Capítulo 28
Brooke
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A pizza não demora para chegar e a fumacinha que vem da massa, ainda quentinha, assim que abro a caixa, é quase uma preliminar sexual de tão gostosa. Essa pizza é — definitivamente — a coisa mais cheirosa que já entrou nesse apartamento, juro. Ignoro Chuck rindo com o nariz, por conta da minha admiração à pizza de "arvorezinhas verdes" e pego uma fatia. Chuck destaca outra e faz uma caretinha, idêntica à de uma crianças entre 3 e 4 anos de idade, quando são obrigadas a comerem brócolis e isso me faz rir. Mimado. O sofá coube nós dois afinal... Sentados. Já deitados é outra história e história essa que ainda não testamos. Afinal, uma hora teremos que deitar pra assistir ao filme, não é? Só ao filme e apenas isso. Sem nada envolvendo seu corpo sobre o meu. Não, definitivamente a única finalidade desse sofá duro hoje; será nos aguentar pra assistirmos ao filme, que sequer sabemos qual será. Pensando nisso...
— Vamos assistir o filme no seu celular — era pra ser uma pergunta, mas seu rostinho de mimado sempre me faz querer batê-lo, para mostrar que na vida real ninguém beija seus pés, então acabo afirmando.
— Vamos? — sua pergunta soa claramente sarcástica e eu concordo com a cabeça, mordendo um pedaço da minha fatia de pizza.
Chuck me observa por alguns instantes em silêncio e logo o corpo do mimado se mexe sobre o sofá, encostando seu braço no meu, ao se inclinar para o lado. Respiro fundo e ignoro as células malditas no meu corpo, que gritam de alegria com o mísero contato das nossas peles. Chuck retira seu celular do bolso de trás da calça, devolvendo o pedaço de pizza intocado — ou melhor dizendo; 'imordido' — para a caixa, na mesinha de centro à nossa frente e desbloqueia o aparelho. Sem me importar nem um pouco com sua "vida social", desvio minha atenção dele e do seu celular. Me concentrando em terminar de devorar meu pedaço de pizza e em como essa droga está realmente boa.
— Terror ou Romanc... — Chuck começa a perguntar, mas não o deixo terminar.
— Comédia — pronuncio com firmeza, porquê se vou gastar uma hora e meia de noite não dormida, que pelo menos seja com algo que me faça rir.
Se tem algo que me enquadro com êxodo nessa vida é; ser antiquada referente ao agora e a tecnologia. Não ligo para todos os aparelhos que o homem já inventou e suas "transformações" no mundo. Não acredito nos filmes de romance. E acredito que passar horas lendo fofocas de famosos em redes sociais, para mim não é avanço coisa alguma, os jornais já faziam isso sem precisarem estar conectados à tomadas, muito menos serem recarregados. E de mais a mais, nunca fui de assistir filmes, enquanto meu avô se matava para trocar as televisões na nossa casa, para acompanhar à "evolução" eletrônica; eu ficava no meu quarto, ou no jardim pintando. Para mim, trocar mensagens com pessoas que podemos muito bem falar pessoalmente é o cúmulo da preguiça e acima de tudo a falsa realidade que à internet passa para seus usuários; é deplorável em tantos níveis...
— Deadpool? — sua sugestão me faz encara-lo.
— O que é isso? — questiono erguendo uma das minhas sobrancelhas e Chuck ri sem humor.
— Porra, diz que é brincadeira — seus olhos percorrem meu rosto, com cara de paisagem, se ele está esperando por alguma resposta estilo; "Você me pegou! Eu amo Deadpool" vai continuar a esperar por um bom tempo — Você não sabe mesmo quem ele é? — seu tom de voz agora soa um grau mais baixo, como se ele estivesse... Chateado com isso?
— Se eu soubesse, não estaria perguntando, acredite não preciso ouvir sua voz mais que o necessário, só ele já me irrita — o respondo com sinceridade, desviando minha atenção para a caixa de pizza, que virou o amor da minha vida e retiro outro pedaço, o levando até a boca.
Enquanto estou mastigando, percebo que seus olhos castanhos amendoados ainda estão me encarando, o que me faz encara-lo também. Chuck respira fundo e então percebo seu maxilar travado. Espera aí... Ele está bravo? No segundo em que paro de mastigar o pedaço de pizza em minha boca, o moreno desvia sua atenção de volta para o celular em suas mãos, em uma mistura de derrota e raiva.
— "Sausage Party" também é legal — Chuck resmunga claramente... Chateado? E mentalmente me pergunto se esse tal filme; Deadpool é tão importante assim pra ele.
O conhecendo como conheço; ou seja porra nenhuma, tenho certeza que esse filme só mostra peitos balançando pra lá e pra cá. Essa mera insinuação à mulheres sendo sexualizadas, a troco de um público, me faz rir sem humor. Claro que ele gostaria de filmes nesse estilo, mas essa não é a minha praia.
— Tem algum envolvendo bichinhos falantes? — questiono sarcasticamente, no entanto acho que o sarcasmo não ficou muito claro, já que Chuck no mesmo segundo me encara de sobrancelhas juntas, expressando dúvida.
— Porra sério? — sua pergunta soa tão baixa quanto é possível para que eu e ele mesmo escute.
— Sei lá, nunca vi nada do tipo e me bateu a curiosidade — prolongo a brincadeira, ou talvez nem tanto, já que realmente nunca vi nada do tipo.
— Como assim? Você nunca viu nada do tipo? — agora, de alguma forma, seu pavor está explícito nos seus olhos, como se eu tivesse lhe dito que sou uma das criminosas mais procurada do mundo e vivo tranquilamente aqui em New Heaven.
— Apenas não vi, tá legal — deixo de fora o; "assistir filmes de bichinhos falantes, não estavam no topo da minha lista de afazeres" porquê ele não está sendo tão babaca essa noite e também porquê aparentemente meu sarcasmo está falhando.
— Porra... — Chuck passa a mão no seu cabelo já bagunçado, o bagunçando ainda mais — Você ao menos sabe o que é um filme? — sua expressão e seu tom de voz soa como se estivéssemos em um hospital e ele acabara de me dizer que meu parente não sobreviveu após a cirurgia.
— Não, é de comer? — volto atrás no que disse e continuo a tirar sarro com a sua cara, no entanto Chuck não diz mais nada, apenas me observa pasmo.
Acabo deixando uma risada escapar e mordo outro pedaço da minha fatia deliciosa de pizza.
— O que? Não posso simplesmente não ter interesse em assistir filmes infantis bobos? — pergunto sem me importar se minha boca estava cheia e os olhos de Chuck caem nos meus lábios, muito provavelmente sujos de tempero e queijo.
— Você vai me matar de tesão — Chuck deixa escapar um sussurro, bem baixinho, como se não quisesse que eu escutasse, tão baixo que juro que soou quase como se ele estivesse falando em outra língua, mas ainda assim escuto.
E o que escuto infla meu ego demais, me deixando com um sorrisinho bobo no rosto. É ao que parece... Mimados também sentem atração em gatas borralheiras sexys. Finjo ignorar sua "declaração" e não tiro olhar do seu, quando aproximo a fatia de pizza dos meus lábios e mordo mais um pedaço. Como uma mariposa atraída com a luz; Chuck acompanha cada movimento que faço e quando seus olhos se fixam nos meus lábios novamente, ele respira fundo. Seus olhos castanhos amendoados sobem para os meus e aqui ficam um certo tempo, antes de abrir aquele sorrisinho bobo e se inclinar, até nossos rostos estarem a centímetros um do outro.
— Seus lábios estão sujos, Princesa — as pontas dos seus dedos seguram meu queixo e lentamente, como se o mundo estivesse em câmera lenta, Chuck se aproxima mais ainda.
Ou melhor dizendo; faz menção de se aproximar, porquê a parte racional do meu cérebro, joga minhas costas para trás, fugindo das garras de Chuck Riston antes dos seus lábios cobrirem os meus. Mas não antes do breve e leve raspar de lábios.
— Que cafona — pronuncio nervosa pra caramba, ignorando a súbita vontade que me surgiu de voltar atrás e mentalmente peço para que Chuck não
perceba, que de alguma forma, inclusive uma forma tola pra caramba; todo meu corpo reagiu à sua investida e ao brevíssimo contato dos nossos lábios, que enviou ondas eletrizantes para cada centímetro do meu corpo.
O mimado ao meu lado, corre olhar no meu rosto e morde o próprio lábio inferior, concordando com a cabeça.
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Talvez Desconhecidos
Romance🏆 VENCEDOR DO THE WATTYS 2021, NA CATEGORIA NEW ADULT🏆 Brooke Westton sempre teve a vida corrida e cronometrada como um mero robô. As manhãs ela trabalha, as tardes assiste as aulas de sua faculdade e de noite retorna à lanchonete onde trabalha de...
