não ficaria na miséria.

  🌊  

— Viva! – Eu disse arrastando a palavra e brindando minha dose de vodka no copo de plástico de Kris.

— Viva nós! – Ela respondeu animada, sorrindo de orelha a orelha. Luiza tocava ao fundo, e nós aproveitávamos cada segundo. Já havia perdido a conta de qual dose estávamos. Enquanto a música entrava por nossos ouvidos, eu comecei a dançar. Com uma paz imensa, jogava meus quadris para lá e cá, ao mesmo tempo em que cantava junto com Possi.

— Eu preciso beijar uma boca. – Falei de repente com a cara mais triste do mundo. Era sempre assim: a bebida entrava, a carência saía. Tomava conta de todos os cantos de mim.

— Amiga, olha aquele cara maravilhoso olhando para você. Se joga! – Kristie praticamente gritou as últimas palavras, enquanto cantava e pulava, mesmo que a música não fosse tão agitada.

Eu comecei a olhar para o homem que ela apontou. Ele era realmente lindo, e eu não havia reparado até então. Nossos olhos se encontraram e um arrepio subiu por mim. Ele era moreno e tinha os olhos mais penetrantes que eu havia encarado. Mas meu tesão murchou quando ele chegou do lado e disse:

— E essa boca aí, tem dono? – O desconhecido sussurrou e eu cheguei a me perguntar se estávamos em um show sertanejo. Não era possível que ele havia chegado a mim assim. Mas com a bebida em minhas veias, comecei a me perguntar se, apesar disso, não deveria dar uns amassos nele.

— Tem. – Ouvi a voz grossa de Alek dizer, enquanto ele envolvia o braço em minha cintura. 

 

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Na Sua Onda [COMPLETO] (Irmãos Soaint 1)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora