Capítulo 52
Chuck
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Entro na sala e me jogo no sofá ao lado de Nate e Thomas. Como sempre, Gibson não está na fraternidade, mas hoje, nem me irrito com essa porra. Os gemidos de Brooke ainda massageiam meus ouvidos e acho que nada, nem ninguém vai conseguir estragar meu dia hoje.
— Todo sorridente — Thomas observa, desviando sua atenção do jogo que estava rolando na tv.
Tudo antes que se relacionasse à uma garota, ou uma boa transa casual; ou se passava imperceptível, ou eu já chegava onde quer que os caras estivessem falando em como tal rosto tem tal sentada. No entanto, não me sinto na obrigação de dizer nada muito detalhado sobre o que aconteceu horas atrás, na bancada velha do apartamento de Brooke. Não escondo meu sorriso, na verdade até o amplio. Até porque posso e devo estar sorrindo. Finalmente, repito; finalmente Brooke está me deixando chegar lá.
— Tenho meus motivos — revelo dando de ombros e Thomas faz uma careta.
— Algo envolvendo a garota Eva? — Nate pergunta, antes de colocar um punhado de salgadinho na boca.
Viro meu rosto para o loiro e sorriu concordando com a cabeça.
— Sim, porra! Finalmente sim! — estou contente.
— Espera aí... — volto a encarar Thomas, que diferente de antes, o bastardo agora me encara como se eu tivesse o acertado um soco no saco — O que você acabou de confirmar? — sua voz deixa sua garganta quase como em um rugido.
— Que eu estou finalmente me dando bem? — o respondo e ao mesmo tempo questiono, por não entender realmente o motivo da sua mudança de humor.
Por alguma razão, assim que termino de pronunciar sua resposta, algo dentro de mim acha ruim, até mesmo estranho as palavras que escolhi para responder Thomas, entretanto não volto atrás. Nunca volto.
— Filho da puta — Thomas rosna e de repente se levanta, segurando a gola da minha camisa, empurrando com força meu corpo contra o encosto do sofá.
— Ei porra, o que está fazendo? — pergunto tentando me soltar e Thomas primeiro puxa minha camisa, projetando meu corpo para frente e logo em seguida me empurrar contra o sofá novamente.
— Você encostou na Eva! Seu filho da pu... — Thomas tenta decretar sua raiva, no entanto o impeço e o empurrando com força para longe de mim.
— Se você chamar minha mãe disso de novo, você será a porra de um cara morto! — me levanto e rosno tão puto, quanto o bastardo à minha frente.
Thomas ri sem humor e nega com a cabeça me encarando.
— Não acredito que fez isso, Chuck — seu tom de voz por algum motivo soa como se ele estivesse trancando o choro, o que me deixa mais perdido ainda.
Paro para repassar o que Thomas havia dito antes e então entendo o porquê desse bastardo estar tão puto... Ele acha que explorei "sua" preciosa Eva. Porra essa é a melhor piada do mundo. Uma risada repentina me vem e consigo rir um pouco, antes do punho de Thomas encontrar com a minha bochecha. Cambaleio de leve para trás e logo que recupero o equilíbrio, encaro Thomas cego de raiva. Uma provocação não dita, me altera e parto para cima dele, fazendo com que nós dois caíssemos sobre a mesinha de centro, que cede com nosso peso. Ignoro os vidros e a madeira quebrada, acertando seu corpo em diversos pontos, assim como seus punhos também acertam o meu. Sangue aparece no nosso meio, mas não tenho certeza se vem do filho da mãe ou de mim mesmo. Provavelmente dos dois. Por ser maior, Thomas consegue fazer com que nossos corpos girem e ele toma lugar sobre o meu corpo, acertando em cheio meu maxilar. Me preparo para devolver o golpe, mas o corpo de Thomas é retirado de cima do meu. Respirando fundo várias vezes, me levanto e aos poucos consigo voltar a ver tudo ao nosso redor. Gibson agora está presente, impedindo que Thomas volte até mim e Nate está na minha frente, falando algumas merdas que pouco dou importância. Quero que Thomas volte, quero devolver a porra do soco que ele me presenteou. Quero descontar a frustração de ter ido visitar Cathryn e ela parecer que perdeu mais peso do que na semana passada. Quero socar por ter que aturar toda essa merda. Quero socar porque — como Brooke me lembrou — por mais que exista inúmeras opções, nosso tempo com ela ainda é cronometrado como o relógio de uma bomba.
— Qual é porra? — resolvo fazer exatamente isso; descarregar — Acha que sua "Evinha" ficaria te esperando para todo o sempre? — o provoco, mesmo sem ter encostado em um fio de cabelo de Eva e como esperado recebo sua atenção novamente, Thomas assim como eu, tem fogo nos olhos, no entanto não me intimido — Não se preocupe, direi a ela que você ainda sente algo, quando ela estiver embaixo de mim gemend... — tento continuar minha provocação, no entanto Gibson rosna um; "CHEGA CHUCK!".
O outro idiota apaixonado, ainda impedindo a passagem de Thomas, se vira para poder me encarar de sobrancelhas unidas.
— Melhor você subir — Gibson avisa e tenho que respirar fundo.
Ótimo, ele fica a porra do dia todo fora, fudendo com sua namoradinha e quando chega quer ditar ordens. Estou preparado para mandar Gibson tomar naquele lugar, quando Nate coloca uma mão no meu ombro e eu enfim transfiro minha atenção para o único, que ainda não caiu nas garras de nenhuma garota até agora.
— Vamos lá, C — Nate pronuncia baixo e aperta meu ombro, antes de me guiar como se eu fosse a porra de um velho, que não se lembra aonde fica a porra do seu quarto.
Sacudo meus ombros, me libertando da mão de Nate e rosno um "Me solta, porra", subindo as escadas de dois em dois degraus, indo em direção ao meu quarto. Assim que entro, bato a porta na cara de um Nate, com a intenção de me acalmar e a primeira coisa que faço é; me jogar na cadeira à frente do computador e colocar o headphone, começando a escutar trilhas musicais modificas por mim mesmo, no volume máximo.
Balanço a cabeça no ritmo da batida alta, criada no meu programa de edição, abrindo e fechando os dedos das minhas mãos várias vezes. As juntas dos meus ossos reclamam, porém apenas fecho os olhos e tento deixar a música me acalmar, como ela sempre fez. Por alguma porra de razão, acabo rindo por lembrar do momento em que entrei na sala, com o pensamento que nada nem ninguém poderia ferrar com a porra do meu dia. Juntamente com essa lembrança, me vem uma Brooke, com os lábios grossos formando um O perfeito e breve, enquanto gemia. Respiro fundo e nego com a cabeça. Acabei de brigar com a porra do meu amigo justamente por conta de uma garota e agora cá estou eu pensando sem parar em outra. Foda-se, talvez eles estejam certos. Tem que haver algum crédito por trás da fidelidade deles à essas garotas. E eu preciso descobrir qual é... Mentalmente zombo de mim mesmo, por realmente estar pensando em uma porra dessas. No entanto, não tenho como dizer que Brooke não vem sendo, de certo modo, diferente para mim. Como há segundos atrás, que sua imagem apareceu no momento em que mais buscava por calma. Talvez seja isso... Porque até hoje nunca reprisei nenhuma garota na mente quando precisava respirar fundo. Brooke é a primeira. É a primeira que está me fazendo ir atrás de si. É a primeira que me fez viciar, sem sequer ter tirado minha cueca. É a primeira que me intriga de verdade e é a primeira que eu realmente gosto de ouvi-la falando. É a primeira que eu deixo ser tão grossa comigo. Claro, não posso esquecer que também é a porra da primeira que conheceu minha irmã e minha mãe.
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Talvez Desconhecidos
Romance🏆 VENCEDOR DO THE WATTYS 2021, NA CATEGORIA NEW ADULT🏆 Brooke Westton sempre teve a vida corrida e cronometrada como um mero robô. As manhãs ela trabalha, as tardes assiste as aulas de sua faculdade e de noite retorna à lanchonete onde trabalha de...
