Capítulo 15
Brooke
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Perder as aulas de hoje, para escolher a fantasia para aquela festa boba, com Chuck foi uma escolha... Só não sei dizer se foi a certa. Fiquei tão distraída, que nem percebi que logo essa tarde — a que passei inteirinha vestindo fantasias bobas — aconteceria nossa primeira aula prática de pinturas, que mexem com a ilusão de ótica. Uma parte de mim acha certo eu não ter dado as caras na aula por — infelizmente — ainda não ter todos os materiais necessários, mas outra está chorando feito uma criancinha, por não ter pelo menos anotado os passos que o professor — muito provavelmente — deu, conforme todos iam pintando suas telas. Pensar na tarde com Chuck, ao mesmo tempo que me faz querer sorrir por algum motivo, me deixa preocupada, justamente por conta disso; passar o tempo com um jogador? Galinha? Safado? Me faz sorrir? A resposta é sim... Culpo minha "alegria" boba, ao fato de nunca ter tido amizades antes e eu goste ou não, Chuck vem sendo um... Amigo? Essa palavra soa estranha relacionada ao cara que ao mesmo tempo que quero agarrar seu pau, quero chuta-lo bem no meio das suas bolas.
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Levanto meus braços e balanço minha cintura de um lado para o outro, lentamente ao som da batida da música, que ecoa por todo lugar. A luz avermelhada que predomina nessa parte da festa, deixa tudo mais sexual do que o normal. Há milhares de corpos se movendo próximos ao meu, também ao balanço da música, mas por algum motivo não me importo com eles, na verdade, eles parecem apenas hologramas. Fecho os olhos ainda dançando a dança sexual e logo mãos grossas seguram minha cintura. Mordo meu lábio inferior e mesmo sem saber quem é a pessoa atrás de mim, continuo com o jogo de cintura, desta vez me esfregando no corpo rígido atrás de mim. Seja quem for é grande. As mãos em minhas cinturas, me viram fazendo com que eu fique de frente para si. Abro os olhos lentamente, apenas e somente para encontrar com os olhos castanhos amendoados de... Chuck. O mimado está mais sexy que o habitual e o seu sorriso pintado com a luz avermelhada, faz com que o meio das minhas pernas se incendeie. Uma das suas mãos sobe, para prender uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha. Sinto de repente minha boca secar como o deserto e Chuck se transforma no meu oásis cheio de vida. Sem contar tempo, seguro seu lindo rosto e o puxo ao encontro do meu. Os braços fortes de Chuck são rápidos em me tirar do chão e pouco ligo se irão ver minha calcinha, no segundo em que meus pés não estão mais no chão, envolvo minhas pernas ao redor do seu corpo, fazendo com que meu vestido colado suba. Engraçado, não lembro onde consegui o vestido... Mas isso é dúvida para outra hora, porquê tudo que consigo focar é na sua língua invadindo a minha boca, fazendo com que tudo que eu sinta seja... Uma gota? Um alerta começa a ecoar e percebo as pessoas envolta da festa desaparecem em um piscar de olhos, o arredor do local começa a se desfazer também e a última coisa que vejo antes de abrir os olhos; são os olhos indescritíveis de Chuck.
Outro pingo cai na minha testa e me desperto de vez. Abro os olhos de sobrancelhas juntas e assim que minha visão foca no teto, percebo uma mancha. Na verdade, não só uma mancha; uma mancha enorme de infiltração. Droga. Me sento no lado do sofá qual a goteira não estava e apoio os cotovelos nos joelhos, fechando os olhos. Me permito relembrar o sonho vívido que estava tendo e respiro fundo. Eu estava sonhando com Chuck Riston. Não só sonhando, eu estava sonhando que estávamos nos pegando e céus... Foi uma sensação tão boa. Nego com a cabeça para meus próprios pensamentos. Não, não pode ser bom, não pode nem chegar perto de ser bom sonhar com Chuck e suas mãos apertando meu corpo, ou sua língua enrolando na minha. Esses últimos dois dias passaram tão rápidos que sequer cheguei a ver o mimado novamente. Uma partezinha boba do meu cérebro, esperava o ver aparecendo na lanchonete, como ele havia feito das outras vezes, mas não aconteceu. Me pergunto se ainda deveria ir a tal festa, que ele quer tanto que eu vá. Não nos falamos desde a tarde em que compramos as nossas fantasias. Bufo, por que estou chateada com isso? É ótimo voltar a não ter ninguém que me distraia dos meus deveres... No entanto, também é ótimo ter alguém que faça exatamente isso; me distrair. Sei lá, o tempo parece passar mais rápido nos momentos em que eu estive com aquele mimado.
Me levanto deixando de lado o sonho que tive e aproveito para amassa-lo no fundo do meu inconsciente. Por mais a mais, não sou capaz de deleta-lo por completo. Talvez eu tenha sonhado com isso por estar nervosa com a festa de hoje. Vestir uma fantasia boba? Eu consigo. Aturar Chuck? É isso que venho fazendo, não? Ignorar meu medo de pessoas desconhecidas? Posso tentar. Mas o que mais está me matando por dentro, é o fato de que estou deixando Gina na mão. Ela pode não ser a melhor patroa do mundo, mas me deu uma chance, quando eu não tinha nada. Quando ganhei metade da bolsa em Uepplen, ao mesmo tempo que eu e meus avós comemoramos, ficamos tristes; porque significava que eu teria que ficar longe deles. Não teria como nos mudarmos nós três para cá, seria uma tragédia enorme, no entanto uma garota de 19 anos sozinha já não parecia ser muito ruim. No primeiro dia aqui em New Haven fui espalhando currículos em todas as lanchonetes possíveis, hotéis e lojas. Houveram outros empregos antes do de Gina, mas fui descartada do baralho em cada um, até finalmente parar na lanchonete 24h. Então sim, devo à Gina muita coisa e faltar por uma... Festa? Não é uma delas. Entretanto, disse à Chuck que iria e já compramos as fantasias... Seria mancada não comparecer.
Parte de mim acha errado, ao invés de passar a noite dormindo e descansando; passá-la enfurnada em uma casa, com vários outros jovens loucões de Metanfetamina, misturada com álcool e hormônios, mas outra, uma que sequer sabia que existia diz que me arrependerei seriamente em não ir, por algum motivo que não faço ideia.
Bato na porta de Oen e peço para que ele ligue para o proprietário desse prédio, pra vir aqui e ver a infiltração. Após meu colega de quarto dizer que já já faria o que pedi, retorno à sala e checo a hora, no relógio do despertador em cima da mesinha de centro. Basicamente ainda é cedo, a festa começa às 8pm e só são 6, porém como tenho algumas coisas em mente para complementar a fantasia; começo a me preparar agora. Nesses dois dias que haviam passado, percebi que por mais que os tons de verdes das folhas e o amarelo queimado da cobra fossem vibrantes, eles ainda não estavam como eu queria. Então comecei a pensar em como acrescentar mais cores à fantasia e uma solução óbvia apareceu em frente aos meus olhos. Se não encontro as cores que quero na fantasia, eu que as pinte então. Visto a fantasia e por algum motivo a acho mais justa do que da primeira vez em que a provei. Valeu carboidratos do lanche que fiz antes de cochilar! Puxo minha mala — que eu gosto carinhosamente de chamá-la de; baú do tesouro — do canto da sala e a abro. Não consigo não sorrir, ao ver as milhares de tintas e um pote cheio de pincéis. É Brooke... É hora de fazer mágica.
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Talvez Desconhecidos
Romance🏆 VENCEDOR DO THE WATTYS 2021, NA CATEGORIA NEW ADULT🏆 Brooke Westton sempre teve a vida corrida e cronometrada como um mero robô. As manhãs ela trabalha, as tardes assiste as aulas de sua faculdade e de noite retorna à lanchonete onde trabalha de...
