Capítulo 8

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                                 Capítulo 8

                                    Chuck

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    Termino de comer o bolinho — gostoso até para esse lugar — e me levanto, no momento em que Gina termina de pagar Brooke pela noite trabalhada, o que significa que vamos sair juntos. Gosto da ideia. A morena coloca o dinheiro no bolso da sua saia e vai em direção a saída, sem sequer se despedir antes. Engulo a decepção, que por algum motivo aparece e caminho logo atrás dela, enterrando as mãos nos bolsos da jaqueta do time que estou usando. Estarei mentindo se disser que observar a silhueta de Brooke caminhando não é de qualquer modo atrativo. A garota sem sequer tentar já é um perigo e isso me faz perguntar o quão vermelho ficará o sinal de alerta que está piscando freneticamente em frente aos meus olhos, se ela começar a me provocar de verdade. Mesmo estando ciente que estou logo atrás de si, Brooke não para e sequer olha para trás. Sorriu de lado por algum motivo e destravo meu carro, entrando no mesmo. Ligo o Land Rover Discovery e o motor ronca alto. Tiro o automóvel do estacionamento e começo a acompanhar Brooke em uma velocidade bem baixa. Ela na calçada e eu na estrada. A princesa não desvia seu olhar da sua frente e respira fundo.

— O que quer, Riston? — Brooke questiona sem parar de encarar a sua frente e por algum motivo gosto do meu sobrenome na sua voz.

— Mora muito longe? — ignoro sua pergunta, lhe lançando outra.

— Você só pode estar sonhando, se acha mesmo que vou te dizer onde moro — Brooke nega com a cabeça rindo sem humor.

— Pode apostar que não estou sonhando, Princesa... — pronuncio o apelido pausadamente — Até porque se eu estivesse, não estaríamos vestidos — sorriu maliciosamente, mesmo sua atenção não estando em mim.

— Além de Mimado, é sonhador, coitado — Brooke ironiza e isso me faz apertar o volante.

— Não precisamos ficar nos cortando toda hora, porra — bufo — Aposto que você passou a noite toda trabalhando em pé e eu só quero te oferecer a porra de uma carona — rosno e enfim consigo a atenção de Brooke.

A morena para de caminhar e automaticamente piso o pé no freio do carro. Nos encaramos em silêncio por alguns instantes e a sensação de que ela consegue ler meu passado, apenas me observando é estranhamente presente.

— E por que resolveu ser legal? Comigo? De repente? — a princesa resmunga sua pergunta espremendo seus olhos e sinceramente? Não sei o que dizer.

Talvez seja a porra do tesão falando mais alto que meu temperamento. Talvez seja pura curiosidade. Não faço ideia.

— Só entra vai — suspiro tentando por uma última vez, não sou do tipo que insiste demais em algo que não tem vantagens.

Brooke parece pensar e repensar, antes de respirar fundo pelo que parece a 6º vez e dar a volta na frente do carro. A a acompanho com o olhar, observando a morena abrir a porta já destravada do carro e no segundo em que ia entrar, piso de leve no acelerador, fazendo o automóvel ir centímetros para frente. Seus olhos sobem no mesmo segundo para os meus e sorriu.

— Foi mal, pisei sem querer — levanto meus ombros em sinal de desculpas, mesmo que as palavras deixando minha boca não sejam sinceras.

A princesa espreme seus olhos e desvia atenção do meu rosto, fazendo menção de entrar no carro novamente. Faço com que o carro ande um pouco mais para frente de novo e Brooke resmunga um; "Vai se foder, Riston". A morena se vira e volta a seguir seu caminho, deixando a porta do carro aberta.

— Eiii espera porra! Era uma brincadeira — tento parecer sério, mas acabo deixando algumas breves risadas escaparem, enquanto Brooke me ignora.

Porra, se algum policial passar e ver o carro em movimento com uma porta aberta atrapalhando a outra pista, mesmo que sem carro algum, tomarei uma bela de uma multa.

— Brooke, entra é sério — consigo pronunciar sem rir e acelero até a porta do carro bater na sua bunda.

Brooke une as sobrancelhas e me envia um olhar matadouro. Sorrindo por estar começando a gostar desse seu olhar, faço sinal com a cabeça para o banco ao meu lado, fazendo o automóvel parar novamente. Que monótono, Chuck Riston estar fazendo exatamente a mesma coisa que fez antes, mesmo depois de ter dito à si mesmo que não insistiria mais... Ignoro meus pensamentos e Brooke respira fundo, antes de se virar entrando no carro.

— Saiba que só entrei porque estou cansada — a morena resmunga e bate a porta com força.

— Ok — pronuncio entre uma risadinha baixa e acelero seguindo a rua vazia — Aonde mora? — a questiono e troco a marcha do carro.

— Segue até o fim e vira na primeira entrada à direita — Brooke se abraça e escorrega no banco, praticamente se deitando, quase como se não quisesse ser vista no carro comigo.

— Tá tudo bem aí? — questiono deixando claro minha confusão e revezo atenção na estrada e na princesa ao meu lado.

— Tudo normal — Brooke resmunga para me responder e decido não falar mais nada, posso ser um filho da mãe, mas sei quando estou sendo inconveniente, pelo menos com ela — Agora Gina vai mesmo acreditar que estamos juntos — seu comentário sarcástico soa depois de uns minutos em total silêncio.

"Estamos juntos". Tento sorrir ou fazer algo parecido com isso, mas meu semblante sério não se transforma. Fingir que estávamos juntos para livrar a bunda de Brooke de ser demitida é uma coisa, agora continuar fingindo essa merda é outra totalmente mais séria. As diversas vezes em que Thomas e Gibson trocaram uma noite de bar ou de jogos, só para ficarem com suas devidas namoradas me fazem travar o maxilar. Não vou ser como eles, não vou dar para trás, apenas para me... Apaixonar. Porra não. Piso no acelerador e logo estou virando na rua em que Brooke havia dito e a morena termina de ditar o mapa até sua casa. Não falo nada referente ao fato dela não morar perto do campus e por estar voltando a pé, provavelmente não ter carro também, o que não faz nenhum sentido. No entanto diversas perguntas continuam se acumulando referente à misteriosa garota ao meu lado. O caminho até — aparentemente — sua "casa", que não parece com nada que eu imaginei, é tranquilo. Encaro por mais alguns instantes o prédio precário que ela diz morar e quando passo minha atenção para a mesma, pronto para perguntar se; abrindo sua porta teria um psicopata assassino com uma faca na mão? Minha careta é substituída por um levantar de sobrancelhas. O rosto que sempre expressava; tédio, raiva ou indignação está totalmente neutro agora. Seus olhos fechados a faz ter uma aparência angelical. Penso se passo meu dedo em seus lábios carnudos, a fim de fazê-los produzir o barulhinho que qualquer lábio faz pra provocá-la, ou se a deixo dormir. Pela forma rápida que a princesa capotou, aposto que ela não tem uma noite de sono tranquila faz dias. Me perco um bom tempo apenas a observando e só volto à realidade quando um carro atrás da gente buzina. Minhas sobrancelhas se unem e tenho vontade de mandá-lo ir se foder, mas não quero gritar e acorda-la. Sem pensar muito a respeito; toco com o carro em direção ao campus. Goste ela ou não, quando acordar já estará no campus para assistir suas aulas do dia, então; de nada, princesa.

  *
             
   Entro em meu quarto depois um banho quente, enrolado apenas na toalha. Após fechar a porta, encaro Brooke ainda dormindo e admiro o contraste da sua pele branca com o lençol vermelho escuro da minha cama. Carregá-la até aqui foi uma luta. Apesar de Brooke não ter acordado, a mesma resmungou algo como; "mais cinco minutos" e se mexia a cada passo que eu dava a carregando. Confesso que os olhares de alguns doentes que já estavam indo para suas devidas aulas, mesmo sendo 5am, me incomodaram um pouco. Eles me olhavam com respeito ou admiração; como se estivessem batendo palmas silenciosas, por eu estar levando minha "namorada" para o quarto dela, após uma noite loucona. O olhar que enviei a cada bastardo em resposta, foi algo parecido com; Não é nada disso que estão pensando, seus inúteis, porquê fofoca corre rápido nessa merda de campus.

     No entanto, não podia simplesmente a soltar e a deixar cair no chão. Seria baixo até mesmo para mim.

Talvez DesconhecidosOnde histórias criam vida. Descubra agora