Capítulo 30
Brooke
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Porra. Por isso não bebo, não festejo e muito menos participo de joguinhos bobos, envolvendo bebidas. Droga, há muita bebida nas lembranças da noite anterior e só de imaginar mais algum copo sendo virado; meu estômago já se embrulha. O barulho do despertador é mil vezes pior que o habitual e meu corpo parece se negar a se levantar. O xingo de alguns nomes, o que o faz devolver o controle para mim mesma, então me sento, na força do ódio e em uma tentativa inútil de tentar amenizar a enxaqueca; pressiono a mão sobre meu crânio. Um gemido de dor me escapa, por conta do barulho massacrante do despertador, ainda estar ecoando alto. Abro meus olhos e a luz do dia que invade o apartamento sem ser convidada; me cega momentaneamente. Porra. Me inclino e tateio o chão, até encontrar com o único aparelho eletrônico que utilizo, depositando alguns socos nele, até o mesmo resolver devolver o silêncio de minutos atrás. A minha cabeça agradece.
— Você fica sexy quando acorda mal-humorada, Princesa — outro barulho se inicia, mas sei que esse apenas dar algumas batidas não vai silenciar.
— Cale a boca — o olho como se Chuck estivesse fedendo e me levanto.
Cada osso do meu corpo reclama. Porra, não é para menos, à éons não bebo sem freio como bebi naquela festa boba de ontem. Meu organismo não está acostumado com o estrago que uma ressaca é capaz.
— Doce como um limão — Chuck consegue rir, o que me faz encara-lo de sobrancelhas juntas expressando confusão.
Como assim o mimado está vivo? E bem? Eu estou parecendo uma morta-viva, que esqueceram de puxar a alma. O sorrisinho diabólico de lado que aparece em seu rosto me faz ficar ainda com mais raiva, por ele aparentemente ser imune ao álcool, ou se não for imune, sabe lidar bem com as manhãs de ressaca. Mimado até nisso. No fim, resolvo para o nosso bem que; é melhor ignora-lo. Tudo bem que ele está literalmente na minha casa, sentado em meu sofá, mas tudo na vida dá para se varrer para debaixo do tapete. Caminho, parecendo os bêbados que encontro de vez em quando, na volta do turno da madrugada e consigo chegar até meu uniforme. Seguro uma peça de roupa e meu estômago se contorce. Fecho os olhos respirando fundo e aperto o tecido dentro das minhas mãos. Brooke, você é mais forte que isso, não coloque para fora! Ouviu? Não coloque para fo... A voz do meu inconsciente se cala, quando corro para o banheiro. Chego em tempo de conseguir não sujar o chão. Pelo menos isso... Eca, odeio vomitar, mas se meu organismo precisava disso; quem sou eu pra dizer o contrário? Quando meu estômago manda um; "beleza gente, agora está tudo limpo", para o restante do meu corpo, busco forças pra levantar. Agora estou podre e com gosto de vômito na boca. Escovo os dentes e deixo o banheiro, tirando a blusa larga que estava vestindo.
— Porra... Sempre me disseram que a paisagem do campo pela manhã é de se tirar o fôlego; isso é porque nunca olharam para você nua, após ter acordado. Sinceridade? Gostei, ótima maneira de iniciar a manhã — a voz de Chuck animadinha vem do lado desse apartamento, onde a cozinha fica localizado e por não ter nenhum tipo de divisória; o encaro.
Sim, eu estou nua. Não, ele não era pra estar me secando. Sim, eu talvez — se captei direito a mensagem — tenha gostado do seu "flerte". Não, Chuck não deveria estar me encarando com aquele sorrisinho de lado. Espremo meus olhos para o moreno na cozinha e amasso sua camisa em minhas mãos, logo em seguida com todo o restante de força que ainda tenho; a arremesso em direção a sua cara. Por algum motivo, meu arremesso é certeiro e se não fosse pelo reflexo do mimado, sua própria camisa teria batido no seu rostinho. Mimado. Caminho até minha mala de roupas e pego um conjunto íntimo. Começo a vesti-lo e após passar a calcinha por minhas pernas, olho por cima dos ombros, na direção de Chuck e como suspeitava; o safado está me observando, como se sua vida dependesse da sua atenção presa na minha bunda. Por que não se tem pedras perto da gente, quando mais precisamos delas? Coloco e fecho o fecho do sutiã, em seguida tiro a saia do uniforme do varal / janela; a vestindo. Oen abre a porta do seu quarto e deixa o cômodo com cuidado ao fechar a porta. Maggie deve estar dormindo ainda. O ignoro, porquê nunca fomos de dar "bom dia" um para o outro, até porque convenhamos; acordar e saber que estávamos dormindo nesse apartamento já torna o dia inteiro um saco. No entanto, o silêncio é só parte da minha parte.
— Porra cara vaza, ela tá se trocando! — Chuck rosna deixando a cozinha e quando meu cérebro lento por conta da ressaca, entende que ele está dirigindo as palavras à Oen, minhas sobrancelhas se unem.
Oen fofo e inofensivo do jeito que é, apenas olha para Chuck com medo nítido em seus olhos, atrás da armação dos óculos grossos. Meu colega de apartamento nunca foi aqueles caras que podemos confiar nossas vidas. Aposto com quem quiser, que se algum dia, algum bastardo resolver assaltar nosso apartamento; eu quem tentará ir para cima do filho da mãe, enquanto Oen gritará ou começará a chorar. Ele é um ursinho fofo. Pensando nisso; uma raiva começa a crescer dentro de mim e em instantes estou ao lado do meu colega de quarto, encarando o intruso.
— Veja bem como fala com ele Mimado, esse apartamento é nosso, não seu — defendo meu colega de quarto e de apartamento, encarando o mimado na cozinha.
— Sério? Porra! Você estava se trocando! — Chuck tenta argumentar como se ele estivesse na razão, o que me faz rir sem humor.
— É verdade, mas o único par de olhos que estavam me secando não eram os de Oen eram? Até porque não seria a primeira vez em que me troco à frente dele — contra-ataco seu argumento de merda e Chuck corre olhar em meu rosto, me deixando com uma louca vontade de mandá-lo para aquele lugar.
— Então você se troca na frente de todo mundo? — sua pergunta soa irônica, ou talvez ele tenta fazê-la soar assim, porque seu semblante sério não ajuda e só me deixa mais irritada ainda.
— Com toda sinceridade, Mimado? Vai tomar no olho do seu c... — começo a rosnar, mas sou interrompida.
— Oen? Está tudo bem? — a voz doce de Maggie surge vinda de trás da gente e meu amigo ao meu lado se vira.
— Sim, acho que sim — Oen a responde e reveza olhar entre eu e Chuck, como se perguntasse o que ele estava fazendo aqui no nosso apartamento. Boa pergunta Oen, boa pergunta. Culpe a Brooke com fome. Ou a Brooke bêbada.
— Está na hora de ir, Riston — adoto a adulta escondida que estava guardada em algum canto aqui e observo as sobrancelhas de Chuck se unirem.
— Porra, está me mandando ir embora? — o semblante bravo do mimado se transforma em um incrédulo.
— Mandando embora... Expulsando... Enxotando... Tanto faz, pode escolher — não deixo meu sarcasmo passar batido e Chuck ri sem humor.
— Você é a porra de uma ingrata — o mimado cospe as palavras com raiva esvaindo de seus olhos e demoro alguns nanossegundos para entender o que Chuck quis "dizer" com; ingrata.
— Ingrata? — questiono rindo com o nariz — Eu te disse desde o princípio disso... Sei lá o que seja isso, que não iria acontecer N-A-D-A entre a gente, então se você esperou sexo casual de consolo, por essas coisas que vem fazendo por mim, só sinto pena — mantenho a postura e dou de ombros, o que faz com que algo vibre no olhar de Chuck, algo parecido com... Tristeza?
Ele concorda com a cabeça rindo sem humor e olha para Oen por algum motivo, o mimado fecha seu semblante mais ainda e contornando a bancada velha da cozinha, passa por Oen, o empurrando com o ombro. Me controlo para não ir para cima dele e após Chuck pegar seu celular na mesinha de centro, o mesmo segue para a porta. Seu semblante desaparece em um curto período de tempo e por mais que eu jurasse que ele fosse fazer — porquê seria algo que muito provavelmente eu faria — Chuck não bate a porta ao sair. Bom mesmo, porque se quebrasse pagaria.
Oen ainda ao meu lado respira fundo e me olha, como se perguntasse o que havia acabado de acontecer. Suspiro cansada demais para resumir tudo e volto para onde o restante do meu uniforme estava. Começo a vestir a camisa e a cada botão fechado, uma sensação de culpa pesa no meu peito. Digo... Eu estava mesmo deixando claro que nada iria acontecer entre a gente certo? Porque é isso, é simplesmente isso; eu, Brooke Westton, nunca tive tempo para distrações, muito menos discussões e sexos casuais com caras mimados e bom... Chuck tem a palavra "problema" em letreiros vermelhos e cintilantes piscando sobre a cabeça.
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Talvez Desconhecidos
Romansa🏆 VENCEDOR DO THE WATTYS 2021, NA CATEGORIA NEW ADULT🏆 Brooke Westton sempre teve a vida corrida e cronometrada como um mero robô. As manhãs ela trabalha, as tardes assiste as aulas de sua faculdade e de noite retorna à lanchonete onde trabalha de...
