Capítulo 49
Brooke
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Por que esse mimado dirige com o banco tão longe dos pedais e do volante? Consigo jogar o assento para frente e quando piso no acelerador; o carro de Chuck reage no mesmo instante, indo para frente. Afasto o pé, o que faz com que a máquina pare de andar, tudo em uma fração de segundo. Lentamente o mimado ao meu lado, com as mãos no painel do carro à sua frente, vira seu rosto até seus olhos se fixarem nos meus.
— Porra, eu não posso tirar a sua vida, mas você tirar a minha está tudo bem? — sua pergunta soa como se realmente eu tivesse separado a sua pobre alma do seu pobre corpo.
Espremo meus olhos para o mesmo e volto a me concentrar, em entender como funciona tal coisa nesse carro. Pra que tantos botões em um só painel? Quando meu avô me ensinou a dirigir, o carro que tínhamos não chegava nem aos pés desse que Chuck dirige. Na verdade, sequer sei dirigir usando o câmbio automático, o carro de meu avô era manual... No entanto, deixar Chuck dirigir após sua explosão é uma loucura que não sei se sou capaz de enfrentar de olhos fechados, então: está na hora de aprender a dirigir com câmbio automático, Brooke.
*
Depois de duas paradas em cima da faixa de pedestre, uma quase encostada na traseira do carro à nossa frente e alguns minutos a mais, do que Chuck levaria caso estivesse dirigindo, já que rodei os pneus na velocidade mínima para a minha segurança e a de Chuck... Chegamos à frente do meu apartamento. Queria ir pra a universidade e depois voltava a pé, mas Chuck alegou que não queria passar nem um segundo a mais comigo atrás do volante. Azar o dele, sou uma ótima motorista... Com câmbios manuais. Abro a porta do carro e deixo o veículo, ajeitando minha saia do uniforme que insiste em subir. Ainda não acredito que conheci a mãe de Riston usando esse uniforme... Chuck também deixa o automóvel e fecha a porta, olhando ao arredor da rua. Não sei se me despeço, ou apenas trilho meu caminho em direção ao apartamento. Na indecisão, apenas continuo parada o observando. Que ele seja quem dará o primeiro passo. Mesmo que já não estamos mais no estacionamento do hospital onde sua irmã está, Chuck continua bravo, não com um alguém específico e ao mesmo tempo com todo mundo. É um sentimento horrível, egoísta e ridículo em até certo ponto... Que infelizmente eu conheço bem. Aquela vontade de gritar e estapear toda e qualquer coisa que você vê pela frente. No entanto, se é assim que deve acontecer; que aconteça. Descobri que não importa muito o que a gente faça quando a merda já está feita, ou acontecendo, então apenas respire fundo e siga em frente. Mesmo que não seja fácil.
— Você quer... — fecho os olhos por uma fração de segundos, não acreditando mesmo que estou fazendo isso — Subir? — termino o convite, que por algum motivo; há minutos atrás pareceu certo, mas agora o olhando nos olhos, não tenho mais à certeza de antes.
— Quero — sua resposta soa rouca, como se estivesse trancando as lágrimas, ou um segundo surto.
Mordisco o lábio inferior concordando com a cabeça e me viro, indo em direção a escada. Tiro do bolso da minha saia a chave de casa e subo os degraus, escutando os passos pesados de Chuck vindos logo atrás. Abro a porta e após o corpo de Chuck atravessar a entrada; a fecho. Me viro e assim como Riston, encaro os milhares de papéis de rascunhos espalhados por todos os lados. Oen não liga mais para minhas bagunças, no começo ele encarava tudo com uma careta, mas logo passou a se acostumar. Não gosto de organização, na verdade ela me dá nos nervos e fora que me encontro mil vezes melhor nas minhas bagunças. Entretanto, confesso que virar a noite fazendo um trabalho; formou uma bagunça um grau mais elevada do que o habitual nessa sala. Suspiro me aproximando dos milhares de papéis e deixo a chave sobre a mesinha de centro. Começo a colher todos os rabiscos e resumos que precisei pesquisar para concluir o trabalho e no instante em que me ajoelho, a fim de pegar as folhas do chão; Chuck se aproxima e começa a me ajudar. Meus olhos caem no seu desenho, que fiz na primeira vez em que nos esbarramos, próximo aos seus pés e arregalo os olhos, começando a engatinhar até ele rapidamente, pedindo mentalmente que Chuck não visse a maldita folha. No segundo em que a ponta dos meus dedos tocam o papel, o mimado é mais rápido em pega-lá e ao empilha-la junto com as demais, quais ele já estava amontoando, que Chuck reconhece o desenho erguendo as sobrancelhas. Tranco a respiração e no segundo em que seus olhos castanhos amendoados se focam nos meus, deixo com que meus pulmões voltem a trabalhar aos poucos. Como imaginava; um sorriso presunçoso toma conta do seu rosto, enquanto começo a me levantar. Me pergunto mentalmente por que não joguei aquela droga de desenho no lixo?
— Então a Princesa quando não está comigo... Me desenha, interessante — Chuck volta a encarar sua caricatura no papel e controlo minha vontade de mandá-lo a merda, por estar levemente sensibilizada com tudo que está acontecendo com ele — Devo dizer que sou mais bonito pessoalmente, mas ficou muito bo... — esqueço a ideia de agir na passividade e o impeço de terminar de elevar seu ego.
— Pra sua informação, o seu nariz no desenho está mil mais bonito — tento pegar a folha com o desenho do seu rosto das suas mãos, mas Chuck a levanta no ar.
— O que tem meu nariz? Ele é bonito na vida real também — suas sobrancelhas se unem de leve, em um fingir de indignação, mesmo que o canto de seus lábios o denunciem, querendo abrir um sorriso.
— Claro, claro, agora me dê essa porra — faço uma careta mentalmente para mim mesma, por ter acrescentado o "porra" desnecessário ao fim da frase. Talvez eu esteja mesmo passando muito tempo com esse mimado.
— Por que você quer o meu desenho? — Chuck ergue a folha no ar bem, bem acima do que consigo alcançar graças à nossa diferença de altura e me faz respirar fundo, lembrando do dia em que ele fez a mesma coisa com a minha apostila, antes de transferir minha atenção da folha, para seu rosto — Sou tão irresistível assim? Que não dá pra ficar sem me ver? — seu sorrisinho de lado sensual e diabólico aparece.
— Como adivinhou? — finjo estar abalada, abaixando meu tom de voz e adoto um semblante triste.
Chuck lentamente vai diminuindo seu sorriso egocêntrico e ao perceber meu "estado", o mesmo abaixa o braço que erguia o desenho no ar aos poucos.
— Porra, sério? — sua pergunta soa baixa, como se nem ele estivesse acreditando naquilo.
— Eca, não — minto e em um movimento rápido capturo a folha da sua mão.
Chuck resmunga seu habitual; "Porra" e eu coloco — por algum motivo — seu desenho junto aos demais papéis, que eu estava agrupando. Acelero o processo de ajuntar e guardar todas as folhas, enquanto Chuck continua me observando.
— Você deveria ser atriz — seu "elogio" me faz rir com o nariz.
— Claro, da mesma forma que você deveria ser... — tento contra-atacar sua provocação, mas Chuck nega com a cabeça me interrompendo.
— É sério Princesa, não foi uma provocação, ou sei lá o que — sua mão bagunça seu cabelo e seus olhos se mantém focados nos meus.
— É, ok então — agradeço? E fecho a pasta, onde deixei minhas folhas.
— Você... Está com fome? — sua pergunta vem sem pressa e então como se meu próprio estômago tivesse escutado a pergunta de Chuck; ele ronca — Pelo visto sim — o mimado cai olhar na região da minha barriga e me faz espremer meus olhos para o mesmo.
Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, Chuck parte em direção à nossa — nossa; minha e de Oen, não minha e do mimado — pequena cozinha e abre sem sequer perguntar antes se poderia fazer aquilo; a geladeira.
— Porra... Acho que dá pra fazer macarrão — seu "comentário" me faz erguer uma sobrancelha.
— "Dá pra fazer"? — repito o que Chuck acabará de dizer — Está insinuando que sabe fazer comida, Riston? — me aproximo da única coisa que divide a cozinha da sala; as bancadas velhas e me apoio nas mesmas.
— Não... — o mimado fecha a geladeira e me encara — Mas você sabe, né? — sua pergunta soa acompanhada de um sorriso de lado, no entanto desta vez esse sorriso não mexe nem um pouco comigo.
— Se estiver insinuando que sei fazer comida, só porque não tenho um pau no meio das pernas, teremos sérios problemas, Mimado — o informo tão séria quanto é possível.
— Não, porra, talvez, sei lá... — Chuck bagunça seu cabelo novamente em um gesto nervoso — Você mora aqui sozinha, pensei que saberia fazer algo, entende? — suas palavras até soam sinceras.
— Sei — espremo meus olhos para o mesmo, deixando claro minha desconfiança e isso faz com que Chuck acabe rindo.
Meus olhos — contra minha vontade — vão direto para o seu sorriso. Droga. Onde é que eu estava com a cabeça em convida-lo? Depois do que aconteceu na floresta naquele dia... Percebi que está cada vez mais difícil deixá-lo longe.
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Talvez Desconhecidos
Romantizm🏆 VENCEDOR DO THE WATTYS 2021, NA CATEGORIA NEW ADULT🏆 Brooke Westton sempre teve a vida corrida e cronometrada como um mero robô. As manhãs ela trabalha, as tardes assiste as aulas de sua faculdade e de noite retorna à lanchonete onde trabalha de...
