Capítulo 3
Brooke
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Aquele mimadinho idiota acabou com meu humor — sim aquele pouquinho que eu mal tinha, mas ainda sim era algo — e aturar duas horas de palestras se torna mil vezes mais difícil do que já é. Tento me concentrar nas palavras que saem da boca do palestrante formado em milhares de diplomas, mas não me sai da cabeça Chuck Riston correndo seu olhar no meu corpo. Mimado. Deveria ter lhe dado um chute no saco no instante em que seu ombro colidiu com o meu. Meus avós aprovariam isso. A ponta da minha caneta começa a rabiscar com uma força exagerada, uma folha do meu caderno e me surpreendo pelo material não se rasgar. Acabo desviando minha atenção total do assunto abordado nessa aula oral, por estar concentrada em algo mais importante no momento. Consigo chegar à um traço parecido com o seu maxilar e a ponta da minha caneta parte para os olhos. Aquele mimado exalava aquela merda que todo mundo nesse campus tem; superioridade e não retrata-lá no retrato que estou fazendo dele é indispensável. Como se até seus olhos conseguissem dizer que ele é superior. Aperto ainda mais a caneta entre meus dedos e parto para outro traço. As horas correm e quando termino o desenho, sinto meus dedos doerem, estava mesmo apertando com muita força o material da caneta e agora que o finalizei; a solto e encaro o papel. Não ficou algo majestoso, até porque fiz com a droga de uma única caneta esferográfica, mas é inconfundível, desenhei o rosto do mimado e mesmo que eu tivesse tentado com toda minha alma retratar aquele olhar de superioridade dele no desenho; sinto que falhei na missão. Desperdício de tinta de caneta. Bufo e de repente todos os alunos batem palmas, o que indica o fim da palestra. Assim como os demais, me levanto e começo a guardar minhas coisas. Sério que levei 2 horas desenhando apenas um rosto? Preciso melhorar minha habilidade de caricatura. Faço uma nota mental de roubar o notebook de Oen para pesquisar sobre as matérias que deixei passar nessa palestra, já que ele é o único que tem aparelho eletrônico — que eu conheça, claro — e coloco a alça da bolsa enviezada no meu peito. Espero um pouco para que aquela multidão de pessoas ansiosas para irem embora de uma vez diminua um pouco e caminho em direção à saída da sala, brincando com a luva preta de algodão que uso na mão direita.
Tomo cuidado para não esbarrar em ninguém — de novo — apesar de que a primeira vez hoje, tenha sido ele a esbarrar em mim e vou em direção à um dos inúmeros bancos nesse campus que não é lotado. Ele fica ao norte, meio afastado de tudo e todos, o que eu em particular amo. Chegando lá me sento sozinha e retiro o caderno com o retrato de Chuck Riston da bolsa. Encaro o desenho com seus traços e me pergunto se devo aprimora-lo? Não é como se eu fosse lhe entregar após a finalização, ou se ele valesse pontos, então não tenho o porquê gastar meus materiais nisso, no entanto minha próxima aula só começa as 5pm e ficarei um bom tempo aqui sem fazer nada, porque não vale voltar ao apartamento que divido com Oen, então por fim me vejo aprimorando alguns detalhes do desenho como; acrescentar mais cílios e ajeito alguns fios do seu cabelo. Matar o tempo entre uma aula e outra poderia ser mais fácil se de alguma forma eu me abrisse para fazer novas amizades, entretanto não é a minha praia. Prefiro ser a que ninguém sabe o nome, do que a que todos beijam os pés. Sempre fui assim desde a escola. Meus avós me chamavam de Tatuzinho por me encolher e me esconder sempre que alguém se aproximava para brincar comigo. Como se fosse simples assim... Em minha defesa não ter nenhuma amizade, fez com que eu não me distraísse de conseguir o que queria; uma bolsa em Uepplen. A mesma bolsa que eu estava ciente que se não conseguisse por minhas notas, não conseguiria de nenhuma outra maneira, já que meus avós mal tinham dinheiro para comprar comida. Não cheguei a conseguir uma bolsa integral, mas só de não precisar pagar por inteiro já foi uma oportunidade imensa. E não julgo meus avós por acharem que eu deveria ter me inscrito para alguma bolsa com mais "futuro", os dois apenas não querem que eu continue nessa rotina de; trabalho, estudo e casa pro resto da minha vida. Eles são velhinhos, mas se preocupam de eu não ter amigos... O que é engraçado, já que canso de lhes dizer que Oen é meu amigo e os dois cansam de me contradizer alegando que Oen é o meu namorado. Eca, não, definitivamente não. Oen é tudo menos um cara que me vejo me relacionando.
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Talvez Desconhecidos
Romance🏆 VENCEDOR DO THE WATTYS 2021, NA CATEGORIA NEW ADULT🏆 Brooke Westton sempre teve a vida corrida e cronometrada como um mero robô. As manhãs ela trabalha, as tardes assiste as aulas de sua faculdade e de noite retorna à lanchonete onde trabalha de...
