Capítulo 22
Brooke
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Desconhecidos podem tomar banho juntos, certo? Quer saber? Na verdade não preciso de uma resposta. Sou dona dos meus próprios problemas e pouco me importa; o que essa sociedade denomina como certo ou errado. Estávamos suados, melados de restos de bolo e precisávamos de uma ducha, estamos poupando água, salvando o planeta, ponto final. Abre aspas para a parte do; poupando água, que na verdade só foi um pretexto para provocar o mimado, no entanto a piada de Chuck-mimado-Riston ainda é clara em minha mente e jogo no lixo toda e qualquer ideia de provocá-lo sexualmente, mesmo já tendo se passado... 3 minutos desde a sua piada sobre meu traseiro ser uma maçã. Ok talvez eu esteja meio perdida na percepção do espaço tempo, mas quem liga? A piada foi tão ruim, que chegou a ficar boa em certo ponto. Outro ponto que deve ser esclarecido pela desistência no plano; "Iluda Chuck", foi o fato de pela primeira vez, meus olhos encontrarem com seu pau. Porque, quando esse sem vergonha se trocou à minha frente em seu quarto, não tive estímulo o suficiente para encarar suas bolas, mas agora parecia errado pelo menos não dar uma espiadinha. Tal como quando estamos no shopping e vemos os enormes cartazes com dizeres; "90% em off em toda loja" na vitrine... Não entrar para pelo menos dar uma espiada, é contra a lei universal. O único problema, é que nem sempre a espiada fica só na admiração, algumas espiadinhas nos levam a se apaixonar pelo produto e querer embrulha-lo com o máximo de delicadeza possível para não estragar. Droga, por que raios pintaram, esculpiram e desenharam um pau tão lindo, grudado no corpo de Chuck? Essa porra deveria ser exibida em um museu de pênis, ou algo assim. Não, na verdade deveria ser tirado, empalhado, embrulhado e me dado de presente, digo; o pau de Chuck é definitivamente o que eu pediria de presente de natal, ao sentar no colo do papai Noel.
— Morreu? — a voz do dono do pênis mais lindo que vi na vida, preenche o silêncio que havia se instalado no banheiro e pisco algumas vezes, me controlando para não me virar de frente para o Mimado, apenas para voltar a admirar sua obra de arte entre as pernas.
— Ainda não — o respondo rindo com o nariz e encontro as forças para me virar, ficando de frente para Chuck, no entanto consigo fazer com que meus olhos permaneçam nos dele e não desçam para o meio das suas pernas; UHUUUU VITÓRIA PARA MIM!
Seus olhos castanhos amendoados percorrem meu rosto e como se pudesse ler minha mente suja; o moreno sorri de lado. Não é a primeira vez em que ele parece conseguir ler minha mente. Que esquésito. Espremo meus olhos para Chuck e para mudar de assunto — mesmo que nenhum de nós tenha dito sequer um; A — pego o pote de shampoo, despejando o líquido sobre os cabelos castanhos do mimado. Chuck choraminga dizendo que não era esse o shampoo que ele usava e acabo rindo. Esse cara é tão mimadooo. Eu sequer sei a marca do shampoo que uso, sempre vou no qual está em promoção, com o preço mais baixo no Walmart. Deixo o pote de lado e na ponta dos pés entrelaço meus dedos entre seus fios, começando a esfregar seus cabelos, que sempre estão bagunçados de uma forma estranhamente sexy. Sinto as mãos de Chuck pousarem nas minhas cinturas novamente — elas já estiveram ali queimando como o inferno diversas vezes só essa noite — e mesmo sem olhar para baixo, sei que nossos sexos estão a centíme... Milímetros de se encontrarem. Junto minhas mãos uma na outra, deixando o cabelo do Mimado, ainda cheio de shampoo, glacê e confetes entre elas. O poder da espuma — e da, muito provavelmente; massa de bolo entre seus fios esmagada — me ajudam a formar um moicano em seus cabelos, agora em pé. Afasto um pouco o rosto, inclinando meu corpo para trás, apenas para ter a visão inteira de Chuck Riston com um moicano de espuma.
— Que ridículo! — comento entre gargalhadas e Chuck concorda com a cabeça revirando os olhos.
— Claro, porra — o mimado resmunga tentando não sorrir, mas o cantinho levemente alevantado do seu lábio o entrega.
Chuck locomove uma de suas mãos até o seu cabelo e desmancha minha obra prima. O que me faz depositar um soquinho em seu peito rindo.
— Não! O mundo tinha que ver essa vergonha! — finjo choramingar, tentando conter a risada e Chuck sorri de lado.
Minha atenção é atraída para parte de seus dentes brancos à mostra e uma mecha chata do meu próprio cabelo, se desprende da minha orelha, caindo no meu rosto, suspiro ao aquela mecha atrapalhar minha visão do sorriso lindo de Chuck. Levo uma mão até os fios rebeldes e os coloco de volta atrás da orelha, apenas para conseguir flagrar o segundo, em que o semblante alegre de Chuck se transforma em uma leve careta. Junto de leve minhas sobrancelhas, não entendendo sua repentina reação e Chuck segura meu pulso, o levantando. Mais especificamente; encarando minha mão que geralmente está coberta pela luva...
— Acho que você não esfregou direito essa mão — Chuck comenta e observa o desenho negro cadavérico ainda na minha pele.
Seu comentário me faz lembrar de que não mostro essa mão para ninguém, nem mesmo para Oen e automaticamente sinto meu coração acelerar.
— É, de-depois termino de limpar — gaguejo nervosa e tento livrar meu pulso do aperto de Chuck.
O moreno ri com o nariz e diz um; "Deixa comigo" sem me soltar. Respirando fundo, o observo pegar a esponja e começar a esfregar o desenho nas costas da minha mão com delicadeza. É diferente ver esse Chuck cuidadoso, sendo que na maior parte do tempo, ele é delicado como o coice de um cavalo, no entanto não posso culpá-lo; se ele é um cavalo, sou uma égua... E o mundo é um celeiro inteirinho de cavalos selvagens. Tento me manter calma, mesmo quando Chuck está começando a perceber que o desenho na minha mão não se vai com água e espuma. Suas sobrancelhas se unem e sem pressa, ele transfere sua atenção para meu rosto.
— Não... É tinta lavável — Chuck praticamente sussurra e sinto minha garganta se fechar aos poucos.
Não, não é. Não teria escolhido acrescentar desenho de ossos coloridos na minha fantasia por nada, até porque nem faria sentido... Eva? Zumbi? Nada haver. Eva esquelética? Muito menos sentido. No entanto, não queria ir para a festa com a luva que sempre estou usando. Os ossos realistas caíram bem com a droga da tatuagem na minha mão. A mesma tatuagem que me arrependo até hoje de ter feito. Respiro fundo e consigo me livrar das mãos de Chuck, saindo do box logo em seguida.
— Preciso ir — deixo de fora o; "na verdade, nem era para mim estar aqui" e alcanço a toalha que ele havia trazido antes para cá.
Desde o princípio estava claro que nada de bom poderia sair dessa festa, até porque; eu? Me divertir? É ridículo. O mundo não permite com que Brooke Westton se divirta, para ele, eu sou apenas uma pessoa que tem que pisar, pisar e pisar até ter certeza de que estou ferrada o bastante para não ter privilégios como o dessa noite; que ao invés de ter ido trabalhar com Gina, vim para cá encher a cara, jogar pedaços de bolos no ar... Céus, quando e onde pensei que isso seria o certo a se fazer?
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Talvez Desconhecidos
Romance🏆 VENCEDOR DO THE WATTYS 2021, NA CATEGORIA NEW ADULT🏆 Brooke Westton sempre teve a vida corrida e cronometrada como um mero robô. As manhãs ela trabalha, as tardes assiste as aulas de sua faculdade e de noite retorna à lanchonete onde trabalha de...
