Capítulo 61

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Alek era incansável. Depois de eu ter negado inúmeras vezes e de diversas formas, ele ainda insistia no convite. Com os mais variados argumentos, ele conseguiu me convencer no fim. Desta vez eu não estava fazendo charme e não tinha a intenção de aceitar, mas todo mundo no lugar olhava para nós de forma cansada.

Por fim, aceitei. Alek disse que faríamos um voo duplo. Soube no mesmo instante que me agarraria a um estranho com todas as minhas forças devido ao receio, mas ele me informou que tinha habilitação para voar (o que ele não havia feito, afinal?). O instrutor responsável era um amigo de longa data e Alek disse que nas suas folgas também trabalhava como instrutor. Por isso, o dono do local disponibilizou um dos parapentes para nós.

Eu não podia negar que estava sentindo medo. Estar no topo do morro era uma coisa, saltá-lo era outra. Eu jamais havia feito um voo livre, e tinha náuseas só de andar de avião, mas não disse isso a ele. Apesar do frio na barriga, depois de dizer o "sim", fui com a cara e a coragem me preparar.

O sorriso do Alê ia de orelha a orelha. Fomos até o local de preparação e ele me ajudou com tudo. Coloquei o capacete, óculos de sol e as cintas de perna com o apoio que viria a ser o assento. Alek calçou as botas de proteção e se posicionou atrás de mim. Colocando seus equipamentos e conectando nossos cintos, ele sentou em uma espécie de cadeira e colocou os óculos de sol. Eu sorria nervosa quando ele terminou a preparação e disse que poderíamos ir.

Respirei fundo e só notei que minhas mãos estavam tremendo levemente quando ele juntou as suas nas minhas.

— Não precisa ficar nervosa. – Alek disse dando um beijo na minha bochecha. — Vai ser inesquecível.

— OK – Falei — Vamos nessa!

Começamos a correr e conforme o fim da rampa chegava, meu coração acelerava mais. Depois de segundos, que pareceram uma eternidade, meus pés estavam no ar.

O que eu sentia era uma mistura de adrenalina com alívio e felicidade. O vento batia em meu rosto e passeava por cada pedaço do meu corpo. A vista era simplesmente incrível. O mar estava mais azul do que nunca e restava só Alek e eu no céu.

Com uma cidade aos meus pés, eu me sentia em paz de novo. Minhas forças se regeneraram aos poucos e uma gratidão intensa pela imensidão a minha volta. O medo sumiu das minhas células aos poucos e eu já nem lembrava o motivo do receio.

Era difícil encontrar palavras para aquele turbilhão de sensações que caminhavam dos meus pés a cabeça. Alek fez algumas manobras para os lados e o frio da minha barriga só aumentava.

Mas ficamos menos do que eu gostaria no ar, e lentamente Alê nos guiou para as areias. Os olhos das pessoas lá de baixo se voltavam para nós e não era nem um pouco difícil sorrir com a situação.

Assim que fomos chegando perto do solo, Alek foi nos parando devagar com os pés até que me juntei a ele e terminamos o pouso. Fiquei em pé extasiada esperando a vela do parapente cair. Ele me abraçou animado enquanto outro instrutor retirava o equipamento de nós.

— Isso foi indescritível! – Falei. — Uma das melhores sensações que provei na vida! – Sorri e olhei para ele. Eu queria pular, gritar e sair correndo tamanha eletricidade passava por meu corpo.

— Eu te disse que seria inesquecível! – Alek falou me puxando para um beijo. Possuídos pela adrenalina, nosso beijo tinha mais química do que nunca e não demorou muito até que ficássemos sem ar.

🌊

— Nosso dia está só começando. – Alê falou se afastando de mim e sorrindo. Encarei seu peito nu por alguns instantes e pisquei lentamente.

— Não me diga que pode ficar ainda melhor... – Respondi ofegante. O carro dele estava parado em uma rua deserta próximo ao morro. Foi fácil ceder ao desejo mesmo dentro do veículo, e nosso prazer se concretizou no banco de trás.

— Sou um homem que adora agradar. – Ele falou se movendo sobre mim e depositando um beijo molhado na curva do meu pescoço.

Murmurei um "uhum" enquanto a tentação tomava corpo do meu corpo novamente.

— Podemos repetir a dose mais tarde. – Alek falou baixinho no meu ouvido. Um arrepio correu pela parte baixa do meu corpo.

— Ou agora mesmo. – Falei animada.

— Mais tarde. – Ele disse me encarando com seus olhos escuros. — E vai valer a pena esperar. – Falou tomando minha boca de novo e engolindo o ar entre nós.

Apesar das minhas tentativas em acabar com minha sofreguidão, Alek desviou gentilmente de uma terceira vez. Disse que havia planejado algo especial e que não poderíamos nos atrasar mais. Com uma curiosidade incomum, insisti para que ele dissesse qual era o grande evento, mas ele se recusou. Era um homem de opiniões fortes, sem sombra de dúvidas.

Vestimos nossas roupas e Alek dirigiu até o outro lado do morro. Uma paisagem totalmente diferente nos aguardava dessa vez. Com um clima ainda mais tropical, árvores ficavam distantes umas das outras e a grama estava bem aparada.

O local estava quase deserto, exceto por alguns casais mais distantes. Alek pegou minha mão e mandou-me fechar os olhos. Caminhamos devagar e ele me encostou em uma árvore. Assim que fui autorizada a abrir os olhos, fiquei emocionada. A sombra da planta se projetava a metros distantes e o sol entrava sorrateiro por entre os galhos que desciam ao nosso redor.

Os olhos de Alek estavam enigmáticos e com uma pitada de ansiedade. Ele retirou o braço de trás das costas, me entregando uma rosa. Sorri amorosamente e olhei para baixo, envergonhada. Foi quando notei o piquenique aos nossos pés e pude jurar que minha respiração falhou por alguns segundos. 

 

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Na Sua Onda [COMPLETO] (Irmãos Soaint 1)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora