— Como você entrou aqui sem nem me interfonarem nem nada? — eu perguntei ainda confusa com a minha mãe aparecendo ali do nada e o João sem saber se ficava ou se saía do apartamento. — O que te deu para chegar aqui do nada?
— Isso é jeito de receber a Mamis, Giulia? — ela resmungou e passou o olhar para o João, olhou ele de cima a baixo e depois deu um sorriso. — É impressionante.
João deu uma risada sem jeito e estendeu a mão pra ela cumprimentar, minha mãe como sempre muito animada foi logo cumprimentando com dois beijinhos. — João, prazer.
— João — ela repetiu o nome — João, você me faz viajar há vinte anos atrás quando eu ainda tinha sua idade. Apesar de continuar parecendo irmã da Giulia eu sou a mãe dela — ela respondeu em um tom brincalhão e o João deu uma risada. Eu rolei os olhos. Odiava quando minha mãe fazia isso. Acho que puxei meu pai nessa questão. — Você é a cara do seu pai até entendo o desejo da Giulia por você agora — ela brincou e eu queimei de vergonha. Lembrei mais de uma vez o porque eu não gostava quando minha mãe encontrava algum ficante ou namorado meu. Ela sempre queria ser a mamãe descolada e engraçada do rolê mas na verdade as vezes era chata.
— Você conhecia meu pai? — João perguntou inocente e a minha mãe mordeu a parte inferior dos lábios em um sorriso.
— Conhecia um pouco mais do que deveria.
Eu queimei de vergonha. João ficou todo sem graça e eu pensei que o cara fosse queimar de vergonha ali mesmo no tapete da minha sala. Minha mãe não media as palavras e eu sei que ela me contou da história do Dante, pai deles, e da fase de faculdade.
— Então, prazer em conhecer a senhora. Eu vou nessa — João se despediu com um aceno e quando a porta fechou a minha mãe abriu um sorriso em minha direção.
— Nunca pensei que fosse ver algum membro da minha família pegando um Ackler novamente — ela foi irônica — Você puxou a mamãe mesmo — ela mexeu no meu cabelo e eu respirei fundo e me afastei um pouco.
— O que você veio fazer aqui, mãe? Você não estava com seu namorado alemão, polonês ou sei lá o que ele era? – eu perguntei com a sobrancelha erguida e ela resmungou e se sentou no meu sofá. — Já terminou?
— Ele não aguentou o peso de namorar uma Brasileira, e sabe filha, até agradeci. Ele era um escroto. — ela pegou o controle da Netflix e mudou o que eu estava assistindo. — Vocês ainda usam o truque da Netflix para poder chamar alguém pra transar? Nossa, isso é mais velho que eu e sua vó juntas.
— O que você veio fazer aqui? — eu repeti a pergunta e ela me olhou.
— Eu vim te ver. Tinha tempo que nós não passávamos um momento juntas, jogávamos conversa fora e quando eu apareço aqui no seu apê percebo que você tá cometendo o mesmo erro que eu cometi há anos atrás — ela comentou.
— Não é porque você teve uma experiência ruim com o pai deles há anos atrás que eu vou deixar de falar com eles ou então odiar eles — respondi, rolando os olhos. — Eu sou adulta.
— Não pedi para você odiar eles. Só disse para tomar cuidado — respondeu — Se puxarem mesmo o pai deles vai ter uma lábia do cacete, te arrastar para cama, transar com você e depois te chamar de emocionada.
Lembrei da conversa com o João e engoli em seco. Eu não deixaria minha mãe ficar falando uma cambada de asneiras do nada na minha casa e achando que poderia controlar minha vida. Não suporto quem controla minha vida e eu saí de casa justamente por causa disso. Sempre odiei quem me controla. — e seu pai? Tem falado com ele?
— Ele me ligou essa semana — respondi — Conversamos e foi só isso. Ele vai casar daqui há uns três meses e me chamou pro casamento. Ainda disse que queria que eu fosse madrinha.
Minha mãe riu e resmungou — Aquela nojenta da mulher dele vai adorar te ver entrando de madrinha, né? Por mim, você sabe minha opinião, mas como você é dona de si eu não posso falar nada.
Eu concordei com a cabeça — Como vai minha tia?
— Ótima, acho que deixou de chifre do namorado americano. Já percebeu que na sua família nos temos tendências a gostar de gringos, né? Porque você não acha um pra ti? — minha mãe perguntou enquanto procurava alguma coisa para beber na geladeira. Pegou água, se sentou na bancada da cozinha e me olhou.
— Porque eu não quero ninguém mandando em mim.
— Mas deixa o Dante mirim mandar? — ela perguntou debochada. Só de estar alguns minutos com a minha mãe eu lembrei o quanto ela poderia ser chata e venenosa quando algo acontecia da maneira que ela não estava prevendo. Ela por algum motivo curtiu ver o João mas por outro lado não curtiu ver ele na minha casa sozinho comigo.
— Você não sabe do que está falando, Jasmine.
— Esse João quando pequeno uma vez me deu um tapa na cara e depois a maluca da mãe deles surtou e arrumou a maior confusão.
— Você também deve ter merecido, né doida? — eu perguntei rindo e ela resmungou. — O que tu foi fazer perto dos filhos de alguém que não gostava de você? Já conheci a Letícia e achei ela um amor.
— Ela é uma florzinha — minha mãe foi irônica — Se aproxima do marido dela para você ver.
— Eca — eu franzi a testa — Eu não quero o Dante. Eles são lindos juntos.
— É, são lindos. Eu também sou linda e estou solteira, incrível. — ela resmungou e veio até a mim me dando um abraço. Passou a mão no meu cabelo e me deu um beijo na testa. — Você tá feliz aqui?
— Estou, mãe.
— Isso que me importa.
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Me encantou demais
Hayran KurguSEGUNDO LIVRO DA TRILOGIA ''OS ACKLERS'' + 16 || Nesta história, Eduarda busca um novo estilo de vida diferente do seu estilo pacato no interior de Minas Gerais. Uma menina criada com todos os conceitos de menina de cidade pequena, muda para o Rio d...
