Capítulo 68

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                                Capítulo 68

                                      Chuck

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         Observo Brooke rir timidamente e negar com a cabeça, a medida que Nate explica, como jurava que os artistas — todos eles — tinham uma boina característica, de onde tiravam inspiração, antes de pintar qualquer quadro. Nunca o vi dizer tanta merda em uma só frase, mas ele está a distraindo, então deixo a conversa transcorrer. Percebo que a princesa mesmo estando sem a sua luva, de vez em quando, ainda tenta encontrar com o tecido que era para estar rodeando seu pulso. Sempre que a vejo fazer isso, desço minha mão e aperto sua coxa, tentando tranquiliza-la. Me lembro da festa a fantasia onde ela me disse que não gostava de pessoas desconhecidas e logo em seguida da garota me dizendo que Brooke nunca fazia trabalho em grupos. Deve estar sendo difícil para ela estar aqui, cercada por três bastardos "desconhecidos". Tento pensar em algo para que ela se sinta mais a vontade, mas nada me vem à mente. Thomas está iniciando uma conversa sobre o nosso próximo jogo, quando a garota do Gibson chega. Ela trás consigo uma bolsa de esportes e entra na cozinha vestindo o novo uniforme das líderes de torcida, balançando seu rabo de cavalo.

— Olá garotos — Gretta segue em direção a Gibson e para ao lado da cadeira do mesmo, o beijando.

Desvio o olhar deles. Nos últimos dias venho pensando em como Brooke estava certa naquela noite no estacionamento... Não há motivos para que eu fique puto com a vida dos meus amigos se desenrolando, com eles achando suas "almas gêmeas", porquê no fim, um dia isso ia acontecer e as festas, as bebidas, tudo iria ser uma segunda — talvez até mesmo; terceira opção — para eles. Transfiro minha atenção para Brooke e me pergunto se algum dia deixarei de ir a algum lugar, só pelo fato de ter que escolher entre ela e uma garrafa de álcool. Rapidamente minha mente começa a somar 2+2 e percebo que apesar de não ser fácil dizer; "foi mal" para o álcool, eu não conseguiria dizer; "foi mal" para Brooke por algum motiv... Na verdade, acho que estou começando a entender o que é esse motivo e estou com medo de aceitar, até porque qualquer um hoje em dia namora sem amor. A morena, como se notasse que eu estava a observando, move suas órbitas para mim e umedece os lábios.

— Não sabia que ela era líder de torcida — a princesa se inclina e sussurra na minha orelha.

— Agora sabe — sorriu de lado a respondendo no mesmo tom de voz que ela e a mesma espreme seus olhos para mim, me acertando um soquinho na costela logo em seguida.

— Brooke! Não sabia que você estava aqui — Gretta percebe a princesa no ressinto e deixa sua bolsa no colo de Gregory, que a observa, a admirando — Uau! Também não sabia que você tinha uma tatuagem, ela é incrível — a garota do Gibson cai olhar na mão de Brooke, que estava esticada a fim de pegar sua caneca.

Mal Gretta sabe que o porquê dessa tatuagem estar na pele dela não é nem um pouco "incrível". Todos por voltam parecem perceber pela primeira vez a tatuagem e a encaram. Assim que percebe, Brooke retrai e esconde sua mão novamente, como se fosse errado mostrá-la. A princesa resmunga um; "Obrigado" à Gretta e um silêncio estanho se instala.

— É... — tento cortar o clima estranho que surgiu — Vocês vão começar a ver ela frequentemente aqui — anúncio sorrindo de lado e olho brevemente para Brooke, que desvia sua atenção para mim, me enviando um olhar matadouro, como se me mandasse parar por ali mesmo no que estou prestes a revelar.

— O que? Vai dizer que Chuck Riston está namorando? — Thomas questiona fazendo uma careta e no mesmo segundo o encaro sério.

— Porra você foi o primeiro a namorar, então não vem querer tirar sarro com a porra da minha cara — no segundo em que termino meu sobreaviso para Thomas, Gretta e Brooke falam ao mesmo tempo, uma em cima da outra; "Tantos porras..." e "Pare com os porras", encaro Brooke, depois Gretta pensando se devia as mandar a merda ou não.

Do que estou falando? Não conseguiria. Não conseguiria mandar Gretta a merda, porque não quero ouvir ela e seu namorado me enchendo o saco. E não consigo mandar Brooke a merda, porque simplesmente não vai, não consigo, não com ela. É oficial, Chuck Riston está definitivamente quebrado.

— Porra, não era disso que eu estava falando, mas sim, estamos tentando pelo menos — respiro fundo tentando manter a linha de raciocínio.

— Que delicado, adorei a parte do; tentando — Brooke resmunga e não só faz todos a olharem, como também me faz transferir minha atenção para ela novamente.

— Não, porra, não — me apresso na explicação, quando percebo sua careta chateada e brava ao mesmo tempo — Você não entendeu, era pra ser uma brincadeira — pouso minha mão na sua coxa novamente e Brooke mantém seu semblante com o olhar preso na beirada da mesa — Princesa... — porra, por que porra fui abrir minha boca mesmo?

Um silêncio estranho e incomodo de instala novamente, mesmo na cozinha tendo mais de 5 pessoas. Ignoro todas as caretas que provavelmente estão estampadas nos rostos de cada um ao me verem voltando atrás, coisa que porra... Eu nunca faço, mas ultimamente venho fazendo bastante coisas das quais eu era contra no passado, por ela.

— Eu... Esqueço se você — os olhos de Brooke voltam a mirar os meus e percebo que parte da sua chateação já se foi — Lamber a goiabada vencida da geladeira — assim que a morena ao meu lado termina seu teatro, todos na cozinha caem na gargalhada, desde Thomas, até mesmo Brooke, que abre um sorriso safado. Meus olhos sem pressa alguma passeiam os detalhes do seu rosto e concordo com a cabeça, antes de soltar sua coxa. Ela me pegou.

— Ah cara, por um segundo pensei que a gente estava presenciando a primeira briga do casal — Gibson consegue dizer entre uma risada e outra, enquanto reveza seu olhar entre Brooke e eu.

A denominação "casal" ainda me incomoda um pouco, no entanto nada comparado a ironia de Gregory achar que isso que acabou de acontecer; foi mesmo uma "briga". Digo, Brooke e eu já discutimos de verdade por coisa muito menor.

— Brooke, eu te amo, sério — Gretta quem corta o som das risadas que ainda estão presentes — Nunca tinha visto Chuck, ficar tão manhoso? Antes — a garota do Gibson mantém seu sorriso no rosto e reveza olhar entre nós.

— Nem eu G menina e olhe que já passei mais tempo com ele, do que você — Nate apoia a garota do Gibson ainda rindo.

— Ótimo continuem — bufo e rosno ao mesmo tempo, me parabenizando por conseguir encobertar o "porra" no fim da frase.

— O que foi, Meu bem? Está bravo? Pensei que estivesse; sabe... Tentando? — a voz de Brooke volta a aparecer e no segundo em que uma mão pousa na minha nuca, a olho.

Outra leva de risadas explode e Brooke esbanja um sorriso tão bonito na porra do seu rosto, que sinto meu pau começar a se manifestar, ainda mais com ela acariciando minha nuca. Tento me manter sério, fechado e bravo com ela, por conta da mesma está fazendo meus amigos rirem da minha cara, mas não rola. Simplesmente não acontece. O que esses bastardos pensam ou deixam de pensar pouco importa. Desde que eu não veja mais aquela merda de olhar que ela estava antes, por mais forçado que tenha sido... Na verdade eu deveria ter suspeitado. Afinal, Brooke não se abala tão facilmente.

Talvez DesconhecidosOnde histórias criam vida. Descubra agora