Capítulo 95
(Reta Final)
Brooke
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Eu tinha mais ou menos 9 anos, quando comecei escrever cartas ao papai Noel, pedindo para que ele entrasse em contato com meus pais. Enquanto, qualquer outra criança no mundo pedia brinquedos... Eu pedia uma chance de conhecer as pessoas que me colocaram no mundo. Nas cartas uma Brooke carente, desejava com todas as forças ver pelo menos uma vez os pais e por uma única vez poder abraçá-los... Assim ela não os soltaria e eles nunca mais iriam embora. Toda vez que me lembro disso, quero rir. Porém hoje, quero acima de tudo estapear aquela criança idiota de 9 anos, que escrevia cartas para um velho, pedindo para que o que estou enfrentando hoje, acontecesse. Acho que encara-los é a pior parte de tudo. Saber que em algum momento os mesmos que estão chorando à minha frente, resolveram abandonar um bebê me sufoca, como se houvesse mãos gigantes por volta do meu pescoço. Fecho os olhos e tento dizer à mim mesma que isso tudo é um sonho... Um pesadelo sem fim, daqueles que sabemos que estamos sonhando, mas não conseguimos acordar.
— Brooke — a voz de John me chama e a mesma estava rouca pelas lágrimas que trilhavam seu rosto — Acho, na verdade tenho certeza, que você não entende que éramos jovens demais — meus olhos se abrem e deixo escapar algo misturado com um riso e um bufar ao mesmo tempo, o que John ignora — Sua mãe havia acabado de completar 20 anos e eu sequer tinha certeza de onde iria trabalhar, estávamos no começo das nossas vidas, curtindo sem responsabilidade e sim, acabou que erramos — os olhos negros de John, os quais herdei, me encaram com sinceridade, como se esperassem algo positivo vindo de mim, como se eu tivesse o dever de concordar, sorrir e achar certo tudo isso.
— Ótima história — sorrindo falsamente concordo com a cabeça, revezando olhar nos dois — Mas faltou o final; onde o príncipe e a princesa não vivem felizes para sempre e o "erro" deles foi jogado para seus avós criarem — deixo uma risada rouca sair da minha garganta e nego de leve com a cabeça — Houve chance, na verdade inúmeras chances já que vocês dois sabiam onde me encontrar — meus olhos me traem e se enchem de lágrimas novamente, entretanto não as deixo rolarem e as enxugo antes que caiam — Vocês dois escolheram não me conhecerem, escolheram nunca aparecer nos meus aniversários que apenas meus avós batiam palmas e cantavam os parabéns — acabo rindo com o nariz — Escolheram nunca mandar a porra de uma carta dizendo mentiras como; "Sentíamos sua falta..." — tento terminar de provocá-los, mas sou interrompida por um John com raiva.
— ADIANTARIA? — o rosnar do cara que contribuiu para que eu chegasse nessa droga de mundo, me faz encara-lo respirando fundo — Céus, você só está jogando tudo que já sabemos nos nossos ombros — John quem respira fundo dessa vez — E para que você fique sabendo; eu e sua mãe chegamos a visitar você — ele mente e eu nego de leve com a cabeça.
— Mentiroso — o acuso espremendo meus olhos, pois sei que eles nunca apareceram, nunca ligaram e nem enviaram as malditas cartas.
— Não estou mentindo — sua cabeça balança brevemente em sinal de negação — A primeira vez, foi logo após deixarmos você aos cuidados de seus avós — sua certeza conforme pronuncia palavra por palavra, quase me faz acreditar, quase.
— Você era tão pequenina e os fiozinhos no topo da sua cabeça eram tão pretos, assim como os seus olhinhos... Eu gostava de dizer que você tinha seu próprio universo — a mulher lado a lado de John se pronuncia sussurrando e sorri com os olhos ainda marejados, enquanto John a observava e concordava com a cabeça.
— Logo em seguida visitamos você um dia antes de completar seu primeiro aniversário — John retorna sua atenção para mim.
— Teve um mini concurso de arte na feira escolar também, onde seu pai infelizmente não pode ir, mas eu fui, minha doce Bonnie — a mulher se aproxima e pega nas minhas mãos, sem me dar a chance de me afastar — Me sentei um pouco afastada, mas consegui ver o seu desenho incrível — tantos os seus olhos, quanto os meus começam a expulsar lágrimas acumuladas — Recordo perfeitamente de você com um vestido vermelho, seu cabelo estava preso em uma trança e naquela tarde não sabia para onde olhava mais; se para você ou para o seu desenho, porquê nunca tinha a visto tão linda antes, me lembro também que por algum motivo, você estava afastada dos demais participantes — seus polegares acariciam minhas mãos — Tudo que eu mais queria naquele momento era me levantar e te abraçar, gritar pra todo mundo que a minha filha havia vencido o concurso — desvio olhar dos seus olhos e observo nossas mãos unidas, me lembrando aos poucos desse dia.
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Talvez Desconhecidos
Romance🏆 VENCEDOR DO THE WATTYS 2021, NA CATEGORIA NEW ADULT🏆 Brooke Westton sempre teve a vida corrida e cronometrada como um mero robô. As manhãs ela trabalha, as tardes assiste as aulas de sua faculdade e de noite retorna à lanchonete onde trabalha de...
