📚 LIVRO 1 DA DUOLOGIA IRMÃOS SOAINT
Flora é professora de português e escritora com um grande bloqueio criativo. Agora, três anos depois de lançar seu primeiro livro que se tornou best-seller, ela está passando as férias em sua casa no litoral com...
Eu não tinha dúvidas de que essa era a pior ressaca que eu já havia tido.
A coisa havia sido péssima pela noite, eu sabia. Tive ainda mais certeza ao acordar deitada do lado do guarda roupa. Pois é. Eu estava suada, cheirando mal e com uma santa dor de cabeça.
Me levantei aos poucos e reclamando muito. Me desesperei ao me dar conta de que só acordava desnorteada assim quando havia perdido o controle. Quando havia me entregue à bebida como nos velhos tempos.
Dei um tapa em minha testa, tentando me repreender, e me arrependi no mesmo instante. Parece que meu cérebro saiu e voltou para dentro da cabeça. E ainda tinha toda a sujeira pelo chão. Oh céus, Alek certamente teria nojo ao ver o estrago.
Alek! Ai, merda! Sabia que havia me declarado, apesar de não lembrar com exatidão das palavras. Mas isso era assunto para mais tarde. No momento, eu precisava limpar a bagunça e tomar um banho.
Quem sabe assim eu mandava o arrependimento pelo ralo também.
🌊
Depois do serviço feito e estar o mais cheirosa possível, saí em direção a cozinha para procurar um remédio. Não que fosse fazer grande diferença, mas era uma ajuda.
Encontrei Alek deitado e todo torto no sofá. Era a segunda vez que o encontrava assim, e tinha que admitir que a visão não era nada mal. Mas havia a vergonha por deixá-lo daquele jeito.
O relógio apontava pouco mais que três da tarde e eu levei um pequeno susto ao ver aquilo. Certamente eu precisava me policiar mais nas curtições noturnas.
Sem fazer barulho, fui até o armário e peguei um comprimido, tomando-o com a água que desceu rasgando minha garganta. Peguei outra pílula e um novo copo de água e larguei na mesa de centro da sala. Caso Alê acordasse, encontraria o remédio para dor de cabeça facilmente.
Peguei os óculos de sol e saí sorrateira pela porta indo até a padaria. Meu estômago roncava absurdamente alto e dei graças a Deus pelos óculos. A claridade queimava meus olhos e me fazia querer deitar em posição fetal.
Depois de pegar comida o suficiente para abastecer um exército, fui a caminho do caixa já comendo um chocolate. A pessoa em minha frente era Anna, e eu abaixei a cabeça envergonhada.
Ainda que quisesse, não conseguiria ir para outra fila. Eu só precisava que ela passasse para que fosse minha vez e eu pudesse ir para casa. Mas é claro que o destino não trabalhava dessa maneira.
Assim que ela passou suas compras, me virei para a grade de guloseimas fingindo interesse, mas ela foi rápida.
— Flora! Ah, oi! – Ela disse animada, sua voz retumbando em minha cabeça. Eu estava realmente péssima.
— Oi, Anna. – Falei um pouco baixo e forçando um sorriso.
— Como você está? Faz tempo que não nos vemos. – Ela disse enquanto eu depositava minhas coisas no caixa. — O Alek está com você? Ele não foi para casa esta noite.
Eram tantas perguntas, meu Deus! Tudo o que eu queria era dar o fora dali o mais rápido possível. Não que eu não gostasse dela, longe disso. Mas eu tinha uma ressaca e um homem bravo me esperando em casa.
— Sim, ele está lá em casa. – Respondi com um sorriso fraco e ela percebeu meu desânimo.
— Ah, sim. Obrigada. Eu já vou indo, preciso começar uma receita. – Falou me dando um beijo no rosto e indo embora antes que eu respondesse tchau.
Caminhei receosa até em casa. Assim que abri a porta, não vi Alê. Fiquei um pouco aliviada, mas precisava pedir desculpas. Pelo escândalo e por agir sempre por impulso. As coisas não continuariam boas se eu continuasse a agir como uma adolescente descontrolada.
Ouvi a porta do banheiro se abrir assim que a mesa estava posta. Sentada na cadeira, dei um sorriso fraco ao ver Alek com os cabelos molhados.
— Estou com uma puta dor de cabeça. – Ele disse se sentando. Assenti lentamente e alcancei uma xícara de café para ele.
— Você já viu que horas são? Dormimos uma eternidade. – Disse e soltei uma risada, tentando descontrair. Ele me encarou tempo o suficiente para que eu baixasse o olhar e pegasse meu próprio café.
— Mas não do jeito que eu tinha mente. – Ele falou me fazendo corar tanto pelo arrepio quanto pela vergonha.
— Ah, Alek, me desculpa. – Comecei a falar sem olhá-lo, apenas preparando algo pra comer. — Eu sou sempre tão estúpida quando bebo, e sim, eu sei que deveria me controlar. Tenho sérios problemas em relação a álcool que posso te contar em uma outra oportunidade.
— Adoraria saber. – Ele disse me interrompendo e roçando nossas mãos quando pegava um croissant.
— Você é tão mais maduro que eu quando o tema é relacionamento. Eu gostaria de voltar no tempo e não ter feito aquele barraco. Tudo bem pra mim que você tenha convidado ela. Eu acredito que você tenha mudado e, mudando, espero que possa me perdoar. – Olhei-o sem desviar ou piscar: – Eu não quero ficar longe de você.
— Aquela não era a Letícia amiga da Jasmine, Flora. – Ele falou devagar sem nenhum sinal de emoção em sua voz.
— Ah... – Soltei um suspiro surpresa. E, sem mais o que dizer, repeti: — Me desculpa.
— Me desculpa também. Não deveria ter gritado com você. E acho que você já conseguiu meu perdão ontem à noite, quando disse que estava apaixonada por mim. – Alek disse e meu coração subiu na boca.
Muitas coisas cruzaram meu pensamento naquele segundo. Tantos medos, dúvidas, vontades. Era estranho como meu corpo reagia apenas às palavras dele, como se fosse um rio que quebrasse meu muro pela insistência. Como se fosse uma nova chance pra eu ser feliz.
— E eu estou. – Falei rouca. — Estou apaixonada por você, Alek Royd.
Sorrindo, nossos olhos brilharam e se entenderam. Eu soube, naquele instante, que apesar da minha burrice e das explosões de Alek, sempre arrumaríamos um jeito de consertar as coisas.
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Ufa, mais alguém conseguiu sentir como a Flora estava envergonhada? E alguém sabe me dizer quantas ressacas ela já teve até agora? kkkkkk x_x #gentecomoagente
Amores, aviso importante: publiquei uma nova história! YEEEEEY! A história se chama Fofocando.com e as postagens serão iniciadas assim que NSO acabar. O livro é uma ficção adolescente sobre bullying e já está com prólogo disponível. ;)
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